29/12/17

Mudar o Sistema



A sétima edição da revista do colectivo ROAR, intitulada "System Change" foi publicada ontem, e inclui os artigos:

Unearthing the Capitalocene: Towards a Reparations Ecology
Social Ecology: Communalism against Climate Chaos
Climate Crisis and the State of Disarray
Open the Borders! Welcoming Climate Refugees
Seed Freedom and the Future of Farming
Organizing on a Sinking Ship: The Future of the Climate Justice Movement
Defying Dystopia: Shaping the Climate Future We Want
Time to Pull the Plugs

O último parágrafo do Editorial resume bem o que se propõe discutir:

"(...)A sétima edição impressa da revista ROAR não pretende divulgar propostas políticas concretas, nem um roteiro detalhado para uma próxima transição para a energia limpa, mesmo que tais intervenções políticas sejam certamente muito necessárias. Em vez disso, o objetivo é tornar mais clara a natureza profundamente social e política da crise climática e enfatizar a importância de reconstruir o poder popular a partir de baixo. Em conjunto, as contribuições coletadas nestas páginas propõem-se problematizar alguns dos pressupostos ideológicos da narrativa dominante, que ignoram completamente a natureza sistémica do problema, continuando a prescrever soluções altamente individualizadas, correções tecnológicas baseadas no mercado e o aprofundamento da mercantilização da natureza, em vez da mudança social transformadora que o mundo tão desesperadamente precisa. Contra estes delírios neoliberais devemos permanecer firmes e insistir: a verdadeira catástrofe é o capitalismo, e o único resultado aceitável é a mudança do sistema, e não a mudança climática. Tão irreal quanto isto possa parecer da perspectiva dominante do realismo capitalista, o futuro de nossa espécie - e a de inúmeras outras - disso agora depende."

1 comentários:

Carlos Soares disse...

Li o texto e estou em concordância com esta causa, aliás, de há muito que não compreendo como pode ser tão difícil de entender que as soluções relacionadas com as necessidades e com a produção/prestação de serviços não podem ser "adjudicadas" a qualquer preço, indeterminado, tão "primitivamente" à iniciativa/improviso/ganância/esperteza/engenho/poder, daqueles que fazem do mercado/comércio/negócios da vida e da morte profissão. É preciso aprofundar e levar muito mais longe o "controlo" público dos problemas e dos recursos públicos ou que tenham implicações públicas. Não há outro caminho a seguir. A questão das alterações climáticas não é a única. O homem deixa de ter legitimidade de reivindicar dignidade de existir a partir do momento em que nega, com culpa, essa possibilidade aos demais seres vivos.