28/11/16

As alegações de fraude eleitoral nos EUA

Há dias escrevia que "os Democratas - e ainda mais a quase inexistente esquerda - tendem a preocupar-se sobretudo com variantes da fraude eleitoral clássica, feita pelos organizadores da eleição, enquanto os Republicanos preocupam-se mais com fraudes feitas pelos próprios votantes".

As atuais alegações múltiplas de frade, com Jill Stein, a candidata dos Verdes e com a aparente colaboração dos Democratas, a alegar que pode ter havido fraude nas máquinas de voto eletrónico e Donald Trump a dizer que milhões de pessoas votaram ilegalmente, parece cumprir o padrão.

Guerrilha e autoritarismo

Uma questão que casos como Cuba ou a Eritreia me fazem pensar é se a guerra de guerrilha (em detrimento, p.ex., do "levantamento popular de massas") não será uma forma de revolução particularmente propícia a gerar regimes autoritários. Isto é, por mais "estar entre o povo como o peixe na água" que os guerrilheiros sejam, a guerra de guerrilha assenta, quase por definição, na ideia de uma minoria ativista agindo separadamente da massa da população, usualmente de forma clandestina e muitas vezes refugiando-se em zonas pouco povoadas. É verdade que é difícil os guerrilheiros ganharem sem apoio popular, mas isso apenas requer um apoio pouco mais que passivo (não os denunciarem às autoridades, alimentá-los, etc.), sem o grau de participação direta que implica, p.ex., uma greve geral com barricadas na rua.

Aliás, suspeito que parte da razão porque a revolução nicaraguense de 1979 conseguiu, apesar de tudo, manter-se num quadro formalmente democrático (com partidos e imprensa oposicionista, eleições competitivas, várias centrais sindicais, etc.) foi por, nos últimos meses do regime de Somoza, a guerra de guerrilha ter sido complementada por uma quase insurreição urbana, com uma greve geral, motins nas ruas, etc. (note-se que a frente sandinista chegou a ter uma cisão durante os anos 70 largamente sobre isso, com a facção "Guerra Popular Prolongada" a defender a estratégia clássica da guerrilha, e com as facções "Tendência Proletária" e "Tendência Insurrecional" a defenderem, cada qual nos seus moldes, variantes de articulação da guerrilha com a luta de massas - no final foi a Tendência Insurrecional, dos irmãos Ortega e do futuro "contra" Eden Pastora, que predominou).

Já agora, no seu livro "A nossa luta na Sierra Maestra", Che Guevara falava na divisão do Movimento 26 de Julho em duas facções, a "Sierra" (os guerrilheiros nas montanhas) e a "Planície" (os ativistas urbanos, que se estariam a preparar para desencadear uma insurreição quando chegasse a altura), largamente acusando a "Planície" de não fazer nada (se a revolução cubana tivesse tido mais "Planície" e menos "Sierra", talvez a história tivesse sido diferente?).

[Um aparte: dá-me a ideia que a conflito no MPLA em 1977 entre Agostinho Neto e Nito Alves teve também uma componente de um conflito entre o sector oriundo da guerrilha - do lado de Neto - e o sector mais ligado à mobilização popular nos bairros de Luanda - do lado de Nito; mas, talvez pondo em causa toda a minha teoria, ao que sei - posso estar completamente enganado, já que o que se sabe em Portugal sobre o golpe de 1977 parece-me muito filtrado pelos apologistas de ambas as partes - a facção Nito Alves era ainda mais ditatorial que a facção Agostinho Neto].

Sobre Cuba, Castro e a guerrilha, anteontem o blogger inglês "Phil" escrevia:
As James notes, there will be those who try and portray Castro's authoritarianism as entirely reactive, that the original sin lies with the United States and its repeated attempts at undermining and overthrowing the J26 Movement almost from the get go. While true, these material circumstances cannot be waved away either. (...)

Cuban authoritarianism does have a dynamic of its own though, and these were embedded in the characteristics of the struggle led by Castro. His was not a popular uprising in the conventional sense but a guerilla struggle. Che Guevara's Guerilla Warfare distilled the essence of the J26 Movement as a hyper vanguard of committed communist fighters. The group was the nucleus and repository of the lessons of history, and it would be the active agent that would draw the peasantry behind it. Not dissimilar to Mao's approach to revolution. Here, in Cuba, the masses were conceived of as having a spectator role. The opposition to Batista in the cities, the workers' organisations and the Communist Party (which, bizarrely,supported the dictatorship) were marginal to the revolution rolling in off the countryside. The overthrow was accomplished by military struggle, and the command and control model appropriate to that remained. The absorption of the city-dwelling communists, the transformation of the unions into apparatuses of the state, the clamping down on the media were certainly conditioned by the exigencies of a revolutionary changes, but not determined by them. Effectively, a military movement became a military government, and the trappings of a Stalinist state acquired while consolidating the hold on power was an extension of these governing principles to all aspects of society.
Três sugestões adicionais de leitura sobre o assunto (ou sobre vários assuntos incluindo este): os trotskistas Ted Grant e Nahuel Moreno[pdf] (páginas 55-58) e o liberal Jesse Walker (atenção que o eu estar a recomendar os textos deles não implica necessariamente concordância, até porque seria difícil concordar simultaneamente com os três; sobretudo Walker centra-se sobretudo na questão violento/não-violento, não tanto na questão grupo restrito/amplo movimento popular).

