21/04/13

Sobre a "realidade alemã" (2)

O Jorge sugere, aos que sabem francês, a leitura, à laia de suite do post de há pouco sobre a realidade alemã, deste artigo, publicado no Nouvel Observateur, sobre o "modelo alemão", os desempregados, as condições servis de trabalho, a precarização e as medidas degradantes de toda a espécie que a "saúde" da sua economia impõe a um número crescente de habitantes da região. Mais uma vez, a questão que se põe na Europa em termos de luta contra a oligarquia governante não é a do relançamento da "soberania" das economias nacionais, mas a questão transnacional — ou a exigência internacionalista e federativamente articulada — da democratização.

3 comentários:

Anónimo disse...

Porque razão colocar a questão na soberania e não na democracia interna em Portugal? É que é disso que se trata. Não se trata de andar por aí enrolado na bandeira, trata-se de os portugueses não perderem instrumentos de soberania sobre a sua vida política.

A Alemanha já diz que os países tem que se preparar para perder soberania, portanto não vale a pena andar a dizer que não vai haver perda de soberania porque vai - mas não da Alemanha. Só um tolo pode pensar que quando Merkel fala de perda de soberania na Europa está a incluir a Alemanha.

Vocês, de vossa parte, com as vossas ideias, só têm é que obedecer a Merkel. Ela já falou.

E há por aqui uns federal-fascistas que quando se personaliza Portugal ficam muito inquietos, dizem que é ridículo dizer que Portugal isto ou Portugal aquilo, pois bem, pelos vistos o mesmo não acontece com a Europa que, ao invés de Portugal, já é uma personalidade com fala e tudo:

"We need to be ready to accept that Europe has the last word in certain areas. Otherwise we won't be able to continue to build Europe" (Merkel dixit)

http://www.nytimes.com/reuters/2013/04/22/business/22reuters-eurozone-merkel.html?hp&_r=0


João.

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Democracia europeia sem "demos" europeu?

Miguel Serras Pereira disse...

Caro José Luiz Sarmento,
o demos era uma circunscrição administrativa da Ática: à partida, não uma, mas várias. E não foi cada uma delas, mas a sua dinâmica conjunta, o que fez a democracia de Atenas. A instauração progressiva da democracia em Atenas, por outro lado, foi inseparável da transformação do funcionamento de cada uma dessas circunscrições. A organização local e geral interagem e potenciam-se mutuamente.

Um abraço

msp