21/10/11

Cá como lá?...

Enquanto o parlamento grego aprovavaentre outras medidas gravíssimas, a suspensão de todos os acordos colectivos de trabalho, membros da confederação sindical PAME serviam de primeira barreira de protecção ao parlamento, à frente da polícia de choque, atacando com bastões todos aqueles que tentavam alcançar o edifício e impedir a farsa pretensamente democrática que lá dentro ia-se desenrolando. Tendo em conta que a PAME ocupa o mesmo espaço político-social que a CGTP, constituindo-se como "braço sindical" do KKE ("partido-irmão do PCP"), e dado que há antecedentes preocupantes, só espero que quando estivermos "à grega" todos se lembrem o que de facto é preciso parar.

Entretanto, outra tentativa de ocupação ocorreu ontem. No Chile. Mas desta vez não houve polícia de choque, oficial ou não, que o impedisse. Foi o suficiente para obrigar os partidos (que se acham) em oposição ao governo de Sebastian Pinera, a prometerem introduzir legislação que imponha a realização dum referendo sobre a constituição dum sistema público de ensino.

15 comentários:

Bruno Carvalho disse...

Farsa é o senhor. Conte lá a história toda em vez de mentir. O PAME convocou um cerco ao parlamento. Depois de cercado, os anarquistas tentaram romper o cerco e invadir o parlamento, o que certamente provocaria a carga sobre o cerco do PAME. Nessas circunstâncias, o PAME defendeu-se. Quando acabou o cerco e o PAME abandonou o parlamento, não ouvi falar em nenhuma invasão por parte dos anarquistas. Porque será???

antónio m p disse...

As mídias, internacional e grega, difundiram as ações de grupos de provocadores e os tumultos pré-fabricados, visando caluniar e colocar por terra as manifestações da PAME e o conteúdo de seus slogans. É o papel tradicional dos grupos extremistas: comprometer as forças de esquerda perante a opinião pública de modo a desencorajá-la de se manifestar. E você não me parece tão ingénuo que não saiba disso, ou não traria o assunto para aqui!

Anónimo disse...

quando a luta aquece estes imbecis são os primeiros a contribuir para o divisionismo... mas ainda assim há uma dúvida que me assiste, porque é que os anarquistas ainda não fizeram nenhuma revolução na Grécia? porque é que não destituíram o parlamento?

o que é que os impede? são os comunistas, os sindicatos?

Pedro Viana disse...

Vamos então contar a história em mais detalhe:

"O PAME convocou um cerco ao parlamento."

O Parlamento há muito tempo que está cercado. Há manifestações e ocupações diárias da praça defronte do parlamento, que obviamente crescem em número em dias de maior coordenação da luta. Afirmar que a "ideia" de cercar o parlamento (que de efectivo cerco nada teria, tratando-se apenas de mais uma manifestação defronte do parlamento) veio da PAME é um embuste.

"Depois de cercado, os anarquistas tentaram romper o cerco e invadir o parlamento, o que certamente provocaria a carga sobre o cerco do PAME."

Como antes afirmei, cerco efectivo nunca houve. Sim, claro que os anarquistas tentaram ocupar o parlamento. Não são idiotas ao ponto de pensar que gritar slogans defronte do parlamento iria parar o que estava planeado lá ter lugar. Parou? Não, pois não?... É igualmente mentira que a polícia carregaria sobre a manifestação da PAME, em retaliação por deixar os anarquistas passar. Afinal. quando a PAME decidiu abandonar o local fê-lo sob protecção policial... De qualquer modo, desde quando é aceitável que um sindicato ataque pessoas que partilham da sua luta, porque se não fizesse tal trabalho sujo, efectivamente servindo de guarda de choque ao capital, a polícia carregaria carregar sobre eles?!... São homens ou ratos?!

"Quando acabou o cerco e o PAME abandonou o parlamento, não ouvi falar em nenhuma invasão por parte dos anarquistas."

Porque após o "trabalhinho" da PAME, escorraçando da praça defronte ao parlamento todos os que discordavam do modo "oficial" de comportamento numa manifestação, a polícia selou o local, fechando todas as ruas que lhe dão acesso.