Uma observação final, talvez já demasiado especulativa ou mesmo à beira do delirante: será que uma das razões para a mitificação do regime cubano (ultrapassando, como já disse, as fronteiras do comunismo ortodoxo) não será exatamente a sua ligação à guerrilha (tanto o ter nascido da guerrilha, como o ter fomentado ativamente a guerrilha durante os seus primeiros anos de existência)? É que a guerrilha, a ideia de pequenos grupos lançando ações audazes é algo muito fácil de romantizar (no fundo, com motivações psicológicas talvez não muito diferentes das que levam as pessoas a lerem livros ou verem filmes de piratas, de operações de comandos atrás das linhas inimigas, de assaltos, etc.) - talvez um resquício (esta é a parte à beira do delirante) das centenas de milhares de anos (ou mais, se contarmos, com os nossos antepassados pré-Homo sapiens) em que passamos como nómadas caçadores-recoletores, em que tanto caçar outros animais, como fazer um raid surpresa contra um clã humano vizinho implicava usar faculdades mentais e físicas muito semelhantes às que se usam em ações de guerrilha?

Fidel. Pode alguém ser quem não foi.

Fidel Castro foi um revolucionário que liderou o seu povo numa luta que visava devolver aos cubanos a dignidade perdida e a esperança no futuro  que tinham sido esmagados pelo ditador Fulgêncio Baptista. Cuba era o bordel de luxo dos americanos, ainda por cima logo ali ao pé da porta. 
A revolução cubana foi um dos momentos marcantes do século passado e Fidel, junto com Che e com outros, um dos seus protagonistas. Por razões, sobretudo más razões, Fidel foi ficando sozinho e a esperança em melhores dias foi-se esboroando. O bloqueio americano, imposto pelo democrata Kennedy, foi o alíbi perfeito para o reforço do poder autoritário e para  a transformação da Cuba revolucionária numa Cuba ditactorial. Uma Cuba em que a falta de liberdade politica, a falta de respeito pelas minorias, de que o internamento dos homossexuais em "campos de correção e tratamento" foi um dos mais trágicos exemplos, a completa ausência de qualquer resquicio de democracia politica, foi sempre "compensada" - no discurso dos que ainda agora defendem Fidel - pela excelência da educação pública e pela excelência do acesso aos serviços de saúde. Fidel começou revolucionário e morreu ditador. Morreu opondo-se à ténue abertura que o seu irmão tem liderado e sobretudo claramente contra a normalização das relações com os Estados Unidos que Trump, aliás, se prepara para implodir.
Pode-se utilizar o carisma, a importância da luta revolucionária contra Baptista, o que se quiser. Há no entanto uma realidade que emerge: Fidel foi um dos que ajudou, com o seu exemplo, a desacreditar o socialismo e a mostrar que o socialismo de estado era um dos maiores embustes políticos do último século. 
Não há ditadores bons. 

27/11/16

A fantasia cubana

Uma coisa digna de nota, a respeito da morte de Fidel Castro, é a admiração por Fidel e/ou por Cuba (e, já agora, também pelo "Che"), não apenas entre os comunistas ortodoxos (isso não tem mistério nenhum), mas também entre pessoas que até sempre foram bastante críticas dos regimes da Europa de Leste, que diziam que esses países não eram o "verdadeiros socialismo", etc., etc.

Afinal, Cuba não tinha qualquer diferença relevante face a esses regimes - o modelo era o mesmo: uma economia estatizada, dirigida por quadros dos ministérios do planeamento e afins, e um partido único, sem sequer direito de tendência (tal e qual o Partido Comunista da União Soviética, e ao contrário, p.ex., do Partido Comunista Pan-Russo Bolchevique até 1921). A única coisa que talvez pudesse dar a ilusão de Cuba ser uma sociedade diferente seriam os "Comités de Defesa da Revolução", no fundo milícias de bairro, que poderiam fazer os mais entusiastas ver lá uma espécie de "poder popular de base", mas mesmo isso requeria uma grande auto-ilusão, porque se trata de organizações para por em prática as decisões do governo (e reprimir os dissidentes), não de organizações para tomar decisões.

