19/04/12
O Alto da Fontinha visto com lentes gregas...
A TMN e o lixo estão a chamar por nós
E mais outra sondagem grega
Nova Democracia..............22%
PASOK............................14,5%
SYRIZA............................13%
KKE.................................11,5%
Esquerda Democrática.......10%
Gregos Independentes.........9%
Chrysi Avgi.........................5%
LAOS.................................3,5%
Troika: 36,5%; esquerda anti-troika: 34,5%; direita anti-troika: 17,5%
18/04/12
CISPA
As tentativas de controlo sobre o que passa na Internet sucedem-se. Depois dos pacotes legislativos SOPA, PIPA e ACTA, cujo processo de aprovação foi para já congelado, aparece o CISPA:
"The Cyber Intelligence Sharing and Protection Act (CISPA) would allow companies doing business in the US to collect exact records of all of our online activities and hand them over to the US government, without ever notifying us that we are being watched. No warrant, no legal cause and no due process required. To make matters worse, the bill provides the government and corporations with blanket immunity to protect them from being sued for violation of privacy and other illegal actions."
A assinatura desta petição poderá ajudar a parar também o processo de aprovação do CISPA no Congresso dos EUA.
Outra sondagem grega
Nova Democracia....................22,3%.....110 deputados
PASOK..................................17,8%.......48 deputados
Gregos Independentes...............9,9%........26 deputados
SYRIZA...................................9,8%........26 deputados
KKE.........................................9,7%....... 26 deputados
Esquerda Democrática..............8,6%.........23 deputados
Chrysi Avgi...............................5,7%.........15 deputados
LAOS......................................3,9%..........10 deputados
Verdes......................................3,1%...........8 deputados
Aliança Democrática (liberal).....3%..............8 deputados
Troika: 43,1% (166 deputados); esquerda anti-troika: 31,2% (83 deputados); direita anti-troika: 19,5% (51 deputados)
[Via Phantis e Keep Talking Greece]
Segundo o Keep Talking Greece, os indecisos preferem os Gregos Independentes (dissidentes anti-troika da ND), a SYRIZA (o "Bloco de Esquerda" local) e a Esquerda Democrática (mais ou menos algo equivalente a uma "Politica XXI" que tivesse abandonado o BE); não percebi se os números apresentados já levam isso em consideração.
15/04/12
Miséria da Zoofilia
We are the 99%
Some Individuals of our Countrymen, by the Smiles of Providence or some other Means, are enabled to roll in their four–wheel'd Carriages, and can support the Expence of good Houses, rich Furniture, and Luxurious Living. But, is it equitable that 99, or rather 999 should suffer for the Extravagance or Grandeur of one? Especially when it is consider’d, that Men frequently owe their Wealth to the Impoverishment of their Neighbours.[Carta publicada no New York Gazette, em 1765]
Resposta ao João Rodrigues
O João Rodrigues ficou chateado com o meu artigo. Mas eu acho que ele não tem razão. Que fazer? Comecemos pelo essencial e deixemos o acessório para o fim. O João Rodrigues acha que exagero na crítica ao seu patriotismo. A mim parece claro que a política defendida pelo João Rodrigues assume um pendor cada vez mais patriótico e cada vez menos internacionalista. Por que entendo as coisas assim? Porque vejo o João a propor uma desglobalização, quando eu sempre pensei que o problema era a globalização mercantil e não simplesmente a globalização. Desmercantilizar a globalização, claro que sim, mas desglobalizar é uma palavra de ordem muito diferente. E é uma palavra que se arrisca a por tudo no mesmo saco, o movimento de mercadorias e o de pessoas, o livre-cambismo e o cosmopolitismo, a globalização neoliberal e o internacionalismo de classe. Infelizmente o internacionalismo do João Rodrigues é cada vez mais uma forma de mediação entre sentimentos nacionais e não uma forma de ler e agir no mundo transversal a esses sentimentos. Ao internacionalismo do João poderíamos chamar um internacionalismo nacionalista. É pelo menos neste sentido que leio a sua proposta para que em vez de internacional passemos a escrever inter-nacional, isto dito entre vivas aos hinos nacionais e à soberania nacional, que me parecem querer continuar em França, via Mélenchon, o ido projecto alegrista que animou o João e os seus colegas de blogue. (Embora deva dizer que a candidatura de Mélenchon é evidentemente bem mais interessante do que a de Alegre, o que ainda assim deveria evitar histerismos personalistas que não têm cabimento em qualquer projecto de esquerda que se preze, ao contrário do que parece querer demonstrar o Nuno Teles).
