14/01/13

Apelo de solidariedade às famílias do assentamento Milton Santos


Aqui fica, via Passa Palavra, um apelo à solidariedade com a comunidade do assentamento Milton Santos (São Paulo, Brasil), cuja conclusão se sublinha: Apelamos para que apoiadores da causa, jornalistas e observadores de direitos humanos voltem a sua atenção para o caso e não deixem que outra barbárie se repita.


14 de janeiro de 2013

A comunidade do assentamento Milton Santos vive uma situação urgente e extremamente delicada.

O assentamento Milton Santos é uma comunidade consolidada há 7 anos, por 68 famílias que batalharam na luta pela reforma agrária e construíram suas casas e suas vidas mantendo plantação e produção de alimentos na região de Americana, São Paulo. No entanto, desde julho de 2012, os moradores do Milton Santos vêm sofrendo pressões para saírem das terras nas quais foram legalmente assentados pelo presidente Lula e pelo Incra, em 23 de dezembro de 2005.

Em meados do ano passado, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) foi intimado a cumprir uma reintegração de posse solicitada pela família Abdalla, antiga proprietária do terreno que teve parte de sua propriedade confiscada, na década de 1970,  por conta de dívidas que mantinha com o Estado. Ignorando o longo e doloroso processo de consolidação da comunidade de pequenos agricultores – que conta inclusive com apoio de diversos programas governamentais – o Desembargador Federal Luiz Stefanini autorizou a ordem de despejo.

Desde então, várias tentativas se seguiram no sentido de reverter a situação. Conversas com representantes do governo e ações de protesto foram realizadas, mas nenhuma delas trouxe a garantia que as famílias precisam para voltarem às suas vidas e continuarem a sua produção.

No início desse ano, no dia 10 de janeiro, o Incra foi oficialmente comunicado da decisão judicial, que estabelece o prazo de 15 dias para as famílias se retirarem do terreno. Conforme o documento, a partir do dia 24 de janeiro a ação de despejo pode ser executada com o uso da força policial. E, de acordo com o histórico da região, é muito provável que esta ação seja feita de forma altamente truculenta.

Os assentados não têm nenhuma alternativa, por isso prometem lutar até as últimas consequências para que possam continuar vivendo tranquilamente em suas casas, com suas plantações, na comunidade onde já estão há 7 anos e pela qual empenharam toda a vida. Por isso, reivindicam que a presidenta da república, Dilma Rousseff, assine o decreto de desapropriação da área por interesse social, a única medida que resolveria o problema de forma definitiva.

A situação no local é extremamente tensa. É urgente difundir o que está acontecendo com o assentamento Milton Santos e apoiar a luta dessas famílias que correm o risco de serem jogadas na rua a partir do dia 24 deste mês. Apelamos para que apoiadores da causa, jornalistas e observadores de direitos humanos voltem a sua atenção para o caso e não deixem que outra barbárie se repita.

Saiba mais sobre o caso:


assentamentomiltonsantos@gmail.com

www.assentamentomiltonsantos.com.br

http://www.facebook.com/AssentamentoMiltonSantos


Coletivo de Comunicação do Assentamento Milton Santos

2 comentários:

João Bernardo disse...

Faz dentro em pouco um ano, a Polícia Militar do estado de São Paulo destruiu a comunidade de Pinheirinho, com pretextos jurídicos não muito diferentes dos que são agora invocados a respeito do Assentamento Milton Santos. O Passa Palavra publicou bastantes textos sobre o assunto, recordo agora dois artigos de síntese:
http://passapalavra.info/?p=52270
e
http://passapalavra.info/?p=56550
Será que deixaremos que o mesmo suceda ao Assentamento Milton Santos? Um amigo perguntou-me o que se podia fazer em Portugal em solidariedade com as 68 famílias do Milton Santos. Sei lá, respondi eu, talvez sirva a solidariedade platónica.

Nuno Gaspar disse...

Talvez os leitores do Passa-palavra e do Vias também se queiram solidarizar com os desalojados da Fazenda Suiá-Missu.
http://www.codigoflorestal.com/2013/01/a-injustica-legalizada-por-katia-abreu.html