Mais, Cuba identificava-se abertamente com esses regimes e o Partido Comunista Cubano tinha "relações fraternas" com o PCUS - nem sequer era como a China ou a Albânia, que diziam que eram diferentes (para não falar na Jugoslávia, que, essa sim, tinha mesmo diferenças de monta). É verdade que, logo nos primeiros anos após a revolução, Cuba dizia-se uma "república democrática nacional" e não uma "republica popular", mas creio que até tinha sido o próprio regime soviético a incentivar essa distinção.

Talvez o sinal de "diferença" que levasse alguns anti-Moscovo a ser pró-Havana tenha sido o facto de a revolução não ter sido feita pelo partido comunista "oficial" - o Partido Socialista Popular - mas pelos guerrilheiros do Movimento 26 de Julho (após a revolução o M-26-7 e o PSP dariam origem ao atual Partido Comunista de Cuba), e mais tarde o "processo Escalante", em que o ex-dirigente do PSP e alguns elementos próximos foram destituídos e presos, acusados de conspirar com diplomatas soviéticos para afastar Fidel Castro. Mas tal nunca chegou a dar origem a um afastamento entre Cuba e a URSS, ou a uma critica pelos cubanos da ideologia ou do modelo comunista ortodoxo (quando muito apenas a discordâncias técnicas, como a oportunidade da guerra de guerrilha), limitando-se a ser pouco mais que uma questão de pessoas (Escalante ou Castro?). Ou seria que era sobretudo a ideia de um grupo de jovens mais ou menos intelectuais, agindo independentemente do PC, a fazer uma revolução que era atrativo para muita da esquerda alternativa (nomeadamente da época, em que as universidades ocidentais andavam a pulular de jovens revolucionários em rotura com os PC's tradicionais)?

Tudo computado, mantenho que isto é mesmo algo difícil de compreender (fazendo lembrar aquelas pessoas que se convencem que alguém está apaixonado por elas, mesmo sem esse alguém dar qualquer sinal nesse sentido e muitos em sinal contrário) - pessoas que queriam construir um socialismo "diferente", alternativo tanto ao estalinismo soviético como à social-democracia dos "socialistas" ocidentais andavam (em maior ou menor grau - e muitos parece-me que nunca chegaram mesmo a romper definitivamente) entusiasmadas com um regime igual ao soviético e que se assumia abertamente como sendo do mesmo tipo.

24/11/16

Barcelona. Uma cidade que leva a sério o direito à habitação

Barcelona que ainda hoje tinha sido noticia pelas multas aplicadas à Airbnb, volta  a ser noticia pelas multas aplicadas a instituições bancárias que mantêm apartamentos vazios por períodos superiores a dois anos. Uma medida desse teor constitui-se como um manifesto politico práctico contra a especulação imobiliária. Digamos, de forma resumida, que o banco não arrenda nem vende porque aguarda que o mercado evolua no sentido de maximizar o valor a obter com a renda ou a venda. Ao mesmo tempo, retirando fogos do mercado, coloca pressão sobre os preços de arrendamento e de venda. Trata-se de uma atitude especulativa, pura e dura.
Foi contra a especulação que se manifestou a alcaide de Barcelona, Ada Colau, quando anunciou as multas aplicadas ao Santander, ao BBVA e a uma outra instituição, que ultrapassam o milhão de euros em cada caso. Quando existe vontade politica é possível defender os direitos dos mais fracos e impôr aos poderosos o minimo dos mínimos: o puro respeito pela lei. Cerdá, Gaudi e outros, devem estar orgulhosos desta alcaide e desta politica que governa a cidade.

Trump continua a ser a favor da tortura

Trump Has Not Changed His Mind About Torture (Slate):
There’s a notion out there that, after talking with Gen. James Mattis, who might be the next secretary of defense, President-elect Donald Trump is suddenly opposed to waterboarding. In fact, this isn’t true at all.

The notion arose from a story in the New York Times about Trump’s hourlong meeting on Tuesday with the paper’s editors and reporters. (...)

However, the full transcript of the session, which the Times published on its website, reveals a different bottom line. Trump is quoted as telling the same story about Mattis, adding, “I was surprised [by his answer], because he’s known as being like the toughest guy.”

But Trump then goes on, “And when he said that, I’m not saying it changed my mind.” (Italics added.) Let me repeat that: Contrary to the Times’ own news story, it is not the case that “Mr. Trump suggested he had changed his mind about the value of waterboarding.” In fact, he explicitly said the opposite. Right after that point in the transcript, a Times editor adds the following, inparentheses and italics: “(Earlier, we mistakenly transcribed ‘changed my mind.’)” Hence the misreporting and the as-yet largely unrecognized misunderstanding. (...)

In short, Mattis exposed Trump to a different view of torture—a view, by the way, that most American generals and admirals hold. And, especially if he does appoint Mattis to his Cabinet, he might open himself to that view in making policy. However, Trump has not changed his mind on torture—which, since he enthusiastically supported it during the campaign, means he still supports it now.