Há uma outra questão importante no post do João Rodrigues que gostaria de comentar. O título do post é “Nem nada”, em referência ao título do meu artigo “Nem Crise Mundial, nem Solução Patriótica”. É um título, o do João, que é feliz enquanto sound-byte e os títulos também são isso, por certo que o são. Mas enquanto programa de argumento, é mau. É mau, em primeiro lugar, porque revela uma concepção enfraquecida do que possa ser criticar. O João Rodrigues parece exigir que eu, para criticar, tenha uma alternativa concreta a oferecer. Temo que o João esteja a aplicar a mim o tipo de argumento que os Camilos Lourenços tantas vezes aplicam ao próprio João Rodrigues e que no fundo reza assim: “falam mal do capitalismo mas não têm alternativa”. Ora, o que o João parece presumir, tal como o Camilo Lourenço e afins pressupõem em relação ao João, é que criticar é simplesmente dizer mal. Presumem que a crítica não é em si mesmo construtiva. Eu não vejo a crítica como uma simples denúncia e por isso não creio que ela seja menos construtiva do que as alternativas concretas que o João vai propondo. Depois, há aqui um segundo problema, tão grande, se não maior, do que o primeiro. É que o João Rodrigues só pode presumir que eu não procuro alternativas concretas porque ele entende que isso só se faz do modo como ele o faz. E que modo é esse? Intervindo num partido enquanto dirigente ou no espaço publicado enquanto intelectual. Eu também já fui um pouco assim e se calhar ainda sou. Mas já não acredito em alternativas concretas pré-fabricadas e creio que isso é coisa que devemos dispensar liminarmente, pelo menos no quadro de uma política democrática, defina-se como revolucionária ou como reformista. Prefiro mil vezes ouvir o João Rodrigues em detrimento do Camilo Lourenço, mas não reduzo a questão das alternativas concretas ao modo como o João entende o que possam ser lutas contra-hegemónicas.
Não vejo o meu próprio papel como o de alguém que por escrever num jornal ou ser especialista nisto ou naquilo tem mais responsabilidade em propor alternativas concretas do que os outros cidadãos. Esse papel “responsável” é o que o João Rodrigues vem assumindo, no quadro de uma sua leitura do que será um projecto contra-hegemónico. Que leitura é esta? O João dá grande importância ao confronto entre o que ele considera serem os intelectuais. A sua maneira de ver a ascensão do neoliberalismo é a esse respeito muito clara. Ele concede muita importância ao pensamento de alguns autores que há décadas terão começado a construir um programa ideológico que hoje é finalmente aplicável (a narrativa do João para a ascensão do neoliberalismo é mais complexa do que isto, claro, mas sublinha muito – em demasia, diria eu – este ponto). Eu acho que a história do neoliberalismo, não dispensando essa dimensão intelectual da história do pensamento económico e político, e devendo ser uma história das ideias, deverá sê-lo dirigindo a problemática das ideias não apenas (ou primeiro) aos intelectuais como Hayek e demais. Deverá ser também uma história social das ideias. E em consequência (ou como causa) acho que um projecto contra-hegemónico não passa tanto por criar os futuros Hayeks de esquerda mas por agir e pensar a acção política e o pensamento político aquém e além da “responsabilidade” de dirigentes e "pensadores" (e por isso não tenho simpatia nenhuma pela estratégia educação popular de Mélenchon, que o Nuno Teles tanto aprecia, mesmo se também eu votaria em Mélenchon caso pudesse votar nas eleições francesas).
Finalmente, a questão menor, que, porém, parece ser a única que verdadeiramente empertigou o João Rodrigues. Acha o João que eu deveria ter nomeado individualmente os economistas que dirigem a edição portuguesa do “Le monde diplomatique” e não simplesmente ter referido o grupo de economistas do “Le monde diplomatique”. Tudo bem. Se o João entende que isso é importante para tornar o debate mais interessante, passarei a fazer como ele manda. Seja como for, não creio que esta questão seja motivo para tanto azedume. Depois, bom, depois diz o João Rodrigues que engano os leitores ao afirmar que há uma linha dominante dessa publicação que é determinada por esses economistas quando na verdade existirá uma pluralidade de pontos de vista de esquerda expressos no jornal em questão. Sim, é claro que há outros economistas a escrever no jornal em questão (por regra o jornal tenta ter uma pessoa do PS, uma do PCP e outra do BE, parece-me), mas creio também (de facto, não fui contar) que o João Rodrigues e o Nuno Teles são os autores mais regulares do jornal e que em grande medida (foi a expressão que utilizei no artigo) marcam a linha política da publicação. Não há é qualquer problema nisto, pelo menos para quem não faz parte do jornal. Devo até dizer ao João Rodrigues e ao Nuno Teles que um dos motivos porque continuo a pensar comprar o jornal é justamente o facto de saber que aí encontro publicada, muito provavelmente, a opinião destes meus bons amigos economistas. Com os quais tantas vezes discordo mas que sempre tento acompanhar de perto.
