10/04/12
Os proibicionistas
Mas o que é feito dos anti-proibicinistas do BE (é um pouco absurdo, parece-me, ser a favor da legalização de algumas drogas, ao mesmo tempo que se vota a favor de ilegalizar as que eram legais)? E, já agora, das alas "liberais" que parece que há no PSD e no CDS?
A evolução segura na continuidade da luta socratista do PS contra a social-democracia
Claro que saber se a metodologia social-democrata é suficiente e verosímil como via de uma democratização efectiva que garanta que sejam os cidadãos a governar, e só por si próprios sejam efectivamente governados, é outra questão (para algumas considerações preliminares sobre o assunto, remeto aqui para um meu post de há meses sobre a democratização como plataforma necessária e suficiente). Mas, seja como for, aqui fica na íntegra, porque vale a pena, a crónica do Viriato.
Na semana em que o Parlamento vai discutir o Pacto Orçamental, a entrevista de Vital Moreira (VM) ao diário i no sábado é de uma enorme utilidade. Destaco apenas dois aspetos. Depois de confessar que é "amigo" de José Sócrates, e instado a comentar as atuais dificuldades do PS, o eurodeputado que comandou as hostes socialistas às eleições europeias sai-se com uma observação onde mistura superficialidade e arrogância: "Eu encaro tudo isto sem paixão. Tenho idade para saber que estes processos são absolutamente naturais." De facto, a paixão de VM deve ter-se afogado toda no Mondego, nesses anos distantes de fogoso bolchevismo constitucional. Dali já não se espera o fervor turbulento que costuma acompanhar as juvenis éticas da convicção. A VM aplica-se mais a advertência de Max Weber para as extremadas e serôdias éticas da responsabilidade, em que a quebra de paixão é uma mera desculpa para a falta de alma e o abandono de princípios. Depois, sobre a crise europeia, afirma o académico socialista: "Penso que, embora com hesitações e atrasos, a União respondeu bem à crise, e, no caso de Portugal, penso que estamos no bom caminho." É impossível não sentir uma mistura de simpatia e pena por A. J. Seguro. Por duas razões. Primeiro, tem um chefe de bancada no Parlamento Europeu que repete - com um absoluto vazio de pensamento próprio sobre uma crise europeia que manifestamente não compreende - os comunicados de Vítor Gaspar sobre como o País se vai redimir empobrecendo. Segundo, a entrevista de VM é um sintoma claro de que Seguro jamais será o líder da oposição que o País precisaria, enquanto caminhar no campo minado pelo "socratismo" em que o PS se transformou.
09/04/12
Que referendo exigir para a Europa?
Sobre o Novo Acordo Europeu
Assim, é precisamente por pensar que JM Correia Pinto acerta quando escreve:
"É cada vez mais generalizada a convicção de que o pior está para vir. Não apenas na Grécia, em Portugal, na Itália e na Espanha, mas em toda a Europa, nomeadamente em França e, por último, na Alemanha. Do outro lado do Atlântico há a convicção de que Portugal vai cair e que a relativa acalmia dos mercados depois das massivas injecções de capital do BCE é um efeito de curto prazo. Quando a crise do euro voltar a agudizar-se – e isso acontecerá em breve – a Itália e a Espanha cairão na mesma situação que Portugal.
E neste contexto ninguém se salvará: nem a Alemanha!"
que quem está com ele concorda aqui, terá de discordar das posições insolitamente soberanistas que ele, como alguns dos Ladrões de Bicicletas, defende noutros textos recentemente publicados na sua Politeia. Com efeito, opor ao quadro descrito, e que é tão anti-europeísta como antidemocrático, a solução de uma saída unilateral da UE e da zona-euro faz tão pouco sentido e é tão insuficiente como a tese que sustentasse um adversário da utilização industrial da indústria nuclear, defendendo que o seu concelho de residência deveria declarar unilateralmente a independência no caso de o governo do seu país assumir essa opção.
