05/09/16

Stiglitz e o euro

Além de subestimar irresponsavelmente os resultados de uma ruptura da moeda única enquanto primeiro grande passo em frente no sentido da desagregação da UE e do retorno dos nacionalismos rivais na região — bem como as consequências "globais" que isso teria extra muros —, Joseph Stiglitz, ao afirmar que caso Portugal permaneça na moeda única "está condenado", salientando que a Europa "não tem, nem vai ter condições políticas para fazer as mudanças necessárias", pelo que aconselha os portugueses a sair do euro, não considera a óbvia alternativa à sua receita que poderia ser agir — a acção, dizia Hanna Arendt, é o que faz começar alguma coisa de novo — pela criação das condições políticas de um processo de democratização e integração federal da Europa, que teria a recomendá-lo ser bem mais benéfico tanto para a própria Europa, como para Portugal e para o mundo.

2 comentários:

jose guinote disse...

Tenho lido e relido o Stiglitz e pareceu-me este desabafo uma confissão de desistência. Ele que criticou sistematicamente as opções económicas da Europa e alertou para os custos sociais da austeridade parece ter desistido da ideia de Europa. Mas, como referes no teu post, a Europa não é apenas o Euro, e pode e deve sobreviver a este euro.A politica é muito mais mais do que a análise económica dessa politica. Para mudar o que temos falta vontade politica e capacidade de travar nas instituições europeias um combate em defesa dos valores fundadores, do antes de Mastricht. A reunião dos países do Sul, promovida pela Grécia pode ser um passo no sentido da defesa dos interesses comuns dos povos das periferias europeias, de acordo com o jargão económico que domina a politica europeia.

Anónimo disse...

Sim e na impossibilidade de

"criação das condições políticas de um processo de democratização e integração federal da Europa"

Vamos continuar agrilhados a uma moeda que já demonstrou ser um projecto de dominação da Alemanha e do capital financeiro?

MS