Barcelona multa a Airbnb

A plataforma de aluguer de curto prazo Airbnb continua a "fazer amigos" entre os autarcas das principais cidades europeias e mundiais. Depois das medidas adoptadas por Nova Iorque foi hoje divulgada a aplicação de uma multa pela cidade de Barcelona. A Airbnb vai ter quer pagar 600 mil euros de multa por anunciar apartamentos turísticos ilegais.
É velha a guerra entre a cidade condal e a plataforma electrónica de aluguer de curto prazo. São várias as razões - razões profundas de politica pública de habitação - que levam o poder local a prosseguir esta guerra, contra a toda poderosa empresa.

23/11/16

Aceitar os resultados das eleições norte-americanas? (II)

Há dias eu escrevia que não tinha lógica a exigência de que Trump se comprometesse previamente a aceitar os resultados eleitorais:
Veja-se as alegações que frequentemente surgem a seguir a eleições nos EUA (normalmente do lado que perdeu)...


... há suficientes alegações, de parte a parte, de irregularidades; agora conjugue-se isso com o sistema eleitoral norte-americano, em que basta ter mais um voto num estado para ter (com duas exceções insignificantes - Maine e Nebraska) todos os votos desse estado no colégio eleitoral. Não é díficil imaginar (sobretudo numa eleição renhida) uma situação em que haja alegações de irregularidades numa assembleia de voto, que os votos em causa sejam suficientes para decidir quem ganha nesse estado, e que os votos desse estado sejam decisivos para decidir o resultado final - ou seja, é perfeitamente possível que haja razões credíveis para se duvidar que o vencedor designado seja o verdadeiro vencedor.

Portanto que lógica teria, ainda antes das eleições, de se saber se houve ou não situações duvidosas, e de se saber se, a existirem, esses casos poderiam ter impacto no resultado final, um candidato dizer antecipadamente que aceitará como verdadeiro o resultado das eleições?
E agora, temos isto (CNN, via Destreza das Dúvidas):
Hillary Clinton's campaign is being urged by a number of top computer scientists to call for a recount of vote totals in Wisconsin, Michigan and Pennsylvania, according to a source with knowledge of the request.


The group informed John Podesta, Clinton's campaign chairman, and Marc Elias, the campaign's general counsel, that Clinton received 7% fewer votes in counties that relied on electronic voting machines, which the group said could have been hacked.

Adenda: Demographics, Not Hacking, Explain The Election Results (FiveThirtyEight)

Como é que havemos de chamar aos nazis?

Os neonazis americanos, que se organizam no think thank  pomposamente chamado "National Policy Institute", reuniram para festejar a vitória do seu candidato nas eleições presidenciais americanas, Donald Trump.
Um repórter do Guardian acompanhou os "festejos" durante um fim de semana. A impressão que recolheu do evento está bem sintetizada na seguinte frase:
"But to an outsider, the conference merely served as a shocking insight into the racism, sexism and disturbing beliefs of the “alt-right”

Os neonazis americanos acham que chegou a hora de influenciar a politica americana e dessa forma conseguir mudar a sociedade no seu conjunto. O objectivo é mais amplo do que aceder ao poder e ter acesso aos benefícios materiais que esse acesso permite. Trata-se de aproveitar esta oportunidade para promover uma revolução.
Esse objectivo está claramente expresso numa declaração do líder do movimento:

“We want to influence people. We want to be an intellectual vanguard that starts to inflect policy, inflect culture, inflect politics,”. 

A quem manifesta uma tão grande devoção a Hitler e defende os ideais nazis, como devemos chamar? E a Trump que beneficiou deste apoio durante a campanha nunca o renegando? Trump que escolheu um confesso camarada destes nazis para a equipa politica que vai levar para a Casa Branca, Stephen Bannon de seu nome.
Porque raio não devemos chamar às coisas aquilo que elas são.

17/11/16

A oposição a Trump. A pretendida deportação dos imigrantes.

O mayor de Nova York não perdeu tempo a reunir com Trump para lhe dizer que os moradores da cidade estão receosos com ele, isto é com as suas ideias politicas. Trump ouviu o mayor dizer-lhe que a cidade não admite tratar mal os seus cidadãos, sejam ou não imigrantes. Nova York tem um número muito elevado de cidadãos estrangeiros, mais exactamente três vezes a média nacional. Outros presidentes de Câmara de cidades importantes já secundaram Bill de Blasio. A deportação dos imigrantes - ideia fascista que terá promovido o sucesso de Trump junto das vitimas da globalização e do aumento da desigualdade -  poderá ter dificuldade em avançar, apesar da maioria politica que suporta o trumpismo.
Interessante o vídeo, junto da noticia da BBC, em que se dá conta de como a retirada do nome do milionário dos prédios que construiu na cidade, foi resultado de uma posição dos seus moradores/proprietários.