07/04/12
06/04/12
As crianças dão bons iscos
05/04/12
Por uma política democrática contra a polícia da economia
Não é seria fácil dizer mais chãmente que o poder político efectivo é hoje exercido pela oligarquia que dirige a esfera económica e os seus aparelhos burocráticos de Estado. De resto, esta situação de facto, que permite a Draghi marcar as agendas governamentais e as tarefas da governação encontra-se já em vias já de constitucionalização, através da inscrição em curso nos textos fundamentais de cláusulas que consagram formalmente a soberania da economia acima da vontade popular, como quer que esta seja definida, e deixando nós aqui de parte o facto de essa definição ser, ela própria, uma questão política maior, que o novo curso do capitalismo torna assim mais fácil escamotear e furtar à deliberação dos interessados.
Com efeito, é no mesmo momento em que a expansão da área da economia se afirma cada vez mais como, de direito, ilimitada (tudo deve poder ser posto a render, tudo deve poder ser objecto de transacção e apropriação monetária), que vemos expandir-se também o projecto de redução da política ao político, ou, se se quiser, da política à polícia, como garantia superior da governabilidade. À política — e por maioria de razão nos casos em que as suas decisões passem pela consulta da vontade popular, ainda que indirectamente e a título sobretudo preventivo da ameaça que seria a instauração de processos de participação democrática efectiva dos cidadãos comuns nas decisões que os governam — fica reduzida a uma intendência ancilar da organização económica estabelecida, e, para além disso, poderá quando muito ocupar-se — ouvindo mais ou menos consultivamente os cidadãos para esse efeito — das margens residuais e de fronteira ainda não colonizadas pela economia.
Assim, num primeiro - e sempre actual, sempre reiterado - momento do processo, furta-se a economia à esfera da deliberação e da decisão políticas explícitas. O passo seguinte é a subordinação a essa economia despolitizada da esfera política explícita ou "oficial" transferindo para a primeira o exercício do governo.
Mas se a política — enquanto distinta do político ou da polícia — é a actividade instituinte da deliberação e da decisão explícitas das leis e medidas pelas quais uma sociedade se governa, e se a democracia é a universalização da participação igualitária na autonomia dessa actividade instituinte de deliberação e de decisão governantes, então, a democratização da economia, a sua repolitização explícita e a reivindicação da cidadania económica governante, é a condição necessária e o ponto de partida fundamental da defesa e extensão do que ainda persiste ou insiste em ressurgir, embora sob a pressão crescente de uma ameaça mortal, da ideia de democracia.
Dança Macabra
04/04/12
Mais um Herói do Mar
In memoriam memoriae
respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse
03/04/12
Uma campanha "alvarinha" da Conferência Episcopal Espanhola
A Conferência Episcopal Espanhola tem uma nova campanha para captar seminaristas, promovendo o sacerdócio como um "trabalho fixo" que não promete "um bom ordenado" mas garante "riqueza eterna". O vídeo já foi visto por mais de 160 mil pessoas.
"Somos a única classe social que não tem desemprego. No ministério sacerdotal não há desemprego, temos muito trabalho e a paga está no Evangelho e depois na vida eterna", disse o bispo Juan José Asenjo ao jornal espanhol ABC.
No vídeo intitulado "Prometo-te uma vida apaixonante", o narrador começa por perguntar: "Quantas promessas te fizeram que nunca se cumpriram?". Depois surgem vários padres (apesar de tal só ser visível na parte final) com as suas próprias promessas. "Não te prometo um bom salário, prometo um trabalho fixo", diz um deles. "Não te prometo uma decisão fácil, prometo que nunca te arrependerás", diz outro.
A verdade é que, após nove anos em queda, o número de seminaristas aumentou em Espanha, chegando aos 1278. Aqueles que escolhem estudar num seminário têm direito a alojamento, comida, formação e estabilidade durante os seis anos do curso e depois um salário seguro. Em Espanha, o desemprego atinge mais de cinco milhões de pessoas.
O vídeo foi lançado por ocasião do Dia do Seminário, em meados de março. "Queriamos chegar às redes sociais, aos adolescentes e jovens que não vão à igreja e não leem os cartazes sobre os seminários", disse à BBC Mundo o presidente da Comissão Episcopal de Seminários e Universidades, Josep Ángel Sáiz.
