07/06/11

Louçã

O Bloco dificilmente encontrará um líder tão brilhante como Francisco Louçã. No dia em que Francisco Louçã deixar de ser líder do Bloco, seja depois de amanhã ou daqui a cinco anos, na verdade resta ao Bloco uma solução: regressar a uma direcção colegial, semelhante à que teve, de algum modo, nos seus primeiros tempos. E não será uma solução menor. Porque melhor do que um líder brilhante, só mesmo não ter um líder.

ps - em tempos, na fase em que o meu reformismo estava em melhor forma do que hoje, tive uma tese algo contrária, que passava por elogiar Carvalhas em detrimento de Cunhal, com o argumento de que num partido comunista, e portanto dirigido à igualdade entre todos os seus membros, seria preferível ter um líder fraco como o Carlos a ter um líder forte como o Álvaro...

6 comentários:

brunopeixe disse...

Ok, as propostas políticas de igualdade entre todos não se devem contradizer em acto, defendendo e praticando lideranças fortes e carismáticas.

Mas parece-me que a conclusão lógica a tirar deste princípio é diferente da tua. Diferente numa palavra que faz toda a diferença. Assim, diria que melhor do que ter um líder brilhante, só mesmo não ter líder. Não « um líder », mas « líder ». Porque é que uma direção colegial é mais igualitária do que uma liderança unipessoal? Ou uma oligarquia mais justa do que uma monarquia?

Parece-me que a escolha não se pode por entre o UM e os Poucos. Nesse sentido, pareceu-me infeliz a assunção de responsabilidades pessoais por parte do Francisco Louçã na noite eleitoral. Parecia um líder a falar.

Miguel Serras Pereira disse...

Caro Bruno,
o Zé responder-te-á o que bem entender, mas eu gostaria de comentar brevemente o teu comentário.
Em princípio, uma direcção colegial pode ser tão ou mais tirânica do que um secretário-geral. Mas isso não impede que a unipessoalização da liderança seja um traço recorrente da dominação classista concentrada. Esta regularidade histórica mereceria mais atenção e interrogações do que, de momento, posso. Mas creio que é inegável.

Segundo ponto, e menos controverso (talvez): é mais verosímil que certas funções que hoje são desempenhadas em termos (classistas) de liderança, direcção hierárquica ou chefia assumam a forma colegial se e quando passarem a sê-lo em termos democráticos (igualitariamente colectivos) por magistrados mandatados e subordinados ao poder dos que os mandatam. O autogoverno colectivo, apesar de tudo, não é a ausência de governo, mas um governo diferente, instituindo uma forma alternativa de exercicio do poder - devolvendo o exercício do poder à liberdade e responsabilidade das mulheres e homens comuns. Ora, uma magistratura unipessoal tenderá mais facilmente a substituir à delegação o halo ou aura mítica da "representação" do que um corpo de mandatários a cuja identidade não possa sobrepor-se uma identidade pessoal, um nome próprio, uma condição monárquica. (Na medida em que sejam necessárias magistraturas cerimoniais ou protocolares unipessoais do tipo "presidente da república", mas não "chefe de Estado", estas deverão ser tiradas à sorte.)

Mas, enfim, tens razão numa coisa: a tua fórmula - "melhor do que ter um líder brilhante, só mesmo não ter líder" - é mais explícita do que a do Zé. Não creio, todavia, que tenhas razão quando detectas no "um" do Zé a expressão de uma lógica hierárquica e exasperas a diferença entre as duas formas. Apesar da prioridade ontológica que o teu filósofo concede às matemáticas, a palavra política não tem "matema", do mesmo modo que a política não releva de uma ciência nem da aplicação exacta de um saber exacto.

Por fim, concordando embora de todo o coração com a tua tese segundo a qual "a escolha não se pode pôr entre o UM e os Poucos", acho que voltas a enganar-te quando dizes de FL que "parecia um líder a falar". Era, de facto, um líder a falar: um representante e não um simples porta-voz ou delegado como democraticamente conviria que fosse o caso.

Abraço para ti

msp

Vox disse...

Post sobre o BE e Louçã:
http://comunicador-vox.blogspot.com/2011/06/o-bloco-de-esquerda.html

Zé Neves disse...

Bruno, acho que apesar de tudo existe uma diferença entre assumir-se como líder para colher demérito do que para colher mérito. Não é uma diferença de natureza e por isso compreendo a tua crítica, mas é uma diferença.

Em relação à questão do UM e dos POUCOS, de acordo, anotando porém as ressalvas que o Miguel faz no post dele. Nas associações de estudantes, por exemplo, a malta do pcp fazia questão (em regra, tenho ideia mas falo já de cor) de não apresentar um candidato a presidente e de apenas fazê-lo se fosse exigido pelos estatutos da respectiva ae. Sei que não é uma diferença radical, de novo, mas ainda assim...

abç

Carlos Vidal disse...

O Carlos acabou de me telefonar dizendo achar a tese do lider fraco muito consistente e coerente. Para comunistas, evidentemente. Ele próprio assumiu essa conduta no partido: o menos-líder é portador de uma dinâmica propulsora da igualitarização. A argúcia do Zé Neves deve ser sublinhada. Quanto ao Álvaro é que estou confuso: é o autor de "A arte, o artista e a sociedade"?

Grande abraço.
Carlos Vidal
Carlos Vidal

Anónimo disse...

o messias chegou e eu não sei de nada.
porra.

LOL

porra, tenham santa paciencia, o bloco tem muita malta inteligente. pensando bem, talvez tenham gente inteligente a mais. lol lol