27/09/11

Pedro Lomba mente

Mente quando afirma, hoje na sua coluna de opinião no jornal Publico que:

"nem obrigar Israel a aceitar um Estado palestiniano, visto que por duas vezes, com Barak e Olmert, Israel ofereceu as fronteiras de um Estado aos palestinianos (as fronteiras de 1967). A oferta foi recusada."

Ora, acontece que é essa pretensa oferta, que na realidade nunca existiu e desafio Pedro Lomba a provar o contrário, que foi agora proposta à ONU. Simplesmente e apenas o reconhecimento dum Estado Palestiniano dentro das fronteiras de 1967. Se Israel ofereceu isso mesmo antes, não vejo porque o recuse agora.

Pedro Lomba mente ainda quando diz que:

"Porque, evidentemente, não está em causa que Israel transija com a saída dos territórios ocupados desde 1967 em troca do reconhecimento internacional de um Estado palestiniano. O problema é que Abbas não abdica do regresso às fronteiras de 1948. Não lhe basta reaver a Cisjordânia e Gaza num estado chamado Palestina. Ele insiste no "direito" histórico de regressar a Israel.(...) Imaginar que, neste cenário de fragilidade demográfica, os israelitas aceitarão que a comunidade internacional lhes imponha o direito de retorno é completamente irrealista e perigoso."

Repito, o que foi proposto na ONU foi somente o reconhecimento dum Estado Palestiniano dentro das fronteiras de 1967. Basta ler a carta onde é requerido à ONU o reconhecimento da Palestina como Estado de pleno direito. Pedro Lomba tenta, numa manobra de clara desonestidade intelectual, confundir o leitor misturando a questão das fronteiras com a questão do eventual retorno a Israel dos palestianos que foram expulsos das suas terras ancestrais após as guerras que se seguiram ao reconhecimento de Israel pela ONU em 1948. Como é óbvio, como devia ser óbvio para qualquer pessoa, e ainda mais para um jurista como Pedro Lomba, o pedido de reconhecimento do estado palestiniano não tem qualquer implicação legal sobre o direito de retorno desses refugiados a Israel. Aliás, o passo agora dado pelos palestinianos implica assumir que essas duas questões são independentes e assim serão tratadas, algo nunca antes assumido.

Tinha Pedro Lomba como alguém que era capaz de reflectir de modo intelectualmente honesto, sem recorrer à mentira como meio de persuasão. Enganei-me.

Nota: quem quiser pode constatar, lendo a documentação disponível sobre as cimeiras de Camp David (2000), Taba (2001) e Annapolis (2007, uma autêntica farsa) que Israel nunca aceitou o estabelecimento dum estado palestiniano nas fronteiras de 1967, sempre exigindo a retenção de alguns colonatos aí construídos (sem mencionar Jerusalém Leste). Mesmo em Taba (2001), quando as negociações estiveram praticamente fechadas, e só não resultaram num acordo porque entretanto Ariel Sharon e G. W. Bush chegaram ao poder e renegaram a (mais moderada) anterior posição negocial israelita.

2 comentários:

one hundred trillion dollars disse...

num estado com estrangulamentos de dezenas de quilómetros facilmente atravessáveis por colunas militares
e com a única opção de bombardear capitais dos atacantes

obviamente estado palestino jámé

rui disse...

"Tinha Pedro Lomba como alguém que era capaz de reflectir de modo intelectualmente honesto, sem recorrer à mentira como meio de persuasão. Enganei-me."
ó meu, com esta é que me apanhaste de surpresa...