Areia para os olhos
A natalidade no mundo islâmico
This story starts with a myth. It is the myth that the Muslim world is uniformly dedicated to making many (too many) babies, and that this has gone on for centuries.
This mythology also has its very own Bible: “Factors Affecting Muslim Natality,” by Dudley Kirk, an American professor of Population Studies. Published in 1965, this study embodied, scientifically speaking, the notion of a demography unique to Muslim countries that won’t transition to a family model with two children, as it did in the Western world. (...)
However, today Kirk’s point of view has been spectacularly disproved by science. In recent decades, the Muslim world has experienced a demographic transition that was as acute as it was late: in 30 years, the number of children per woman has dropped by more than 50%. In Iran, the drop represents 75%; in North Africa it is 70%. Once you realize that it took Europe two centuries to go from 5 to 2 children per woman, you can appreciate the severity of this collapse in birth rates.
02/04/12
O "caso Stella Antoniou"
Mais alguma informação sobre o assunto:
- Text by Stella Antoniou, arrested on 04.12.2010 (traduzido por Act for Freedom now)
- April 6th, 2012 – Day of actions in solidarity with anarchist Stella Antoniou (Indymedia UK)
01/04/12
Especialistas em Portugueses
o meu artigo no i da última quinta-feira
Há um tipo de pessoa que tem vindo a ganhar protagonismo no espaço mediático. É o especialista em portugueses. O especialista em portugueses tanto pode ser especialista em portugueses na variante corpo como na variante alma. O primeiro é generoso na hora de avolumar estatística e mais estatística sobre o chamado comportamento dos portugueses, lançando-se na grande aventura dos dados, dos números e das contas que lhe permitirão produzir largas séries que registam, por exemplo, a poupança e o consumo dos portugueses. O segundo, o especialista em portugueses na variante alma, dedica-se a trabalho mais minucioso, tricotando conceitos, ideias e teses, quando não parábolas, que lhe permitirão aceder de modo singular e único – assim julga… – ao famigerado enigma português.
O compromisso histórico da ditadura castrista com a hierarquia eclesiástica romana
Não é necessário subscreverem-se todos os juízos e perspectivas de Rafael Rojas para comprovarmos, a favor desta visita do chefe de Estado do Vaticano a Cuba, não só a existência como o aprofundamento e o reforço que ele assinala de uma inquietante "cumplicidade entre o castrismo e a Igreja". Aqui ficam alguns excertos e a recomendação da leitura integral do artigo de Rojas, à laia de elementos para uma reflexão cuja relevância política será difícil negar.
¿Qué tipo de ciudadanía acabará constituyéndose en ese país caribeño, si se normaliza la hegemonía doble del Partido Comunista sobre la sociedad política y de la Iglesia Católica sobre la sociedad civil?
(…)
Existe la equivocada percepción de que Cuba ha sido y es una nación católica, como España o México, Irlanda o Polonia. El proyecto católico de nación nunca predominó en Cuba por muchas razones que podrían resumirse con la idea del antropólogo cubano, Fernando Ortiz, de que allí la nacionalidad se formó tardíamente, entre mediados del siglo XIX y principios del XX, por medio de un proceso de transculturación que incluyó, por supuesto, diversos cultos religiosos. La religión católica fue la más practicada por los cubanos hasta 1958, pero la Iglesia no era la institución hegemónica de la sociedad civil de la isla antes del triunfo de la Revolución.
Hoy los católicos no son mayoría demográfica en Cuba y, sin embargo, la Iglesia es tratada por el gobierno de Raúl Castro como si su feligresía acumulara las bases no representadas por el Partido Comunista. Este último ha concedido al clero católico derechos de asociación y expresión que, por ser negados a la ciudadanía, se convierten en privilegios, que le permiten crecer en condiciones excepcionales.