Adenda: igualmente interessante o segundo vídeo que integra a noticia da BBC. Uma reportagem com duas mulheres - mãe e filha -  que apoiaram respectivamente Trump e Clinton, pelas razões que cada uma explica de viva voz. Uma clivagem na classe média americana em que o leit-motiv não é a economia, ou a globalização e os seus horrores, mas tão somente uma diferença fundamental que envolve as questões da diversidade, da inclusão, da raça e da religião. Em resumo a forma como cada um é capaz de viver em democracia, aceitando os outros na sua plenitude com todas as suas diferenças.

15/11/16

Trump e o Syriza

Os comentadores que, antes das eleições norte-americanas, diziam que não havia diferenças entre Trump e o Syriza, o Podemos, etc. (populistas anti-globalização, etc.), agora dizem que não se pode ignorar as preocupações que os eleitores manifestaram. Mas não me parece que tenham dito isso após as eleições gregas.

Ainda acerca de Trump

Acho mais provável que Trump venha a ser um novo George W. Bush (que, recorde-se, quando foi eleito, também tinha a imagem de querer reduzir o envolvimento norte-americano no mundo, e Gore e McCain é que tinham a reputação de serem mais intervencionistas) do que um novo Hitler.

14/11/16

"Equivalência moral"?

Pôr no mesmo plano a tentativa de invasão de uma sede de um partido político e manifestações durante cerimónias públicas.

The Partisan

Uma das poucas canções cantadas por Leonard Cohen que não era da sua autoria. Neste caso uma velha canção da resistência francesa, escrita em Londres em 1943 por Emmanuel d´Astier de La Vigerie e musicado por Anna Marly. Esta canção cujo título original era "La Complainte du Partizan" era difundida pela BBC para a França ocupada. Foi regravada em 1969 por Leonard Cohen e integrava o primeiro LP do poeta e cantor canadiano que eu comprei. Um primeiro contacto que deixou uma impressão que não mais se desvaneceu. 






"The Partisan"

When they poured across the border
I was cautioned to surrender,
this I could not do;
I took my gun and vanished.
I have changed my name so often,
I've lost my wife and children
but I have many friends,
and some of them are with me.

An old woman gave us shelter,
kept us hidden in the garret,
then the soldiers came;
she died without a whisper.

There were three of us this morning
I'm the only one this evening
but I must go on;
the frontiers are my prison.

Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.

Les Allemands étaient chez moi (The Germans were at my home)
ils m'ont dit "Résigne-toi" (They said, "Surrender,")
mais je n'ai pas pu (this I could not do)
j'ai repris mon arme (I took my weapon again)

J'ai changé cent fois de nom (I have changed names a hundred times)
j'ai perdu femme et enfants (I have lost wife and children)
mais j'ai tant d'amis (But I have so many friends)
j'ai la France entière (I have all of France)

Un vieil homme dans un grenier (An old man, in an attic)
pour la nuit nous a cachés (Hid us for the night)
les Allemands l'ont pris (The Germans captured him)
il est mort sans surprise (He died without surprise)

Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.

13/11/16

Por que revolta e contra que injustiça?

Quando ouço para aí dizer — como Pacheco Pereira, por exemplo: não gosto de Trump, mas gosto da revolta contra a injustiça que levou muita gente a votar nele — fico com a impressão de que me estão a dizer e a toda a gente que a revolta é sempre libertadora e que qualquer ideia de justiça ou injustiça vale o mesmo que qualquer outra. Mas que emancipação potencial se pode descobrir, com efeito, na revolta de quem sente que as mulheres já não são o que eram, de que há muitos engrossou estrangeiros que passam menos mal ou melhor do que quem protesta, de que a verdade revelada é tratada como simples opinião e pode ser negada na praça pública, de que a "preferência nacional" não é aplicada como critério decisivo? E que vontade de igualdade anima quem entende que é uma injustiça ter perdido os privilégios que o tornavam superior e lhe garantiam um lugar hierárquico seguro, visando por isso como restabelecimento da justiça a restauração da — real ou fantasiada — boa e velha divisão entre superiores e inferiores?

É desanimador ter de explicar ainda que nem a revolta nem a denúncia da injustiça são critérios políticos suficientes e que a revolta e a denúncia da injustiça podem manifestar-se produzir-se em termos antidemocráticos extremos,  sendo que saudá-los como bons sinais, por traduzirem uma vontade de mudança, é pouco mais ou menos como saudar a peste como sinal de vida. Ou, por outras palavras, se a revolta causada pelas frustrações e opressões das relações de poder dominantes não se traduzir em vontade de democracia e de igualdade, mas reclamar simplesmente superiores mais legítimos e fortes do que os do momento, poderá servir quando muito para reciclar a dominação hierárquica, legitimando-a — em nome dos bons governantes necessários — no seu princípio e tendendo, pior ainda, a desembaraçar o poder hierárquico das garantias e liberdades que, através de lutas seculares, puderam, de uma maneira ou de outra, ser instauradas como meios de limitar a sua acção.