Manuel António Pina e a "sinização"
Vale, sem dúvida, a pema ler estas "Notícias da China na Europa" — a sua mais recente crónica sobre o assunto, no JN:
Um indivíduo não eleito, que ocupa um cargo administrativo nomeado não se sabe (mas imagina-se) por que critérios, impede um autarca eleito de, em representação dos cidadãos de uma determinada cidade, visitar uma instituição pública dessa cidade.
Adivinhe o leitor onde se passou o episódio, exemplar de respeito pela Democracia representativa: na Coreia do Norte (dando crédito à noção de Democracia de Bernardino Soares e admitindo que na Coreia do Norte haja eleitos)?, em Cuba?, no Irão?, no Portugal salazar-marcelista? Não: foi em Portugal, desde há 38 anos "um Estado de Direito democrático", onde "os actos do Estado e (...) outras entidades públicas dependem da sua conformidade com a Constituição".
O que se passou foi que o presidente da Câmara de Lisboa ia já a caminho da Maternidade Alfredo da Costa para a visitar quando recebeu um telefonema da direcção desta instituição informando-o de que o administrador regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo a proibira de receber o autarca, sob pena de processo disciplinar. Mais: segundo a RTP, todos os clínicos da Maternidade estão proibidos de falar com a comunicação social, isto num país cuja Constituição garante que "todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio (...) sem impedimentos nem discriminações".
Pelos vistos não foi só em matéria laboral que já chegamos à China.
Continuando com as sondagens gregas...
[Artigo no referido jornal; tradução do Google]
Troika: 37%; esquerda anti-troika: 35%; direita anti-troika: 17,5%
Neste momento, alguns leitores já se estarão a perguntar qual o porquê desta série de posts, com sondagens gregas quase dia sim, dia não; bem, parte da razão é que eu estou sem energia quase nenhuma para escrever posts que impliquem um esforço mental prolongado; assim, postar resultados de sondagens gregas é a maneira que arranjei de continuar a "produzir" algo para os leitores do Vias enquanto a inspiração não regressa...
13/04/12
Como diria o Quincas Borba "Ao vencedor, as batatas"
12/04/12
Ben Bella
- O regime autoritário que implantou
- A repressão contra a minoria berbere
Pontos positivos:
- O seu papel na solidariedade internacional com vários movimentos de libertação (incluindo portugueses)
- A sua tentativa de criar um socialismo autogestionário
- Creio que, apesar de tudo, era menos autoritário do que o regime seguinte
- A sua "segunda vida politica", depois de ser libertado, que não foi propriamente um caso de sucesso mas que foi, por regra, do "lado bom"
Nem Crise Mundial Nem Solução Patriótica
(o meu artigo no i desta quinta-feira)
Há um pequeno grupo de quatro ou cinco economistas de esquerda cujo trabalho é importante acompanharmos por estes dias de crise. A melhor forma de o fazermos é seguindo a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique, publicação que tem assumido uma linha política em grande medida determinada por aqueles economistas. Hoje em dia essa linha passa sobretudo pela defesa da seguinte ideia: uma saída pela esquerda da actual crise implica uma tomada de posição patriótica.
A hipótese desenvolve-se em cinco passos. 1) A globalização actual é uma máquina de produção de desigualdades nacionais à escala do mundo e de desigualdades sociais no interior de cada nação. 2) Deveremos por isso tomar distância em relação a essa máquina global, deixando o euro e adoptando uma moeda própria, com todas as possibilidades de política financeira e económica que daí resultam. 3) Estas possibilidades podem ser aproveitadas de modo a que, forçados pela privação resultante da desconexão parcial com o sistema mundial, desenvolvamos capacidades novas que julgávamos perdidas, para este efeito adoptando-se uma política industrial activa. 4) Ao mesmo tempo, acrescente-se, será possível irmos combatendo a desigualdade social no interior da nação, combate importante para elevarmos os níveis de confiança interpessoal da comunidade nacional e, também, para a própria regeneração da economia por via do consumo interno. 5) Finalmente, poderemos, atingido um certo nível de crescimento económico, regressar ao sistema mundial, talvez até tornando-o um pouco mais justo.