(…)
Habría entonces que empezar por admitir que el crecimiento del catolicismo cubano en las dos últimas décadas no ha sido meramente “natural” o “espontáneo”, sino que ha respondido a la coyuntura histórica del colapso ideológico del marxismo-leninismo en los 90 y a los privilegios concedidos a la Iglesia a partir de esa década. Todavía en los años previos y posteriores a la visita de Juan Pablo II a la isla podía hablarse de la recuperación de una fe reprimida o amordazada. Hoy habría que hablar ya de una fe ideológicamente sostenida por dos instituciones autoritarias, que encuentran un punto de entendimiento en el discurso y la práctica del nacionalismo excluyente.
El sentido excluyente de ambos nacionalismos comienza con la representación de toda la comunidad cubana como comunista o católica. Un editorial de Granma de mediados de marzo hablaba de la “Nación cubana”, no de la Revolución o el Socialismo, y presentaba a esta al Papa Benedicto XVI, casi, como un pueblo católico. El embajador de la isla ante la Santa Sede fue más allá y declaró que la “Revolución Cubana y la Iglesia Católica hablaban el mismo idioma porque perseguían lo mismo”. La homologación de discursos entre ambas instituciones fue tan clara en los medios oficiales que el Papa se vio obligado a declarar, antes de su viaje a México, que la “ideología marxista ya no responde a la realidad”.
Si lo que el Papa quiso decir era que la ideología oficial cubana no responde a la realidad de la isla, tal vez debió referirse a la ideología “marxista-leninista” o “estalinista” o, incluso, “comunista”. La teoría social e histórica del capitalismo moderno de Marx es, por el contrario, una de las ideologías que más contactos establece con la realidad global del siglo XXI. Lo curioso es que el gobierno tolere el anticomunismo de la Iglesia Católica, mientras subvalora, margina o silencia los marxismos críticos que se posicionan frente a la ausencia de democracia o al avance del capitalismo en Cuba.
La elección oficial del catolicismo como alternativa leal posee, además, el inconveniente de facilitar el arraigo de ideas conservadoras sobre la nueva comunidad multicultural que intenta articularse en la isla a principios del siglo XXI. La visión de la Iglesia sobre las alteridades sexuales, raciales y genéricas, sobre los cultos afrocubanos, el aborto y el matrimonio gay, es tradicionalista, por no decir reaccionaria. El gobierno cubano, que históricamente ha demostrado ser también conservador en esas materias, hace acompañar su cautelosa apertura económica de una reevangelización católica que se propone crear una mayoría moral, “obediente en la fe” y “buscadora de la verdad”.
(…)
El catolicismo, como sostuviera el malogrado profesor de la Universidad de Cambridge, Emile Perreau-Saussine, en su póstumo estudio Catholicism and Democracy (2012), no es incompatible con la democracia. Pero sus mayores contribuciones a esta se han verificado cuando ha sabido renunciar a sus linajes antiliberales y anticomunistas y se ha secularizado por la vía del diálogo ecuménico y la convivencia con otras religiones, cultos e ideologías. Los católicos cubanos deberían ganar conciencia en que el crecimiento de su fe en Cuba sólo podrá consolidarse plenamente bajo un clima de tolerancia religiosa, diversidad ideológica y libertades públicas para todos.
La visita del Papa Benedicto XVI a Cuba ha sido beneficiosa para la democratización, toda vez que el pueblo de la isla entró en contacto con un líder mundial que trasmite ideas y valores diferentes a los del Estado cubano. Lo que no favorece la democratización de Cuba es que el proyecto de nación del catolicismo se presente como extensión o complemento del proyecto oficial. Lo que, definitivamente, no contribuye al creciente pluralismo ideológico de la isla es que la Iglesia Católica comparta con el Partido Comunista la hegemonía sobre la esfera pública cubana, aceptando la limitación de derechos de las demás asociaciones civiles y políticas del país.
Mais outra sondagem grega
Nova Democracia...........22,5%
PASOK.........................15,5%
SYRIZA........................12,5%
KKE.............................12%
Esquerda Democrática...12%
Gregos Independentes.....8,5%
Chrysi Avgi.....................5%
Verdes............................3%
A sondagem (em grego) está aqui [pdf].
31/03/12
Quem era realmente Mohamed Merah?
Media reports point to close relationship with French security service despite official denial.