A sociologia do trumpismo

Andam algumas pessoas indignadas pelos artigos e notícias que dizem que Trump ganhou com o votos dos eleitores brancos com poucas qualificações (o que é verdade, embora não seja a história toda).

Mas vamos lá ver: há anos que sectores próximos de Trump, como o Unz Review (ou o American Conservative, que não sendo exatamente a favor da pessoa de Trump, alinha no geral por ideias similares às dele) se fartam de publicar artigos a falar na "white working class" (muitas vezes com "male" associado), e na alegada aliança das "elites" com as minorias e com o feminismo contra a "white working class". Não me parece que depois se possa levar a mal quando finalmente a imprensa mainstream lhes dá razão, e reconhece que a "white working class" (conceito que no vocabulário dessa área tem mais a ver com não ter formação universitária do que propriamente com ser aquilo que em Portugal chamariamos de "operário" ou "trabalhador), e sobretudo os homens, contribuiu para a vitória de Trump.

12/11/16

So Long


O caso Ricardo Hausman

Um economista, a respeito de um país em profunda crise social e económica, escreve um artigo defendendo a reestruturação da dívida pública (dizendo que os credores também têm que partilhar os sacrifícios que estão a ser impostos ao povo); em reação o governo lança-lhe uma perseguição judicial, acusando-o de estar a conspirar para impedir o país de ter acesso aos mercados internacionais de capitais.

Aonde? Venezuela.

Já agora, um artigo que li há tempos sobre as paradoxais posições políticas a respeito da reestruturação da dívida venezuelana.

11/11/16

Da confusão entre a esperança e o pesadelo

Não me apetece escrever sobre a vitória de Trump. Tão pouco me apeteceria escrever sobre a vitória de Clinton. Imagino as loas que se teceriam, caso a primeira mulher tivesse vencido uma eleição presidencial americana.
No entanto causa-me alguma perplexidade o texto que o Pedro Viana aqui divulga da autoria de Richard Heinberg.  Acho o texto de Richard Heinberg uma elaboração tipica de um adiantado mental. Muitas vezes a roçar a mais implacável imbecilidade politica.
Os pesos que ele coloca nos dois pratos da balança, com que, supostamente, avalia a situação, mostram-no em toda a sua crueza. Num dos pratos coloca parte dos aspectos potencialmente sinistros da futura  presidência de Trump - questão ambiental, com a anulação do acordo de Paris, a apologia das teorias negacionistas da ameaça climática, abertura de alguns dos famosos parques naturais ao investimento no imobiliário, disponibilização de todas as terras para a construção e para o atravessamento por infraestruturas destinadas à sobreexploração dos recursos naturais, nomeadamente os fósseis, desinvestimento nas energias renováveis, etc.
Estranhamente Heinberg esquece o anúncio da implosão do sistema de saúde que Obama, apesar da oposição dos republicanos, estava a implementar. Estamos a falar directamente de 30 milhões de pessoas, que pela primeira vez tiveram acesso a cuidados de saúde públicos. Ignora igualmente as anunciadas politicas xenófobas e contra a imigração ou a clara diabolização dos muçulmanos.
Mas, pronto, o homem valoriza muito o fim dessa ameaça que a terrível Clinton simbolizava: a próxima guerra contra a Rússia. Ufa, do que nos livrámos. Ainda assim Trump deve ir agora reforçar as relações com Putin e talvez tomar chá com o líder do  Irão, para falarem de viva voz sobre o programa nuclear iraniano. Ou introduzir no conflito do médio oriente uma posição equilibrada, que não ceda aos falcões israelitas. Nada disso ocorreu ao apóstolo Heinberg.
Notável é que, colocado perante esta balança por ele próprio idealizada, o homem lhe vire costas e se prepare para enfrentar o futuro carregado de optimismo.
Devemos ter como ele uma atitude de grande esperança no futuro? Afinal Trump é, diz ele, o fim do neoliberalismo do partido democrata. Será?  Reagan, afinal, foi um democrata e Carter um Republicano. Isto estava tudo trocado, ainda bem que Heinberg, falou. Com este presidente, com esta maioria no Congresso, com o aparelho politico nas mãos do Partido Republicano,  quem pode ter menos do que muita esperança?
Vamos ver se Trump resiste à pressão dos neocons - seus adversários, é verdade - para implodir o incipiente sistema social americano, para instalar as ideias de Adam Smith em todo o seu esplendor. Vamos a ver se Nozick não ressuscita das trevas em que estes anos de Obama o confinaram, apesar das incapacidades várias da liderança do primeiro afro-americano a presidir à América. Vamos ver como o corte de impostos sobre as empresas vai, outra vez, fazer disparar o défice, como aconteceu com Bush.
Claro que Clinton era uma péssima candidata, por todas as razões já evidenciadas mas que Robert Parry, citado por Heinberg [nem tudo é mau] descreve com rigor. Era necessário um candidato que fosse capaz de representar um corte com o establishment, capaz de renovar as esquerdas e colocar o combate à desigualdade no centro da politica. Isso não tem nada a ver com Trump, nem com os horrores que aí espreitam. Não tem nada a ver com uma expectativa de um futuro progressista. Antes pelo contrário. A extrema direita xenófoba europeia recebe um forte apoio do lado de lá do Atlântico.  Não se trata, como muito bem refere o Miguel, no seu comentário ao post do Pedro Viana, de aplaudir o fim da democracia representativa, porque não é de todo isso que aconteceu. Trump ganhou e ganhou com uma votação disputada taco a taco. Numa América na qual os movimentos sociais -por força da fragilidade do estado Social - são fortíssimos, os mais fortes a nível global. Numa América que é provavelmente o país em que a parte do poder detido pela democracia participativa é maior à escala global. Mas numa América na qual, como denunciava Chomsky no seu último livro, a falta de estruturas partidárias ou sindicais activas em termos nacionais, permite a atomização desses movimentos e o seu sistemático isolamento e contenção.

