18/05/13

O Estado e a Nação – II. O estado da Nação

Excerto da segunda parte de um artigo publicado na íntegra aqui no Passa Palavra.



«Só o objectivo de colocar as lutas sociais ao serviço de um projecto político de renovação das elites dominantes pode explicar a exponenciação estatista e nacionalista que a esquerda tem levado a cabo. Precisamente quando o actual contexto deriva totalmente de mecanismos económicos típicos do capitalismo (austeridade como face da destruição de valor; programa de reajustamento assente no ataque a direitos, empregos e remunerações dos trabalhadores; articulação entre crédito e actividade económica, etc.) e, portanto, num contexto em que a identificação do carácter explorador do capitalismo é mais visível, a esquerda decide concentrar as suas baterias nos temas da soberania nacional e da luta contra a destruição do Estado-Nação. Creio que nada poderia ser mais elucidativo dos comportamentos políticos da esquerda do que esta aposta na colocação das causas da crise económica no plano do confronto entre nações.



Em vez de procurar apresentar aos trabalhadores os mecanismos económicos fundamentais que estão na base das dificuldades actuais da sua condição de vida, a esquerda prefere lançar a bandeira da recuperação da soberania nacional… Como se uma comunidade territorial e cultural estivesse em causa num contexto de crise económica… E, pior, como se houvesse algum interesse para a luta dos trabalhadores contra o capitalismo que essa mesma comunidade nacional sobrevivesse… Como se o que aflige actualmente a vida da maioria dos trabalhadores fosse causa de uma luta entre países, e não de mecanismos típicos da economia capitalista. Muitos dos que raciocinam neste quadro nem sequer se lembram de que existem trabalhadores nos países do norte da Europa. Trabalhadores que partilham a mesma condição de exploração económica e que são alvo de medidas de austeridade e de precariedade laboral que em nada diferem das que sofrem os trabalhadores no sul da Europa. Quando a esquerda bate na tecla da soberania portuguesa, grega e italiana contra a pretensa ingerência dos países mais poderosos da União Europeia, não é contra os capitalistas que está a lutar. Nem sequer contra as medidas políticas definidas contra os trabalhadores. De facto, quando a esquerda actua dessa forma é a divisão internacional dos trabalhadores que está a propagar. E é igualmente a união dos trabalhadores com sectores capitalistas de um país (contra os trabalhadores de outros países) que essa esquerda está a promover».


Quando a esquerda "leninista" e a direita conservadora apelam para que o "país" produza,
não se trata apenas de uma casual colaboração interclassista.
Nesta situação, apesar das diferenças, existe igualmente uma partilha de princípios nacionalistas.

1 comentários:

Em Soares eu Creio os ministros que Abril nos deu são piores que Hitler e Mussolini ou agente leu mal? disse...

parvoeira? produzir o quê?

a economia toda dependia de empresas que eram importadoras líquidas

vai lá ver se a cerâmica de valadares exportava mais
que qualquer fábrica italiana que meteu cá os seus excedentes em retretes e mármores sanitários

tirando os ajulezos e a metalomecânica pra marquises

e o cimento e a brita que alimentavam metade dos camionistas que não trabalhavam para as distribuição de morfes e de vestuário vietnamita

qual é a actividade a expandir?
a agricultura intensiva que depende da mão de obra moldava e tailandesa e paga 20 ou 30 euros por jorna?

a pecuária e a tosquia das ovelhas a 80 ou 100 euros por dia?
sazonal e precária desde 1950?

na pesca que ninguém jovem quis durante 40 anos excepto o lumpenproletariat da dose de cavalo?
pra fazer uns trocos com o arrasto ilegal junto à costa

emprego na indústria química concentrada em estarreja e pouco mais desde a década de 90?

vão brotar fábricas em planos quinquenais em que as máquinas chegam primeiro que as paredes da fábrica como na grande guerra patriótica?

nã ligues pá...é o que dá andar nos leilões de falência
bué de retro anos 80 e 90's

metalomecânicas que trabalhavam para os 5400.000 fogos existentes ainda restam metade

as que trabalhavam principalmente para a exportação ainda restam 70%

os desempregados?

foram para a suiça e alemanha os de menos de 65 anos

os outros pediram a reforma