The head of the French internal security service has denied suggestions that authorities "missed" the Toulouse gunman because he was a police informer. Bernard Squarcini took the unusual step of intervening personally to quash speculation that Mohamed Merah was an indic or "snout" for one of his own agents in Toulouse.
Paradoxically, however, the allegations, including stories in the Italian and French regional press, began with a remark by Mr Squarcini himself. The speculation has since been amplified following comments by a retired head of one of the two French security services merged under Mr Squarcini's control four years ago.
Last Friday, the day after Merah, 23, was shot while resisting arrest, Mr Squarcini told Le Monde that the killer had asked, during his 32-hour siege, to speak to a Toulouse-based officer in his agency, the Direction Centrale du Renseignement Intérieur (DCRI). It was this agent – understood to be a young woman of North African origin – who had interrogated Merah when he returned from a two-month visit to Pakistan in November last year.
The DCRI chief told Le Monde newspaper that Merah shocked the agent by saying: "Actually, I was meaning [before the siege] to call to say I had some tip-offs for you. But, actually, I was going to bump you off." In French, he used the word fumer, which means "to smoke" but in slang translates to "murder" or "waste". He also used tu, the familiar word for "you".
In other words, Merah appeared to have a friendly relationship with the agent and intended to lure her into an ambush by pretending to have information about radical Islamist activities in Toulouse.(...)
In an interview this week with the Toulouse paper La Dépêche du Midi, a former security chief, Yves Bonnet, said it was "striking" that Merah seemed to have a DCRI "handler". "Having a handler, that is not an innocent thing," he said. "I don't know how far his relationship, or collaboration, with the service went but it is a question worth raising.
28/03/12
Castoriadis sobre as condições e tarefas de uma alternativa ao capitalismo burocrático mundializado
A entrevista, sob o título "Cornelius el griego", foi conduzida por Rolando Graña, e publicada no jornal Página 12, de Buenos Aires, a 5 de Setembro de 1993.
Cornelius Castoriadis. —Marx se equivocó en sus vaticinios sobre la economía capitalista. El quiso ser el Newton de la economía capitalista: establecer leyes inmutables. Pero fue des¬mentido por la realidad. El problema es entender por qué y en qué se equivocó. Mi opinión es que había un error de origen que consistía en creer que el capitalismo engendraría cada vez más miseria. No hubo tal pauperización, paradójicamente, por¬que los obreros resistieron, lucharon y pudieron arrancar mejoras casi equivalentes al aumento del nivel de productividad. Por el contrario, entonces, el nivel de vida aumentó considerabl¬mente. Es curioso, pero Marx, que había dicho que la Historia era la historia de la lucha de clases, cuando llegó al análisis del capitalismo moderno olvidó la resistencia de los obreros, o sea, la acción de los seres humanos. Detrás de todo esto hay una especie de determinismo objetivista: la historia de la humani¬dad está regida por la historia de las fuerzas productivas y no le queda ningún lugar a la creación humana, los hombres no importan.
Rolando Graña.—Algo que en Lenin se volvió autoritarismo.
C.C.— Pero ya en Marx había algo que en manos de Lenin se volvió un arma criminal: la idea de la ortodoxia. Una teoría es verdadera, las otras falsas: "Nosotros los marxistas poseemos la única concepción verdadera y esta única concepción corresponde a los intereses de clase del proletariado y por ende no¬sotros y sólo nosotros somos los representantes del proletariado. Los otros son enemigos de la clase obrera y por ende hay derecho a fusilarlos". Marx no fusiló a nadie pero Lenin sí.
R.G.— Usted suele decir que este tiempo se caracteriza por el triunfo del imaginario capitalista. ¿Cuáles son sus características y sus consecuencias?
