14/06/15

O orçamento militar da Grécia

Aparentemente, o FMI terá recusado uma proposta aceite tanto pela Grécia como pela União Europeia de trocar os cortes nas pensões por cortes na despesa, no valor de 400 milhões de euros.

Para termos uma noção do que estamos a falar, uma lista das despesas militares dos países europeus (fonte - SIPRI Military Expenditure Database; os dólares foram convertidos em euros ao câmbio de 1,1261 dólares para 1 euro):

País % PIB Valor em milhões de euros
Azerbaijão 4,6% 3.182
Rússia 4,5% 75.004
Arménia 4,2% 418
Ucrânia 3,1% 3.573
Geórgia 2,3% 344
Sérvia 2,3% 844
França 2,2% 55.314
Grécia 2,2% 4.722
Reino Unido 2,2% 53.710
Chipre 2,0% 376
Estónia                        2,0% 452
Polónia 1,9% 9.323
Portugal                       1,9% 3.730
Montenegro                     1,7% 70
Bulgária                       1,6% 743
Croácia                        1,5% 777
Itália  1,5% 27.448
Finlândia      1,4% 3.240
Noruega 1,4% 6.015
Letónia 1,3% 266
Dinamarca 1,3% 3.958
Roménia 1,3% 2.258
Macedónia 1,3% 118
Países Baixos 1,2% 8.957
Alemanha 1,2% 41.253
Biolorrúsia 1,2% 869
Suécia 1,2% 5.837
Bósnia-Herzegovina             1,1% 178
República Checa 1,0% 1.796
Albânia 1,0% 120
Eslováquia 1,0% 877
Bélgica 1,0% 4.608
Eslovénia 1,0% 435
Espanha 0,9% 11.307
Hungria 0,9% 1.034
Lituânia                      0,8% 335
Suíça 0,8% 4.643
Áustria                        0,8% 2.892
Malta                          0,6% 53
Irlanda 0,5% 1.058
Luxemburgo          0,5% 264
Moldova                        0,4% 24

Dos membros europeus da NATO, a Grécia parece ser, junto com a França e o Reino Unido, aquele com proporcionalmente maiores despesas militares (se em vez de pensarmos em "membros europeus da NATO", pensarmos em "países europeus que não tiveram guerras nos últimos 20 anos",acho que será mesmo o com maior despesa).

[Dá-me a ideia que a insistência do FMI nos cortes de pensões já não será tanto por um motivo de racionalidade económica, mas mais numa de "o governo grego tem que mostrar que trabalha em equipa connosco"]

3 comentários:

Miguel Serras Pereira disse...

Sim, meu caro Miguel. É pura vontade de mostrar quem manda em termos de classe. E note-se que para os parceiros de coligação nacionalistas do Syriza, a coisa seria talvez pouco mais ou pouco menos difícll de engolir do que o corte das pensões. Todavia, se entendermos por "racionalidade económica", a da economia política globalmente dominante, a tentativa de imposição do FMI tem razão de ser.
Abraço

miguel(sp)

jose guinote disse...

Interessante e esclarecedora esta posição do FMI. Trata-se, a meu ver, de deixar bem claro o verdadeiro objectivo da austeridade: implodir o estado social europeu - o já débil no caso dos gregos - de forma irreversível. A implosão do sistema de segurança social - começando pelos dos países mais pobres e mais endividados - é um objectivo estratégico. Juntamente com a mercantilização do acesso aos cuidados de saúde e à educação constituem um poderoso núcleo de políticas fundadoras de uma nova ordem.
Além do mais esta revolução necessita do apoio e do suporte das forças militares e das polícias. Certamente a Troika terá visto com muitos maus modos os confrontos com as forças policiais na escadaria do Parlamento.
É neste contexto que mais uma vez fica claro que aquilo que está em jogo não é, nem nunca foi, um problema de dinheiro. Tirar 400 milhões às despesas militares na Grécia, como tirar aqui 400 ou 1200 milhões às PPP´s ou aos sectores rentistas resolvia o problema dos custos mas não era a mesma coisa. Tirar 400 milhões em direitos sociais isso sim é uma verdadeira "reforma estrutural".

Libertário disse...

Os teóricos do «Estado Mínimo» sempre querem reduzir as actividades do Estado, principalmente as de conteúdo social, mas raramente defendem os cortes nas despesas militares, dos aparelhos de segurança e na alta burocracia parasitária...
O que não deixa de ter piada é que a «esquerda» também raramento o faz, por medo ou tabú!