Quanto ao comentário do antónio m p, deixo-lhe esta pergunta: quando o simples desfile nada alcança, o que acha que se faça? Baixar os braços? Não concordo com a utilização de tácticas violentas na contestação ao poder instituído, a não ser que este resolva começar a matar indiscriminadamente. Mas existem outros modos de luta, em particular através da ocupação não-violenta do espaço público, nomeadamente aquele que simbolicamente está associado ao poder instituído. Se isso ilicitar uma resposta violenta da polícia, que assim seja, pois tal irá descredibilizar o poder instituído perante a população.

João Valente Aguiar disse...

Pedro Viana, vc acha mesmo que se os anarquistas rompessem o cerco a polícia não ia a eito bater em quem estivesse à frente? Lembre-se da manif da CGTP no Porto (1º Maio de 82, depois da famosa provocação da UGT). Aquilo foi um arrear de porrada em quem passava, fosse da CGTP, fosse um simples trauseunte. A bófia quando quer sair a bater não olha mto a quem. Vai tudo à frente. Aliás, aconteceu o mesmo a um grupo de malta anarquista em Setúbal aí há uns meses, bem como aí há uns anos no seguimento do 25 de Abril.

Deixo-lhe um apelo:
Mobilize os seus amigos, colegas, camaradas, familiares, o cão, o gato, sei lá que mais para a Greve Geral e para os piquetes de greve ou a forma de luta mais avançada que os anarquistas advogavam no início do século XX já se tornou coisa do passado? Espero, sinceramente e apesar das imensas diferenças que distinguem comunistas e anarquistas, que não seja o caso.

Luis Ferreira disse...

Se o tal "cerco" ao parlamento era para protestar contra o que se estava a passar lá dentro, então não devia virar-se contra outros manifestantes que lá estavam com o mesmo propósito. Não bastava a dureza da repressão policial, não bastava a coordenação da polícia com a extrema-direita, não bastavam os simulacros de contestação que o KKE promove com a teatralização de quase-investidas contra barreiras policiais, não bastavam as condenações dos protestos "violentos" pela esquerda parlamentar e ainda vemos os militantes do KKE a assumirem-se como guardiões do parlamento a fazerem o serviço sujo da polícia.

As forças da esquerda (parlamentar) não precisam de ninguém para se comprometerem, fazem-no muito bem sozinhas com as posições políticas que tomam. Infelizmente arrastam para estes absurdos as suas bases militantes que confiam nelas para os coordenar na luta. Os grupos radicais acabam por esbarrar na inércia e no conservadorismo dessa esquerda que se move nos corredores do poder.

Luis Ferreira disse...

O exemplo do 1º de Maio deste ano em Setúbal que o João Valente Aguiar foi buscar é bom, mas só serve para perceber que a polícia, cá como na Grécia, não precisa de invasões ao parlamento ou de outro pretexto, para investir violentamente contra manifestantes.
Não é líquido afirmar que se nos portarmos bem a polícia não investirá. Pode ser que sim, pode ser que não, depende de muitos factores. Muitas vezes é a própria polícia a infiltrar agentes nas manifs para iniciar os confrontos, como já foi documentado em diversas situações.

luis f disse...

antónio m p, quem usa o termo "extremistas" para designar os anarquistas e outros radicais são precisamente os media de que se queixa.

Pedro Viana disse...

João Valente Aguiar, como afirmei no meu comentário anterior, não é particularmente relevante, a meu ver, a eventual atitude da polícia para com os outros manifestantes defronte do parlamento, na eventualidade duma tentativa de ocupação do parlamento grego pelos anarquistas. Até pode ser que carregasse sobre todos os que aparececem pela frente. Mas isso não justifica, como antes afirmei, que alguém, porque tem medo de ser atacado pela polícia, decida então fazer o seu trabalho sujo. Tal atitude só posso designar por cobarde: bater nos mais fracos,para escapar à ira dos mais fortes.

Miguel Serras Pereira disse...

JVA,
a greve geral era entendida pelos libertários e sindicalistas revolucionários (enfim, por certas correntes importantes da galáxia) não como uma jornada de protesto ou reivindicação parcial: era uma insurreição que visava instaurar a gestão da produção pelos produtores associados e substituir ao Estado e aos seus aparelhos a organização das condições colectivas da existência. Era o núcleo da "luta final" e não uma jornada de um dia e com objectivos limitados.