C.C.— Asistimos a la dominación integral del imaginario ca¬pitalista, que consiste en la centralidad de lo económico, la expansión indefinida y pretendidamente racional de la produc¬ción, del consumo y del ocio, que cada vez es más planificado y manipulado. Los rasgos del imaginario capitalista son bastante difíciles de precisar y tanto Marx como Weber vislumbraron algunos de ellos pero ni uno ni el otro (precisamente porque ambos eran racionalistas) pudieron calificarlo de "imaginario capitalista''. Marx hablaba de la expansión de las fuerzas productivas. Hay una frase muy bella en El Capital: "Acumular, acumular, esa es la ley y el profeta". Pero como Marx no tuvo en cuenta el deseo de los hombres no vio que había una segunda parte para su proverbio. Que no era solamente "acumular, acumular", sino también "consumir, consumir". La ley es "acumular", pero el profeta se llama ''consumir". Y esto ni él ni Weber lo vieron. El tercer imperativo del capitalismo es "racionalizar, racionalizar": la producción, la educación, todo. Y hay un cuarto imperativo que es ''dominar, dominar": todo puede ser dominado, la naturaleza, la sociedad, hasta la muerte.
26/03/12
Vergonhoso
25/03/12
Cuidado com o que escrevem no Facebook (II)
When Justin Bassett interviewed for a job, he was stunned when the interviewer asked for something more than his experience and references: his Facebook username and password.
The New York statistician had finished answering a few character questions when the interviewer turned to peruse his Facebook page. Because she couldn't see his private profile, she asked him for his login information.
Bassett refused and withdrew his application. But other job candidates are confronting the same question, and some can't afford to say "no."
"It's akin to requiring someone's house keys," said Orin Kerr, a George Washington University law professor who calls it "an egregious privacy violation."
Companies that don't ask for passwords to vet applicants have taken other steps — such as asking applicants to "friend" human-resource managers.
24/03/12
Aprendiz de Salazar
Podia ter sido proferido por António de Oliveira Salazar. Mas quem o disse foi um seu aprendiz, Miguel Macedo, ministro da Administração Interna. Também aproveitou o momento para elogiar o comportamento da CGTP, incluindo a sua intolerância perante movimentos que não controla:
"Aquilo que aconteceu no Chiado não tem nada a ver com a manifestação da CGTP, que decorreu tranquilamente, com sentido cívico e de tranquilidade. Quero sublinhar também que em frente à Assembleia da República há imagens em que elementos da CGTP não permitiram que fosse confundida a sua manifestação com aqueles elementos que provocaram a situação no Chiado.”
Quando é que a CGTP se cansará de tantos elogios daqueles que pretensamente combate?...
O resultado imprevisto do Acordo Ortográfico
Mas, atendendo à carrada de comentadores que terminam as suas crónicas dizendo "Fulano escreve de acordo com a antiga ortografia", e aos correctores ortográficos que agora vêm em duas versões (pré- e pós-AO), parece-me que o resultado prático acabou por ser que, agora, o "Português de Portugal" tem duas normas ortográficas socialmente válidas (note-se que não digo legalmente válidas), e cada um pode escolher qual quer seguir sem se considerar que está a escrever "mal" - no fundo, entramos numa situação parecida com a da Galiza, em que há duas normas concorrentes sobre qual a forma "correcta" de escrever galego.
Ou seja, contrariamente aos objectivos do acordo, não se uniformizou nada (muito pelo contrário); por outro, inversamente ao que diziam alguns críticos, não há nenhuma estatização da língua: muito pelo contrário - neste momento, na prática, há muito mais liberdade para escrever de forma diferente da ortografia "estatal".
23/03/12
Um desprezo histórico democraticamente desprezível
O mais curioso é que todo este alarido vem a propósito de um certeiro texto de Carlos Guedes, cuja importância a Joana Lopes já assinalou na rubrica "Leituras" do seu Brumas, do qual se podem - devem - reter as seguintes palavras: É histórico o desprezo com que a CGTP trata os movimentos sociais que vão surgindo e não há, infelizmente, nada de novo aqui — ou seja, nas equívocas e ventríloquas declarações de repúdio por "actos de vandalismo" que Arménio Carlos houve por bem proferir — assim fazendo, como sublinha também Carlos Guedes, a «figurinha» de parecer estar a defender a brutalidade policial e a esquecer o que os seguranças da CGTP fizeram.
Conclusões imediatas:
1. o desprezo histórico com que a CGTP trata os movimentos sociais é politicamente desprezível e, como tal, só pode ser combatido sem reservas por qualquer democrata.