Esta é, creio, uma proposta interessante, desde logo porque tenta romper com a tendência em que boa parte da esquerda tem vindo a ser, nas actuais circunstâncias, aceleradamente atolada: a contínua defesa de direitos continuamente perdidos de luta em luta até à perdição final.
Mas é também, ainda assim, uma proposta que deve ser recusada sem qualquer hesitação.
Se me é permitido atalhar caminho, e correndo o risco de estabelecer uma comparação injusta para os nossos economistas de esquerda, diria que devemos recusar a proposta por motivos não muito diversos dos que nos levam a resistir ao argumento do governo de Passos Coelho segundo o qual as actuais políticas de austeridade são apenas medidas sacrificiais que, no futuro, e uma vez saldada a dívida, permitirão ao país recuperar a sua soberania e reactivar a democracia entretanto suspensa por ordens externas.
Em ambos os casos há uma desistência em relação à actualidade política europeia.
Passos Coelho desiste porque despolitiza a Europa obedecendo-lhe caninamente: para Passos Coelho, da Europa surgem apenas ordens que ele terá que cumprir, não se lhe ocorrendo participar politicamente no espaço europeu, por exemplo discordando do que diz ser-lhe imposto, por exemplo.
Já a proposta dos nossos economistas de esquerda acaba também por fazer acreditar que o espaço europeu não é mais susceptível de intervenção política, refugiando-se eles, por isso, no espaço nacional. Não s refugiam, note-se, por terem desistido da política em favor da economia, como Passos Coelho, mas porque querem – e bem – retomar a política como factor que determina a economia. O problema está em que desprezam a possibilidade de uma política económica europeia combater o desemprego, a desigualdade e a pobreza. Dirão os nossos amigos economistas que tal política europeia é uma utopia, mas não há nenhum motivo – pelo menos para quem não tenha uma crença nacionalista que o anime – para julgar que o tamanho dessa utopia seja menor porque a imaginamos apenas aplicável a Portugal. Se o ministro das Finanças de Portugal tem tantos laços de afinidade com o ministro das Finanças alemão, não há nenhum motivo para que os trabalhadores portugueses e as suas organizações não se irmanem com os seus congéneres da Alemanha.
E mais uma sondagem grega
Nova Democracia.............19%
PASOK............................14,5%
SYRIZA...........................13%
Esquerda Democrática......12%
KKE................................11%
Gregos Independentes......11%
Chrysi Avgi........................5%
LAOS................................3%
Verdes...............................3%
Resumo: troika - 33,5%; esquerda anti-troika - 39%; direita anti-troika - 19%.
[Via Phantis]
Como o nosso governo dá razão a Lenine...
11/04/12
A caminho do autoritarismo
"(..)a crise financeira teve lugar em 2007-08 mas a crise económica está ainda em curso – e é uma crise estrutural, a crise terminal do actual regime de acumulação, que tenderá a tornar-se cada vez mais evidente por via da agudização dos conflitos entre as diferentes forças sociais. Conflitos esses cujo palco inicial consiste, como é já bem visível, nas questões em torno da dívida (da questão do (in)cumprimento à questão da migração da dívida do sector privado para o sector público), mas que, inevitavelmente e a prazo, se deslocará para o cerne do problema (a divisão do produto social e a democraticidade da super-estrutura). Para o bem ou para o mal, “mais do mesmo” não resultará. Aquando da crise análoga anterior, na década de ’70, o campo progressista foi derrotado, talvez vítima do seu próprio sucesso anterior. Desta vez, as condições são muito diferentes, mas o embate não será menos decisivo."
aparecem sinais evidentes (via Brumas), e bem próximos de nós, de que o novo regime de acumulação (de Poder, ainda e para já no âmbito do sistema Capitalista), será caracterizado pelo autoritarismo: terminada a ilusão do consumo alimentado a crédito e da "democracia" representativa, deixará de ser possível esconder o aumento da expoliação do produto do trabalho necessário para repôr as taxas de acumulação anteriores à crise e a impossibilidade de mudar o sistema económico-social dentro da "Lei", do que resultará um aumento da conflitualidade social, apenas passível de ser contido pela via do aumento da repressão judicial e policial. Do autoritarismo ao fascismo será apenas um passo, dado quando e onde quem detém o Poder achar necessário colocar uma parte mais significativa da população a vigiar e reprimir a maioria revoltada.
