14/02/15

Sobre o piedoso atentado muçulmano de Copenhague

Perante um facto como este:


Una persona ha muerto y al menos tres han resultado heridas este sábado en un tiroteo en Copenhague durante una conferencia sobre la libertad de expresión y la blasfemia. En el debate, que se celebraba en un café-centro cultural, participaban el historiador y caricaturista sueco, Lars Vilks, y el embajador de Francia en Dinamarca, François Zimeray. Ambos están ilesos, según ha informado la policía en un comunicado. Vilks se hizo famoso por retratar a Mahoma como un perro en 2007. Desde entonces había recibido multitud de amenazas de muerte y vivía con protección. 
(…)
Las autoridades aún no han dado a conocer la identidad del fallecido, un civil de unos 40 años. De los tres heridos uno es policía y los otros dos agentes del servicio de seguridad danés (PET), que protegían el exterior de Krudttønden, el centro cultural al norte de la ciudad donde se celebraba el debate, titulado El arte, la blasfemia y la libertad de expresión y organizado por el Lars Vilks Comite

— o mais provável é que a resposta dos governos e outras instâncias "responsáveis" da UE seja, uma vez mais, depois de repudiarem o "terrorismo", recomendarem prudência, limitarem a liberdade de expressão, e nomeadamente impossibilitarem ou sabotarem a realização de novos debates do mesmo teor, invocando a "segurança pública" e a necessidade de evitar "provocações" — como têm feito em diversos casos já no pós-Charlie. O que deveria ser, para os activistas e membros dos diversos colectivos de diversa natureza que se reclamam da defesa e da extensão desses "valores ocidentais" que são o livre-exame, os direitos fundamentais, a laicidade do espaço público, uma razão mais para passarem à acção promovendo, contra o terrorismo dos islamitas fanáticos e o "liberalismo do medo" das oligarquias da UE, um, dois, três, muitos debates públicos sobre o mesmo tema, um pouco por toda a Europa — e tanto em solidariedade com os promotores da iniciativa que foi alvo do atentado como em legítima defesa da sua ameaçada condição de cidadãos. Por mim, muito gostaria de participar e poder contribuir para a realização de um ou vários debates, em Lisboa ou noutros lugares, que se propusesse explicitamente retomar a discussão interrompida pelo atentado de Copenhague. É que, se creio que a blasfémia por si só é de alcance democrático limitado, a destruição do direito a ela só poderá ser um triunfo devastador do irracionalismo e da barbárie.

3 comentários:

Anónimo disse...

Talvez goste de ler o artigo de Shiraz Maher transcrito ontem na "A Gazeta do Middlesex". Profético,é o minimo que se pode dizer, o que vem mesmo a calhar dado o assunto tratado.
manuel.m

Antonio Cristovao disse...

Tirando alguns -felizmente poucos -mentecapos que advogam limitar os debates , na UE não anglosaxonica as liberdades não estão a ser limitadas.
Como vimos o debate realizou-se com as autoridades a fazerem o seu dever - proteger os locais e as pessoas que poderiam ser vulneraveis.
Sobre o debater religioes e regras arcaicas devem ser debatidas pelos interessados. Debates públicos é descabido: temas a lei na UE e só essa é que tem que ser respeitada. As regras ou palhaçadas de grupos restritos só dizem respeito aos própios ou a lei se a ultrapassarem.
Pessoalmente até me sentiria diminuido se fosse dar importancia a regras que tinham cabimento há mil e quinhentos anos atras.

Miguel Serras Pereira disse...

A Bélgica não é um país anglosaxónico e retirou ou cancelou uma exposição, e há outros exemplos. Enfim, mas o que eu proponho são debatas abertos ao público em que, como resposta aos atentados e exigências da "resistência islâmica", se discutam temas como a blasfémia e a liberdade de expressão, a prioridade da democracia sobre os mandamentos religiosos, etc., etc.
Saudações republicanas

msp