26/01/11

Onde os amanhãs nunca param de cantar

Assim se a análise do CêCê do PêCêPê:

A votação obtida por Francisco Lopes – mais de 300 mil votos e 7,2% – constitui uma inequívoca afirmação de combatividade e de exigência de uma profunda mudança na vida nacional.
(…)
O resultado obtido por Cavaco Silva encerra inegavelmente um juízo negativo sobre o seu exercício na Presidência da República.
(…)
O resultado obtido por Manuel Alegre, apoiado pelo PS e pelo BE, traduz-se numa votação significativamente abaixo das suas proclamações e é inseparável das contradições, ambiguidades e comprometimentos com o actual rumo do país.
(…)
A permeabilidade de sectores do eleitorado a um discurso populista e demagógico, patente nos resultados de Fernando Nobre e José Coelho, para lá das motivações dos eleitores que viram nestas candidaturas uma forma de protesto, não pode ser desligada da crescente protecção mediática na promoção de falsas soluções e inconsequentes opções que são, em si, uma garantia de estabilidade à política de direita e aos seus promotores.

São "os maiores", cheios de fé clubista. Pois, como se vê, ali só se avança (até à perda final de eleitorado). Com toda a confiança. Sem tempo para reflexão e autocrítica, modalidades de ociosos ao serviço da direita e do grande capital. Tal e qual.

(publicado também aqui)

9 comentários:

Anónimo disse...

Parafraseando o Jerónimo... são os bloggers que temos! Continua tu a teclar até à vitória final.

josé manuel faria disse...

Nobre com protecção mediática?

Nobre teve contra si todos os comentadores e partidos políticos.

A comunicação social deu 10 vezes mais tempo de antena a Francisco Lopes e Jerónimo de Sousa que a Nobre.

E, mesmo assim valeu o dobro de Lopes.

Alguém imagina onde chegaria Nobre com o tempo de antena de Alegre (
5%), pois, facilmente passaria à 2ª volta.

A 2/3 do acto eleitoral centenas de milhares não sabiam quem era o Nobre.

josé manuel faria disse...

Queria dizer: Alegre com mais 5% e a 2/3 dias (...)

VÍTOR DIAS disse...

Como se sabe, espírito autocrítico é o que mais se tem visto da parte de apoiantes de Manuel Alegre,
a começar por Francisco Louçã na noite das eleições.

Nenhuma das citações feitas de Jerónimo de Sousa ontem é passivel da interpretação global que o autor do «post» lhes dá.

Enfim, é o costume.

LEBRE disse...

Se Nobre não teve protecção mediática, então o que dizer do candidato José Manuel Coelho!

procurou apoucar o homem (as entrevistas da RTP e da TVI foram um nojo: os "jornalistas" não fizeram perguntas, lançaram provocações...)

Toda a comunicação social (e não só...)confundiu humor consequente - que é sempre uma prova de inteligência! - com menoridade mental.

E Coelho deu uma lição do que é uma agitprop eficaz.

Todas as sondagens pré-eleitorais lhe davam 2% e, mesmo no dia das eleições, todas os canais, às 20:00, não lhe davam mais de 4%.

Teve 4,5%! Já para não falar da votação histórica que alcançou no quintal do Jardim.

Somado aos 4,26% de votos brancos e aos 1,93% de nulos dá a expressiva soma de 10,69%, ou seja, cerca de meio milhão de portugueses disseram expressamente não se reverem no actual sistema político (PC incluído!).

Este é o facto político mais saliente destas eleições.

Já agora: por que é que Nobre diz ter protagonizado a "candidaduta da cidadania"? Ir a votos(qualquer que seja o candidato e o pertido que o apoiar)e votar não são em si actos de cidadania? Se com a expressão quis dizer que não teve um partido formalmente a apoiá-lo, teve-o informalmente (tipo gato escondido com o rabo de fora...), a ala soarista do PS?

LAM disse...

