01/09/11

Rumo ao Estado policial

Quem ache exagerado o ttulo deste post, só tem de ler o que aqui escreve o Ricardo Alves. Nomeadamente:

O «Acordo...» para a entrega aos EUA dos dados pessoais dos cidadãos portugueses foi ontem ratificado pelo Parlamento. Os dados constantes do seu BI, caro leitor, podem agora ser entregues aos EUA por um «ponto de contacto» português que não tem de ser um juiz e nem sequer um polícia (até pode ser um agente do SIS ou do SIED, gente «impoluta», como os mais atentos às notícias já perceberam). E nem é necessário que o leitor tenha cometido uma infracção ao código da estrada: basta que o tal «ponto de contacto» ache que o leitor «irá cometer» uma infracção penal. O ADN de alguém que tenha sido acusado de um crime também vai direitinho para os EUA. Basta pedirem do lado de lá. Se a sua inocência for provada, os dados serão destruídos cá. Mas não lá.
(…)
Registe-se que, apesar do parecer contrário da Comissão Nacional de Protecção de Dados, o acordo foi ratificado com os votos favoráveis de PSD, PS e CDS. Contra, o PCP, o BE e o PEV.

6 comentários:

Anónimo disse...

Este acordo foi cozinhado pelo PS. Haverá melhores gestores da Situação, do Regime ou do que quiserem chamar a isto que temos cá na Parvónia?

Miguel Serras Pereira disse...

Sim, é o que diz o título do post do Ricardo Alves. E é verdade. Mas V., pelo seu lado, não subestime as capacidades antipopulares da actual coligação, que, até ao momento, não teve sequer o efeito de causar sobressalto democrático que se veja.

msp

Anónimo disse...

A pergunta é: quando é que o Estado deixou de ser um estado policial?

Miguel Serras Pereira disse...

Anónimo das 21 10
claro que a acção policial é um aspecto permanente e regular do aparelho do Estado. No entanto, quando falamos de "Estado policial" temo em vista, geralmente, qualquer coisa mais: um regime em que esse aspecto vê aumentada a sua importância e/ou o seu peso relativo, em detrimento de outros aspectos da acção do Estado. O que é interessante é que, por regra, quanto mais a oligarquia governante fala de emagrecimento do Estado, de redução do papel do Estado, de menos Estado ou big government, mais policial o Estado tende a tornar-se, mais os sectores directamente repressivos e penais se reforçam e dilatam.

msp

Anónimo disse...

Texto interessante apesar de desconsiderar as lutas pelo aumento de salários e demonizar os transgénicos:
http://libcom.org/library/violence-what-use-it-anselm-jappe

pling a lot disse...

quando falamos de "Estado policial" temo em vista, geralmente, qualquer coisa mais: um regime em que esse aspecto vê aumentada a sua importância e/ou o seu peso relativo...em épocas de cortes?

Não é necessário reforçar, apenas dar poder efectivo, em 1981 a GNR metralhava os carros que fugiam aos controles e ninguém dizia nada

Inclusive foi morto um psiquiatra que fugiu a uma das ditas barreiras
e a única consequência foi a diminuição de consumo de dopantes pelos seus 500 e tal dependentes em Valium.

Até aos anos 90 no Ulster disparar contra carros em fuga era normal

Logo falar em estado policial, quando o respeito ou temor pela polícia é ainda mais baixo que em 75....é

Aqui por exemplo parte da polícia veio do vale do Tejo (Até Torres Vedras e do Alentejo até Melides, meia dúzia de filhos de beirões, o pessoal que eles prendem andou com eles na primária e veio das mesmas regiões, as classes médias tanto desprezam uns comp outros
Mesmo ser chefe de polícia não grangeia status

Já ser homem de mão dos antigos contrabandistas de tabaco e álcool
agora virados para coisas mais lucrativas dá status de empresário.

Estado policial...é piada né?