News from the twilight zone
10/04/12
Marine Le Pen, a amálgama fascista e a separação das águas
O que dá — ou devia dar — que pensar nas medidas emblemáticas do programa presidencial de Marine Le Pen, bem resumidas na peça de El País cujo início acabo de transcrever e cuja leitura na íntegra não deixa de ser aconselhável, é o modo como amalgamam — à semelhança de movimentos e correntes políticas que se situam no extremo oposto do espectro partidário convencional — as reivindicações "sociais" e a crispação nacionalista e soberanista, de modo a fazer passar o conjunto por uma verdadeira alternativa de ruptura com o sistema. Com efeito, tanto os ataques desferidos contra o "federalismo" e a economia desnacionalizada, como a apologia de uma mão pesada na justiça penal a pretexto da repressão da corrupção e da delinquência, são traços que encontramos também numa corrente — ou confluência de correntes — de opinião autoritária e patriótica que se apresenta como voz da verdadeira esquerda, ou da "esquerda revolucionária". O que só demonstra, uma vez mais, que não basta acertar na denúncia dos males do sistema, e que a separação das águas passa também, para qualquer plataforma de acção democraticamente utilizável, pelas alternativas e os princípios que as informam. Tal é, de resto, a condição de necessária de não transformarmos numa mistificação, ou auto-mistificação, perigosa as denúncias rituais do (cada vez mais verosímil) renascimento da ameaça fascista, a celebração beata das virtudes do "povo unido", ou as palavras de ordem do tipo "Fascismo, nunca mais".
Quando as convicções brilham pela ausência em plena coerência com o passado
Lembrando que já promulgou mais de 200 diplomas do actual executivo, “a quem compete conduzir a política geral do país”, Cavaco Silva notou, contudo, que é reconhecido que o acto da promulgação não significa acordo com todas as normas dos diplomas.
“Todos os constitucionalistas reconhecem que o acto de promulgação não significa o acordo do Presidente em relação a todas as normas de um diploma”, sublinhou.
Estas declarações de Cavaco sobre a promulgação do diploma que "congela" as reformas antecipadas lembraram-me, e sei porquê, o caso de certo fulano, por vezes também evocado em órgãos da comunicação social, que, embora não concordando com tudo o que a PIDE fazia — mas tendo naturalmente em conta tanto o interesse nacional como os seus próprios interesses pessoais — fez questão de mostrar a extensão do seu zelo e das suas capacidades de iniciativa privada fornecendo, de moto proprio, à filantrópica instituição do regime defunto, informações a respeito de terceiros que a mesma não se dera ao trabalho de lhe solicitar.
Os proibicionistas
Mas o que é feito dos anti-proibicinistas do BE (é um pouco absurdo, parece-me, ser a favor da legalização de algumas drogas, ao mesmo tempo que se vota a favor de ilegalizar as que eram legais)? E, já agora, das alas "liberais" que parece que há no PSD e no CDS?
A evolução segura na continuidade da luta socratista do PS contra a social-democracia
Claro que saber se a metodologia social-democrata é suficiente e verosímil como via de uma democratização efectiva que garanta que sejam os cidadãos a governar, e só por si próprios sejam efectivamente governados, é outra questão (para algumas considerações preliminares sobre o assunto, remeto aqui para um meu post de há meses sobre a democratização como plataforma necessária e suficiente). Mas, seja como for, aqui fica na íntegra, porque vale a pena, a crónica do Viriato.
Na semana em que o Parlamento vai discutir o Pacto Orçamental, a entrevista de Vital Moreira (VM) ao diário i no sábado é de uma enorme utilidade. Destaco apenas dois aspetos. Depois de confessar que é "amigo" de José Sócrates, e instado a comentar as atuais dificuldades do PS, o eurodeputado que comandou as hostes socialistas às eleições europeias sai-se com uma observação onde mistura superficialidade e arrogância: "Eu encaro tudo isto sem paixão. Tenho idade para saber que estes processos são absolutamente naturais." De facto, a paixão de VM deve ter-se afogado toda no Mondego, nesses anos distantes de fogoso bolchevismo constitucional. Dali já não se espera o fervor turbulento que costuma acompanhar as juvenis éticas da convicção. A VM aplica-se mais a advertência de Max Weber para as extremadas e serôdias éticas da responsabilidade, em que a quebra de paixão é uma mera desculpa para a falta de alma e o abandono de princípios. Depois, sobre a crise europeia, afirma o académico socialista: "Penso que, embora com hesitações e atrasos, a União respondeu bem à crise, e, no caso de Portugal, penso que estamos no bom caminho." É impossível não sentir uma mistura de simpatia e pena por A. J. Seguro. Por duas razões. Primeiro, tem um chefe de bancada no Parlamento Europeu que repete - com um absoluto vazio de pensamento próprio sobre uma crise europeia que manifestamente não compreende - os comunicados de Vítor Gaspar sobre como o País se vai redimir empobrecendo. Segundo, a entrevista de VM é um sintoma claro de que Seguro jamais será o líder da oposição que o País precisaria, enquanto caminhar no campo minado pelo "socratismo" em que o PS se transformou.