Vitor Dias,
Só um esclarecimento: isso quer dizer o quê? Que concorda que o PCP, a candidatura a presentada pelo PCP, também saiu derrotada destas eleições, ou nem sim nem não e antes pelo contrário?
Se acha que a "interpretação global" dada por J. Tunes não está correcta, é legítimo pressupor que também considera fraca a votação conquistada por F. Lopes. Se assim for saúdo-o por ser a 1ª pessoa da área do PCP a reconhece-lo.

VÍTOR DIAS disse...

Para LAM :

A minha interpretação global dos resultados da eleição presidencial já a dei na minha chafarica para aí às 22 horas de domingo e não a rectifico.

Informo que ao contrário do que este post pode querer incutir (sobretudo por aquela do «até à perda final»), em nenhum sítio da declaraçãio de Jerónimo de Sousa aparece a palavra vitória.

Por fim, como já tenho feito noutras vezes, aproveito para «celebrar» como os não comunistas continuam a dar vida a uma fórmula - os «amanhãs que cantam» (desarrincada pelo comunista fuzilado Gabriel Peri) - que, tendo feito o seu tempo, os comunistas NÃO USAM HÁ 50 ANOS !.

Mas eu, apesar de não a usar, preferirei sempre os amanhãs que que queiram cantar aos amanhãs que zurram ou choram que todos os dias nos oferecem numa bandeja.

LAM disse...

Vitor Dias,

Que não seja pelos "amanhãs que cantam". E se nós pudermos cantar junto com eles, tanto melhor.

A questão levantada, e vc percebeu-o tanto quanto eu ou outra pessoa, tem que ver com o tom geral do discurso (comunicado ?) de Jerónimo de Sousa. Nem tem que ver com o uso de alguma palavra específica como "vitória", apesar de que, em muitas frases no texto, não anda muito longe a glorificação da campanha e do resultado de Francisco Lopes.
Volto a repetir o que já deixei noutros comentários: é uma pena que os partidos de esquerda não tirem as conclusões devidas destas eleições, antes se acantonem em omissões ou declarações fantasiosas para justificar estes resultados.
Assim, com grande pena nossa, não estou a ver "amanhãs que cantem"...

p.s. li a interpretação que deu na sua "chafarica". Creio que não é pela interpretação dos números que vamos lá. Arriscaria mais: isso agora não vale nada. Se não houver outra interpretação política para estes resultados que perspectivem outro tipo de intervenção no futuro, não aprendemos nada.

rui disse...

no meio do desconcerto geral, o caso nem é excessivamente relevante, mas se se pode aceitar como inquestionável que "a votação obtida por Francisco Lopes – mais de 300 mil votos e 7,2% – constitui uma inequívoca afirmação de combatividade", pelo menos de quem participou na sua campanha, como é possível associá-la à "exigência de uma profunda mudança na vida nacional"?
Como é que 7,2% dos votos num universo de metade dos eleitores inscritos constituem essa "exigência"? Como é possível ignorar que a "indiferença" manifestada na abstenção se aplica a todos os candidatos e por maioria de razão àqueles que se assumem como "alternativos" e "de ruptura" mas que na realidade são vistos pela esmagadora maioria do eleitorado (os abstinentes, os votos brancos e nulos activos) como parte integrante do sistema? Como diminuir a deprimente vitória anunciada do Cavaco, quando o resultado prático da eleição serão mais cinco anos de Cavaco em Belém, e metade dos potenciais votantes se absteve de tomar posição entre a "ruptura" e a pastosa continuidade? O que significa "inscrever" na campanha determinadas ideias se o resultado prático é uma votação inferior (seja em 300 mil, seja em 50 mil, o que interessam essas aritmeticazinhas, afinal estamos a falar de peanuts...) que nem a abstenção desculpa (para não falar no record de votos brancos e nulos, a maioria activos contra TODOS os candidatos, incluindo o FL em rigoroso pé de igualdade com o Alegre, o Cavaco e o Nobre...), já que a "inscrição" dessas ideias tinha, supõe-se, como objectivo, mobilizar as pessoas para votarem num candidato e absterem-se de se absterem? É isto, apenas, que eu leio no post...