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19/02/13

Os teatros do tempo político. II: dez notas sobre a fascização como potencialidade



«No actual contexto, não basta à esquerda lutar contra as políticas devastadoras da troika com as quais todos os trabalhadores têm sido violentamente atacados nos seus direitos e nos seus rendimentos. Portanto, todos nós à esquerda concordamos (e bem) que a raiz das actuais dificuldades que os trabalhadores atravessam está nas políticas de austeridade que a troika e o governo têm executado. À justa crítica juntam-se propostas de tentativa de dar resposta à situação. Uma delas, defendida cada vez com maior abertura, é a saída do euro e a devolução da soberania nacional a essa entidade mítica que é o País.


Mas aqui coloca-se uma questão: só porque se apresentam contrárias à troika, terão os trabalhadores de aceitar algumas dessas propostas como justas e benéficas? Apesar de serem contra a troika teremos de as aceitar benévola e acriticamente em nome de uma grande coligação de esquerda? Bastará uma alternativa afirmar-se contra a troika para ser viável em termos de superação do actual estado de coisas? O juízo crítico e reflexivo terá de ficar suspenso só porque algumas alternativas se apresentam contra a troika, mas trazem no bojo uma solução ainda mais perniciosa?
A luta contra a austeridade tem de prosseguir e, sejamos claros, tem de crescer. E tem de crescer com mais gente nas manifestações, nas greves, nas concentrações e sobretudo com mais luta nos locais de trabalho. Mas a luta contra a troika não pode desenvolver-se acriticamente e assinar cheques em branco a pretensas alternativas que, no meu modo de ver, resultariam num aprofundamento dessa mesma austeridade.
Quando o governo e a troika nos querem cortar um braço a resposta da esquerda tem de ser a de propor uma alternativa que corte primeiro o esquerdo? Eu prefiro pensar que há alternativas ao corte de um braço (o que vivemos actualmente) ou de dois braços (se sairmos do euro). É disso que se trata.
Sair do euro é querer apagar o fogo que nos está a queimar deitando-lhe mais gasolina em cima.»
Excerto da segunda parte do artigo "Os teatros do tempo político" publicado no Passa Palavra.

16/11/10

A Europa colada com cuspo

Não, cara Merkel, o euro não é cola. Cola era a Araldite que colava cientistas ao tecto, ainda o tecto levava c.