09/04/12
Que referendo exigir para a Europa?
Sobre o Novo Acordo Europeu
Assim, é precisamente por pensar que JM Correia Pinto acerta quando escreve:
"É cada vez mais generalizada a convicção de que o pior está para vir. Não apenas na Grécia, em Portugal, na Itália e na Espanha, mas em toda a Europa, nomeadamente em França e, por último, na Alemanha. Do outro lado do Atlântico há a convicção de que Portugal vai cair e que a relativa acalmia dos mercados depois das massivas injecções de capital do BCE é um efeito de curto prazo. Quando a crise do euro voltar a agudizar-se – e isso acontecerá em breve – a Itália e a Espanha cairão na mesma situação que Portugal.
E neste contexto ninguém se salvará: nem a Alemanha!"
que quem está com ele concorda aqui, terá de discordar das posições insolitamente soberanistas que ele, como alguns dos Ladrões de Bicicletas, defende noutros textos recentemente publicados na sua Politeia. Com efeito, opor ao quadro descrito, e que é tão anti-europeísta como antidemocrático, a solução de uma saída unilateral da UE e da zona-euro faz tão pouco sentido e é tão insuficiente como a tese que sustentasse um adversário da utilização industrial da indústria nuclear, defendendo que o seu concelho de residência deveria declarar unilateralmente a independência no caso de o governo do seu país assumir essa opção.
07/04/12
06/04/12
As crianças dão bons iscos
05/04/12
Por uma política democrática contra a polícia da economia
Não é seria fácil dizer mais chãmente que o poder político efectivo é hoje exercido pela oligarquia que dirige a esfera económica e os seus aparelhos burocráticos de Estado. De resto, esta situação de facto, que permite a Draghi marcar as agendas governamentais e as tarefas da governação encontra-se já em vias já de constitucionalização, através da inscrição em curso nos textos fundamentais de cláusulas que consagram formalmente a soberania da economia acima da vontade popular, como quer que esta seja definida, e deixando nós aqui de parte o facto de essa definição ser, ela própria, uma questão política maior, que o novo curso do capitalismo torna assim mais fácil escamotear e furtar à deliberação dos interessados.
Com efeito, é no mesmo momento em que a expansão da área da economia se afirma cada vez mais como, de direito, ilimitada (tudo deve poder ser posto a render, tudo deve poder ser objecto de transacção e apropriação monetária), que vemos expandir-se também o projecto de redução da política ao político, ou, se se quiser, da política à polícia, como garantia superior da governabilidade. À política — e por maioria de razão nos casos em que as suas decisões passem pela consulta da vontade popular, ainda que indirectamente e a título sobretudo preventivo da ameaça que seria a instauração de processos de participação democrática efectiva dos cidadãos comuns nas decisões que os governam — fica reduzida a uma intendência ancilar da organização económica estabelecida, e, para além disso, poderá quando muito ocupar-se — ouvindo mais ou menos consultivamente os cidadãos para esse efeito — das margens residuais e de fronteira ainda não colonizadas pela economia.
Assim, num primeiro - e sempre actual, sempre reiterado - momento do processo, furta-se a economia à esfera da deliberação e da decisão políticas explícitas. O passo seguinte é a subordinação a essa economia despolitizada da esfera política explícita ou "oficial" transferindo para a primeira o exercício do governo.
Mas se a política — enquanto distinta do político ou da polícia — é a actividade instituinte da deliberação e da decisão explícitas das leis e medidas pelas quais uma sociedade se governa, e se a democracia é a universalização da participação igualitária na autonomia dessa actividade instituinte de deliberação e de decisão governantes, então, a democratização da economia, a sua repolitização explícita e a reivindicação da cidadania económica governante, é a condição necessária e o ponto de partida fundamental da defesa e extensão do que ainda persiste ou insiste em ressurgir, embora sob a pressão crescente de uma ameaça mortal, da ideia de democracia.
Dança Macabra
04/04/12
Mais um Herói do Mar
In memoriam memoriae
respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse
03/04/12
Uma campanha "alvarinha" da Conferência Episcopal Espanhola
A Conferência Episcopal Espanhola tem uma nova campanha para captar seminaristas, promovendo o sacerdócio como um "trabalho fixo" que não promete "um bom ordenado" mas garante "riqueza eterna". O vídeo já foi visto por mais de 160 mil pessoas.