10/11/16

Um olhar sobre o que realmente importa

Uma análise concisa e que toca em todos os pontos relevantes.

"A América mergulhou no desconhecido. (...) O que é importante agora é avaliar a situação e decidir como seguir em frente.

No lado bom: sob a presidência de Trump, provavelmente não haverá guerra com a Rússia, como bem poderia ter ocorrido se Clinton tivesse prevalecido. O TPP está esperemos morto, e os EUA deverão inclinar-se para pelo menos algumas políticas de comércio pós-globalização. O domínio neoliberal do Partido Democrata sofreu um golpe doloroso e talvez fatal. Milhões de americanos que se sentiram ignorados pelas elites de Washington e Wall Street agora sentem que têm uma voz. Mesmo que provavelmente as relações externas e política comercial fiquem nas mãos de apparatchiks republicanos pró-negócios que, em última instância, deixarão os trabalhadores afogarem-se sem qualquer remorso, o americano típico poderá tranquilizar-se com o facto do "seu homem" estar no comando. Talvez as coisas podessem ser piores; afinal, como o meu amigo Ugo Bardi salientou, a Itália sobreviveu a 20 anos de Berlusconi.

No lado mau: não haverá mais apoio federal para a ação ou pesquisa climática, para proteção ambiental (a EPA será desmantelada) ou para energia alternativa. Todas as terras federais serão abertas à exploração de petróleo, gás e carvão. (...). Com o Poder Executivo, o Congresso e o Supremo Tribunal dominados pelo mesmo partido, não haverá limites aos esforços para retirar fundos a agências governamentais ou derrubar regulamentações de todos os tipos (armas, bancos, segurança no local de trabalho). Tendo testemunhado o sucesso do Trumpismo, uma nova geração de políticos adotará a tática de demonizar completamente os seus oponentes. É difícil ver como a civilidade poderá retornar em breve. Estes serão tempos terríveis para mulheres e minorias.

Os pundits consideram, com razão, a eleição como um repúdio do establishment. Mas quem vai realmente governar nos próximos meses? Principalmente, os mesmos antigos lobistas-oficiais. Quando a próxima crise económica surgir, todo o país enfrentará um rude despertar, e meros discursos duros não farão muito para realmente colocar comida nas mesas de Iowans ou Missourians ansiosos. Em vez de admitir que ele não pode realmente fazer a América grande novamente, Trump irá alinhar os bodes expiatórios. E ao invés de admitir que o "seu homem" é incompetente ou errado, muitos dos adeptos de Trump irão levantar o equivalente moderno da forquilha (para o qual verificações de fundo não serão mais necessárias).

As crises não desaparecerão porque o governo se recusa a reconhecê-las ou a resolvê-las. Mudanças climáticas, esgotamento de recursos e excesso de confiança no endividamento são lobos à porta. (...) Por ora, a ação política nacional sobre o clima e outras questões ambientais é uma porta fechada. Mas as respostas mais promissoras às crises do século XXI estão a aparecer, de qualquer modo, ao nível da comunidade. É em cidades de todo o país, e por todo o mundo, onde as pessoas com sentido prático são forçadas a lidar com o tempo estranho, inundações, uma economia instável, e um tecido social e político nacional desgastado. Quaisquer que sejam as estratégias viáveis ​​que possam ser encontradas, estas surgirão lá.(...)Isto não é sobre vencer; não há linha de chegada, nenhum dia de eleição. Apenas uma nova oportunidade a cada manhã para incentivar, educar e construir."

Richard Heinberg

09/11/16

07/11/16

Uma startup que Costa muito apoiaria

Na Web Summit são esperados todos os sucessos e todas as inovações que a tecnologia promete e possibilita. Mas ninguém se terá lembrado de criar uma aplicação para  "Administradores de Caixas Gerais de Depósitos"que tornasse automática a prestação de contas ao TC, logo após a nomeação para o cargo. António Costa agradeceria.