Não me parece nem desejável nem razoável pretender ressuscitar o método tal como era preconizado em condições muito diferentes das actuais e depois das experiências históricas desde então havidas. Há qualquer coisa de muito importante que permanece válida, em meu entender, no "modelo" (a auto-organização, a solidariedade indissolúvel entre a luta económica e o combate contra a organização hierárquica em todos os domínios da organização colectiva, etc.), mas creio que ninguém no seu juízo perfeito dirá muito mais do que isto. E confundir a greve marcada pela CGTP e a UGT com uma jornada visando os propósitos da greve geral clássica parece-me um deslize inesperado da sua parte. Ou não será?

msp

João Valente Aguiar disse...

MSP,

o fundamental é a mobilização para a greve geral de dia 24.

As razões são mais do que justas e devem juntar todos aqueles que não se revêem nas políticas das troikas nacional e estrangeira e que lutam por uma saída anti-neoliberal.

Claro que a greve geral era entendida noutros moldes mas a minha chamada de atenção prendeu-se com a necessidade apelar à participação na greve Geral de dia 24 de novembro. Para outra altura se discutirá as diferenças conceptuais e práticas da greve geral de massas para diferentes correntes políticas.

Miguel Serras Pereira disse...

JVA,

de acordo, então. Também eu penso que um fracasso ainda que relativo da greve de 24 será desastroso para a enorme maioria da população. Dito isto, penso, tal como já disse e o Pedro Viana tem sublinhado desde há mais de um ano e há pouco a Gui Castro Felga também assinalou, que, antecedendo-a ou seguindo-se a uma greve geral deste tipo, seria necessário a utilização de outro tipo de greves, instalando uma autêntica "guerrilha", capaz de impedir o funcionamento normal da administração e da actividade económica. E penso igualmente que é necessário adoptar na organização das lutas e reivindicações as formas da participação democrática da base, a autogestão igualitária da acção. Se queremos lutar efectivamente contra o "neoliberalismo" e todas as formas de dominação classista e pela socialização democrática do exercício do poder político nas esferas da economia e do conjunto do governo colectivo, teremos de usar os métodos e a lógica a que esses fins nos vinculam. Para começar e até ao fim. Branco é, galinha o põe.

Cordiais saudações democráticas

msp

Dédé disse...

"As carraças, também vulgarmente denominadas carrapatos, são parasitas externos que se alimentam exclusivamente do sangue de uma grande variedade de hospedeiros. Existem no nosso país cerca de uma dezena de espécies de carraças. As carraças passam cerca de 90 % da sua vida fora do hospedeiro. A prevenção é a melhor arma no controlo das carraças e doenças por elas veiculadas."

Anarcobardia disse...

Mais uma vez, os agentes provocadores do Blek Blok e similar escumalha tentam fazer furar uma manifestaçäo. Tal como em Roma no 15 de Outubro e por aí fora.

Se os anarcas querem assim tanto invadir o Parlamento, façam-no sozinhos, e näo a cavalo de uma manifestaçäo dos sindicatos. Entäo? Para isso näo têm tomates?

Depois choram que säo "segregados" pelos "estalinistas. Ah pois, foi o mesmo no 12M e pelas mesmas razöes! Os PCs têm as costas quentes, e já levaram porrada que chegue para querer levar mais por culpa alheia!

Näo, o que os anarcas querem é fazer a opiniäo pública virar-se contra os manifestantes. Ou seja, eles é que fazem o papel de Estaline na Guerra Civil Espanhola. Muito obrigado por nada.

Marco disse...

Porque não explica de forma mais extensas as "forças" presentes no Maio chileno?

A tese da demonização saíria abalada?

A questão fundamental no caso da Grécia já foi aqui levantada:
porque razão os anarquistas esperam pela boleia do PAME?

Eu sou um acérrimo defendor da unidade da esquerda bem como da crítica ao funcionamento dos «partidos de novo tipo» na conjuntura política actual.

Mas confundir pluralidade e unidade com "fantasias" insureccionais...