"Somos a única classe social que não tem desemprego. No ministério sacerdotal não há desemprego, temos muito trabalho e a paga está no Evangelho e depois na vida eterna", disse o bispo Juan José Asenjo ao jornal espanhol ABC.
No vídeo intitulado "Prometo-te uma vida apaixonante", o narrador começa por perguntar: "Quantas promessas te fizeram que nunca se cumpriram?". Depois surgem vários padres (apesar de tal só ser visível na parte final) com as suas próprias promessas. "Não te prometo um bom salário, prometo um trabalho fixo", diz um deles. "Não te prometo uma decisão fácil, prometo que nunca te arrependerás", diz outro.
A verdade é que, após nove anos em queda, o número de seminaristas aumentou em Espanha, chegando aos 1278. Aqueles que escolhem estudar num seminário têm direito a alojamento, comida, formação e estabilidade durante os seis anos do curso e depois um salário seguro. Em Espanha, o desemprego atinge mais de cinco milhões de pessoas.
O vídeo foi lançado por ocasião do Dia do Seminário, em meados de março. "Queriamos chegar às redes sociais, aos adolescentes e jovens que não vão à igreja e não leem os cartazes sobre os seminários", disse à BBC Mundo o presidente da Comissão Episcopal de Seminários e Universidades, Josep Ángel Sáiz.
Areia para os olhos
A natalidade no mundo islâmico
This story starts with a myth. It is the myth that the Muslim world is uniformly dedicated to making many (too many) babies, and that this has gone on for centuries.
This mythology also has its very own Bible: “Factors Affecting Muslim Natality,” by Dudley Kirk, an American professor of Population Studies. Published in 1965, this study embodied, scientifically speaking, the notion of a demography unique to Muslim countries that won’t transition to a family model with two children, as it did in the Western world. (...)
However, today Kirk’s point of view has been spectacularly disproved by science. In recent decades, the Muslim world has experienced a demographic transition that was as acute as it was late: in 30 years, the number of children per woman has dropped by more than 50%. In Iran, the drop represents 75%; in North Africa it is 70%. Once you realize that it took Europe two centuries to go from 5 to 2 children per woman, you can appreciate the severity of this collapse in birth rates.
02/04/12
O "caso Stella Antoniou"
Mais alguma informação sobre o assunto:
- Text by Stella Antoniou, arrested on 04.12.2010 (traduzido por Act for Freedom now)
- April 6th, 2012 – Day of actions in solidarity with anarchist Stella Antoniou (Indymedia UK)
01/04/12
Especialistas em Portugueses
o meu artigo no i da última quinta-feira
Há um tipo de pessoa que tem vindo a ganhar protagonismo no espaço mediático. É o especialista em portugueses. O especialista em portugueses tanto pode ser especialista em portugueses na variante corpo como na variante alma. O primeiro é generoso na hora de avolumar estatística e mais estatística sobre o chamado comportamento dos portugueses, lançando-se na grande aventura dos dados, dos números e das contas que lhe permitirão produzir largas séries que registam, por exemplo, a poupança e o consumo dos portugueses. O segundo, o especialista em portugueses na variante alma, dedica-se a trabalho mais minucioso, tricotando conceitos, ideias e teses, quando não parábolas, que lhe permitirão aceder de modo singular e único – assim julga… – ao famigerado enigma português.
O compromisso histórico da ditadura castrista com a hierarquia eclesiástica romana
Não é necessário subscreverem-se todos os juízos e perspectivas de Rafael Rojas para comprovarmos, a favor desta visita do chefe de Estado do Vaticano a Cuba, não só a existência como o aprofundamento e o reforço que ele assinala de uma inquietante "cumplicidade entre o castrismo e a Igreja". Aqui ficam alguns excertos e a recomendação da leitura integral do artigo de Rojas, à laia de elementos para uma reflexão cuja relevância política será difícil negar.
¿Qué tipo de ciudadanía acabará constituyéndose en ese país caribeño, si se normaliza la hegemonía doble del Partido Comunista sobre la sociedad política y de la Iglesia Católica sobre la sociedad civil?
(…)
Existe la equivocada percepción de que Cuba ha sido y es una nación católica, como España o México, Irlanda o Polonia. El proyecto católico de nación nunca predominó en Cuba por muchas razones que podrían resumirse con la idea del antropólogo cubano, Fernando Ortiz, de que allí la nacionalidad se formó tardíamente, entre mediados del siglo XIX y principios del XX, por medio de un proceso de transculturación que incluyó, por supuesto, diversos cultos religiosos. La religión católica fue la más practicada por los cubanos hasta 1958, pero la Iglesia no era la institución hegemónica de la sociedad civil de la isla antes del triunfo de la Revolución.