Referendos nos EUA

Nestas eleições, os eleitores norte-americanos não vão apenas escolher entre imperialismo e xenofobia. Como de costume, montes de assuntos irão ser decididos em referendos.

Alguns que me parecem dignos da atenção:
Dessas, as sondagens apontam que Arizona 206, California 64, Colorado 70, Massasusets 3, Massachusets 4, Maine 1, Maine 4, Maine 5, Washington 732 e Washington 1433 serão provavelmente aprovadas e Colorado 69 rejeitada.

06/11/16

Aceitar os resultados das eleições norte-americanas?

Muita polémica tem sido feita, inclusive em Portugal, por Donald Trump não ter garantido que iria aceitar o resultado das eleições dos EUA.

Mas, por mais que me custe escrever estas palavrass, acho que Trump tem razão nesse ponto.

Veja-se as alegações que frequentemente surgem a seguir a eleições nos EUA (normalmente do lado que perdeu):

- Democratas a dizerem que eleitores negros terão sido massivamente eliminados dos cadernos eleitorais, a pretexto de terem sido confundidos com criminosos condenados

- Republicanos a dizerem que haverá gente a votar várias vezes, ou imigrantes a votar, e a exigirem maior controlo da identificação dos votantes

- Normalmente Democratas (mas ultimamente também Republicanos) a dizerem que as máquinas de voto eletrónico são manipuladas

[Uma coisa que me parece é que os Democratas - e ainda mais a quase inexistente esquerda - tendem a preocupar-se sobretudo com variantes da fraude eleitoral clássica, feita pelos organizadores da eleição, enquanto os Republicanos preocupam-se mais com fraudes feitas pelos próprios votantes]

Ou, seja, há suficientes alegações, de parte a parte, de irregularidades; agora conjugue-se isso com o sistema eleitoral norte-americano, em que basta ter mais um voto num estado para ter (com duas exceções insignificantes - Maine e Nebraska) todos os votos desse estado no colégio eleitoral. Não é díficil imaginar (sobretudo numa eleição renhida) uma situação em que haja alegações de irregularidades numa assembleia de voto, que os votos em causa sejam suficientes para decidir quem ganha nesse estado, e que os votos desse estado sejam decisivos para decidir o resultado final - ou seja, é perfeitamente possível que haja razões credíveis para se duvidar que o vencedor designado seja o verdadeiro vencedor.

Portanto que lógica teria, ainda antes das eleições, de se saber se houve ou não situações duvidosas, e de se saber se, a existirem, esses casos poderiam ter impacto no resultado final, um candidato dizer antecipadamente que aceitará como verdadeiro o resultado das eleições?

A menos que se considere que o verdadeiro objetivo da instituição "eleições" não é verdadeiramente escolher o candidato preferido pelo povo, mas simplesmente criar essa ilusão, para garantir que "a rua" não se sinta tentada a por em causa o poder estabelecido. Se se considerar que é fundamental para a vida em sociedade que as pessoas acreditem nos resultados eleitorais (sejam eles verdadeiros ou não), então, dentro dessas premissas, fará sentido achar-se que os candidatos devem entrar numa espécie de conspiração, comprometendo-se a dizer à plebe que concordam com o resultado das eleições (mesmo que pessoalmente não concordem).

01/11/16

Também os chineses? A Didi, depois de passar a perna à Uber, enfrenta as autoridades chinesas.

Segundo o DN de hoje a Didi Chuxing, a versão chinesa da Uber, enfrenta um conjunto de medidas, decretadas hoje pelas autoridades chinesas, que incluem, pasme-se, a obrigatoriedade de a empresa pagar impostos, motoristas que tenham carta de condução há pelo menos três anos - não poderão ser três dias, vejam lá isso - e que não tenham o hábito de se emborracharem ou de andarem a acelerar e a provocar acidentes, entre outras bagatelas.
A Didi Chuxing que comprou a Uber - forçada a  retirar-se do mercado chinês depois de ceder a posição ao concorrente local - mobilizou financiamentos de importantes empresas internacionais, nomeadamente da Aplle, que apoiou com mil milhões de dólares a compra da Uber, para dominar o jogo. Claro que a empresa já reagiu à decisão das autoridades chinesas e declarou os enormes prejuízos que estas medidas irão provocar aos cidadãos chineses. O costume. A preocupação com os consumidores está no coração destas empresas.
Está a alastrar este tipo de intervenção dos governos promovendo a regulação destas actividades fortemente desreguladas.
Naturalmente há mercados muito mais importantes que outros. Bem recorda a Didi que mais de 90 milhões de chineses podem ter que deixar o conforto e a modernidade que ela lhes oferecia para se acolherem, forçados, nos braços, salvo seja, dos tradicionais, e old-fashion, taxistas do império do meio.