2. Igualmente desprezíveis são as considerações e as concepções orgânicas — tácticas, mas não só — que a levam a não combater e denunciar a infiltração nas fileiras dos seus apoiantes de ruidosos apologistas de métodos e ideias de inspiração caracterizadamente fascista, como é o caso do reincidente autor do post que aqui comecei por referir e de alguns daqueles que, na respectiva caixa de comentários, o aplaudem.
À espera do anúncio da regulação do direito de voto através do livre funcionamento do mercado livre
Ex. Sr. Primeiro-ministro Dum Dum Mata-baratas
22/03/12
Pouco importa a conta contanto que haja luz e o preço da electricidade é o menos
Os cadáveres ainda não arrefeceram a já a caganita histérica chamada Sarkozy os profana apelando à censura e à democracia do músculo
Mais uma sondagem grega
Nova Democracia ........ 22,5%
PASOK........................ 12,5%
KKE ................................12%
SYRIZA...........................12%
Esquerda Democrátia......11,5%
Gregos Independentes........11%
Chrysi Avgi.......................3,5%
LAOS.................................3%
A sondagem completa está aqui [pdf]; está em grego, claro, mas o quadro da página 19 é fácil de perceber (nem que seja pelos símbolos). Para uma descrição dos partidos gregos, é ver neste post sobre uma sondagem de há 15 dias atrás (dá também para ter uma ideia da evolução de cada um - parece-me que a direita pró-troika e a esquerda anti-troika estão a descer e a direita anti-troika subir).
Sobre a racionalidade democrática da greve
Porque é que se faz greve, perguntaram-me ontem várias vezes e bem.
Greve faz-se para mim, por uma simples razão: as massas perceberem que são elas que fazem o país funcionar. Quando paramos todos o País pára e essa é a ideia que alimenta a consciência de que na realidade somos nós que escolhemos o nosso caminho.
Não é a Troika, não é o Passos nem o Aníbal, ou o Relvas e o Seguro, somos nós. Se paramos mostramos aos que ainda não acreditam que é imaginária a corrente que nos prende à miséria e a uma vida sem dignidade. Se paramos hoje, amanhã mais vão dizer para consigo: "Mas porra se eu faço a diferença porque é que continuo vergado a isto?"
21/03/12
20/03/12
O "Observatório da Segurança"
“REAPRENDER A DEMOCRACIA” — Um Ciclo de Debates Organizado pela Plataforma Outra Democracia (PODe) e o Movimento Internacional Lusófono (MIL)
Os Debates realizar-se-ão na Sede do MIL (Rua Mouzinho da Silveira, 23, 2º - Lisboa), obedecendo ao modelo: alocuções iniciais dos oradores convidados (15 minutos cada, no máximo), seguindo-se debate com os presentes (1 hora). Os Debates serão igualmente gravados e colocados nas plataformas da PODe e do MIL.
PODe: Plataforma Outra Democracia
http://www.podept.blogspot.com/
MIL: Movimento Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.org
19/03/12
O extremismo dos moderados
(o meu artigo no i de quinta-feira passada)
Se a política é a arte do possível, quem determina o que é não é possível?
Em suma, deveríamos não ter medo de começar a falar de realidade no plural. Existe a realidade tal como a observam os moderados e a realidade tal como a entendem os não-moderados. Tentar descobrir qual é a mais verdadeira não só resulta num exercício de ilusionismo como escamoteia o essencial da democracia: a disputa entre convicções diversas, cada qual implicando uma verdade, cada verdade implicando o seu realismo.
18/03/12
Cuidado com o que escrevem no Facebook
Teen Charged Over Dead Soldiers Facebook Post (Sky News):
A teenager will appear in court after being arrested for allegedly making comments on Facebook about the deaths of six British soldiers in Afghanistan last week.Pelos vistos, Ahmed escreveu isto no Facebook:
Azhar Ahmed, 19, is said to have posted the comments on his profile page and has been charged with a racially aggravated public order offence.
O "caso Borges"
[Sugestão de tema para algum mestrando ou doutorando em Economia fazer uma tese - "Efeito das pessoas com 30 empregos na taxa de desemprego"]



