10/03/14

Crimeia

Há tempos, o Zé Neves escrevia:
"1) havendo quem o reivindique (e há e não são poucos), um comunista não-patriota deve apoiar a realização de um referendo sobre a [independência] do País Basco; 2) nesse referendo um comunista não-patriota deve fazer campanha contra a [independência] do País Basco."
Uma questão que me ocorre agora é o que deveria defender um comunista não-patriota sobre a Crimeia - na primeira parte não há grande dúvida: defender a realização de uma referendo sobre a passagem da Crimeia para a Rússia; mas, e na segunda? Aqui a grande diferença face ao hipotético caso basco (e aos efectivos casos catalão e escocês) é que não se trata de um referendo pela independência, mas um referendo para mudar de soberano.

Vejo argumentos para ambas as hipóteses:

a) defender a união à Rússia, porque, sendo o maior (geograficamente) dos Estados envolvidos, será um passo na direcção de uma confederação mundial; ainda por cima, a Rússia é formalmente uma federação multiétnica

b) defender a permanência na Ucrânia, porque esta é que é na prática o Estado multiétnico e multinacional (enquanto a Rússia é dominada esmagadoramente pelo elemento russo); e, regra geral, mudar fronteiras para acertar os grupos culturais com Estados políticos é a posição nacionalista por excelência (as limpezas étnicas do século XX são o resultado não-previsto - ou se calhar mesmo previsto - das ideias do século XIX que defendiam que cada nação deveria ter o seu Estado: a partir do momento em que há povos de várias culturas vivendo no mesmo espaço geográfico, só há uma maneira de assegurar a coincidência entre a "Nação" e o Estado - eliminando a minoria, pela deportação ou pela morte).

2 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Estes argumentos fazem-me lembrar a "luta" de Vizela a municipio= porque passados estes anos está endividada até as orelhas(qualquer municipio com menos de 30 mil eleitores é um fardo para os contribuintes) e as rotundas e mamarrachos ainda são mais.
Nesta epoca falar em replicar os defeitos de governates/deputados /comixoes/entidades reguladoras incompetentes aumentando o seu numero por catalunha/Escocia/Pais Basco/Madeira.. é domesmo genero de ter um cancro e ir rezar para fatima.

Ralf disse...

me pergunto se o motivo étnico é suficiente para decidir uma coisa ou outra. O que está em jogo é uma disputa das elites burguesas e gestoras pelo aspecto econômico e geopolítico/militar dá criméia. Um comunista não pratriota deixaria o povo decidir em referendo, já que no fim das contas não passa de uma disputa entre burgueses e gestores.