22/03/15

A Islândia e a União Europeia

Há dias, os jornais referiram que a Islândia retirou o pedido de adesão à UE.

O que não sido tão falado é a polémica que tal desencadeou no pequeno país, com a oposição (sociais-democratas, a Esquerda Verde, o Partido Pirata e o liberal Futuro Brilhante) e parte da população considerando que o governo (composto pelo liberal-conservador Partido da Independência e pelo agrário Partido Progressista) não tem autoridade para retirar o pedido de adesão de um processo já iniciado, e exigindo um referendo nacional para decidir se se abando na mesmo o pedido ou não.

Diga-se que há uma certa novidade nisso - o que temos visto muitas vezes é governos assinarem tratados e a oposição exigir um referendo ao tratado, mas não sei se alguma vez ocorreu um governo recusar um (futuro) tratado e a oposição exigir um referendo à recusa.

Diga-se que, ao que me parece, a defesa de um referendo à continuação do processo de adesão não significa necessariamente a defesa do processo (creio que pelo menos a Esquerda Verde é contra a adesão mas a favor do referendo, e o Partido Pirata também tem grandes dúvidas face à adesão).

Cometendo a arrogância de, daqui de Portugal, dar palpites sobre o que seria melhor para a Islândia, eu inclinava-me para o melhor ser mesmo fazerem um referendo, e no referendo decidirem não aderir à UE (a situação na UE neste momento está tão confusa que não me parece boa ideia alguém querer entrar no comboio agora; atenção que isto não significa que ache boa ideia que os países que já estão no comboio saltem pela janela).

2 comentários:

Nightwish disse...

Já para nem falar que a adesão à UE implica a adesão a uma moeda falhada controlada por meia dúzia de pessoas para favorecer uma centena de pessoas.

Miguel Madeira disse...

"Já para nem falar que a adesão à UE implica a adesão a uma moeda falhada"

Em rigor, não - realmente, as regras da UE referem qualquer coisa (penso que com uma exceção explicita para o Reino Unido) de que devem a prazo preparar-se para adotar o euro, mas não estabelece limites temporais, pelo que nada impede um membro da UE (como a Polónia ou a Hungria) de "adiar" indefenidamente a adesão.