31/01/11

Valhalla Rising: o Inferno na Terra


Valhalla Rising é uma das poucas obras-primas que o Cinema já nos ofereceu neste milénio tão bisonho. Um filme com pouco mais de 2.000 palavras faladas e dominado de fio a pavio pelo peso tremendo da Natureza; dos maciços rochosos ao nevoeiro oceânico, os corpos e rostos humanos encontram-se sempre subjugados pela imensidão hostil dos elementos. Corpos e rostos. Filmados com a solenidade hierática de um Dreyer, mas sempre possuídos por paroxismos de violência e crueldade, como se alguém se tivesse lembrado de encenar um Mad Max metafísico.
O dinamarquês Nicolas Winding Refn filma esta epopeia celebrando o gore quase insuportável, agredindo-nos com erupções de planos oníricos/alucinatórios tingidos da cor do ódio que banha todas as acções do protagonista. E a presença constante de uma música espectral e áspera apenas sublinha a precariedade de vidas subjugadas pelos seus demónios, perdidas num mundo de que nem a cartografia conhecem. Aquelas almas condenadas sabem-se impotentes para alterar o mundo; todas as edificações que vemos são transitórias, frágeis: crucifixos, uma jaula, monumentos fúnebres. Apenas uma aura quase imperceptível rodeia alguns daqueles homens perdidos, modulando as paisagens que os rodeiam com a fugacidade enigmática das coisas verdadeiramente sagradas.
Comprem este filme, arranjem-no como quiserem. Mas não se privem desta hora e meia que me restaurou a crença nas capacidades do Cinema de hoje.

6 comentários:

PP disse...

é muita bom é.

Sarcodina von Mastigophora disse...

Aquelas almas condenadas condenadas sabem-se impotentes para alterar o mundo; todas as edificações que vemos são transitórias, frágeis

para quê ver o filme

o tema passa todos os dias nos noticiários

o filme é uma visão estilizada das realidades futuras

Luis Rainha disse...

Ao menos o filme termina encenando a possibilidade de sacrifício, de redenção. Os telejornais acabam com anúncios.

J disse...

É isso tudo e mais alguma coisa. Afinal não estou só e há mais quem tenha visto esta pérola! Ora bem. Um filme verdadeiramente surpreendente que retrata de forma brutalmente realista a idade média, sobretudo no norte da Grã-Bretanha. No final fiquei também com a impressão que o realizador é fã do Terrence Malick. E ainda bem. A não perder, sem dúvida.

PP disse...

Mais suprendente é o trabalho anterior do realizador ser a triologia Pusher sobre o submundo de Copenhagen, também bastante bom, mas sem dúvida muito urbano e sem a lentidão pesada deste. Quando o vi no cinema pareceu-me um Herzog Black Metal.

nat disse...

Luis Rainha disse...
Ao menos o filme termina encenando a possibilidade de sacrifício, de redenção

sim ao bom estilo americano

do mártir

tem qualquer coisa de messiânico

há anúncios que também transmitem
mensagens positivas

de redenção....

mas o filme é interessante lá isso é