Hoy los católicos no son mayoría demográfica en Cuba y, sin embargo, la Iglesia es tratada por el gobierno de Raúl Castro como si su feligresía acumulara las bases no representadas por el Partido Comunista. Este último ha concedido al clero católico derechos de asociación y expresión que, por ser negados a la ciudadanía, se convierten en privilegios, que le permiten crecer en condiciones excepcionales.
(…)
Habría entonces que empezar por admitir que el crecimiento del catolicismo cubano en las dos últimas décadas no ha sido meramente “natural” o “espontáneo”, sino que ha respondido a la coyuntura histórica del colapso ideológico del marxismo-leninismo en los 90 y a los privilegios concedidos a la Iglesia a partir de esa década. Todavía en los años previos y posteriores a la visita de Juan Pablo II a la isla podía hablarse de la recuperación de una fe reprimida o amordazada. Hoy habría que hablar ya de una fe ideológicamente sostenida por dos instituciones autoritarias, que encuentran un punto de entendimiento en el discurso y la práctica del nacionalismo excluyente.
El sentido excluyente de ambos nacionalismos comienza con la representación de toda la comunidad cubana como comunista o católica. Un editorial de Granma de mediados de marzo hablaba de la “Nación cubana”, no de la Revolución o el Socialismo, y presentaba a esta al Papa Benedicto XVI, casi, como un pueblo católico. El embajador de la isla ante la Santa Sede fue más allá y declaró que la “Revolución Cubana y la Iglesia Católica hablaban el mismo idioma porque perseguían lo mismo”. La homologación de discursos entre ambas instituciones fue tan clara en los medios oficiales que el Papa se vio obligado a declarar, antes de su viaje a México, que la “ideología marxista ya no responde a la realidad”.
Si lo que el Papa quiso decir era que la ideología oficial cubana no responde a la realidad de la isla, tal vez debió referirse a la ideología “marxista-leninista” o “estalinista” o, incluso, “comunista”. La teoría social e histórica del capitalismo moderno de Marx es, por el contrario, una de las ideologías que más contactos establece con la realidad global del siglo XXI. Lo curioso es que el gobierno tolere el anticomunismo de la Iglesia Católica, mientras subvalora, margina o silencia los marxismos críticos que se posicionan frente a la ausencia de democracia o al avance del capitalismo en Cuba.
La elección oficial del catolicismo como alternativa leal posee, además, el inconveniente de facilitar el arraigo de ideas conservadoras sobre la nueva comunidad multicultural que intenta articularse en la isla a principios del siglo XXI. La visión de la Iglesia sobre las alteridades sexuales, raciales y genéricas, sobre los cultos afrocubanos, el aborto y el matrimonio gay, es tradicionalista, por no decir reaccionaria. El gobierno cubano, que históricamente ha demostrado ser también conservador en esas materias, hace acompañar su cautelosa apertura económica de una reevangelización católica que se propone crear una mayoría moral, “obediente en la fe” y “buscadora de la verdad”.
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El catolicismo, como sostuviera el malogrado profesor de la Universidad de Cambridge, Emile Perreau-Saussine, en su póstumo estudio Catholicism and Democracy (2012), no es incompatible con la democracia. Pero sus mayores contribuciones a esta se han verificado cuando ha sabido renunciar a sus linajes antiliberales y anticomunistas y se ha secularizado por la vía del diálogo ecuménico y la convivencia con otras religiones, cultos e ideologías. Los católicos cubanos deberían ganar conciencia en que el crecimiento de su fe en Cuba sólo podrá consolidarse plenamente bajo un clima de tolerancia religiosa, diversidad ideológica y libertades públicas para todos.
La visita del Papa Benedicto XVI a Cuba ha sido beneficiosa para la democratización, toda vez que el pueblo de la isla entró en contacto con un líder mundial que trasmite ideas y valores diferentes a los del Estado cubano. Lo que no favorece la democratización de Cuba es que el proyecto de nación del catolicismo se presente como extensión o complemento del proyecto oficial. Lo que, definitivamente, no contribuye al creciente pluralismo ideológico de la isla es que la Iglesia Católica comparta con el Partido Comunista la hegemonía sobre la esfera pública cubana, aceptando la limitación de derechos de las demás asociaciones civiles y políticas del país.
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Nova Democracia...........22,5%
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SYRIZA........................12,5%
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Esquerda Democrática...12%
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Chrysi Avgi.....................5%
Verdes............................3%
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