02/01/11

Ainda um dia se vai saber quem o inventou (criou)

Alberto Gonçalves, no DN:

O eng. Sócrates detecta sinais de recuperação económica em Portugal. O eng. Sócrates sabe que a crise é internacional e a maior das últimas oito décadas. Apesar da crise, o eng. Sócrates encontra-se optimista. O eng. Sócrates não recua perante as adversidades. O eng. Sócrates possui energia interior. O eng. Sócrates aposta nas energias renováveis. O eng. Sócrates mudou o país. O eng. Sócrates é fanático da educação. O eng. Sócrates é reformista. O eng. Sócrates é nosso amigo. O eng. Sócrates é solidário. O eng. Sócrates é confiante. O eng. Sócrates é responsável. O eng. Sócrates é exigente. O eng. Sócrates é consciente.

Esta torrente de banalidades, anedotas, delírios, alívios, sentimentalismo e descaramento foi emitida no dia 25 de Dezembro, mas podia tê-lo sido na semana, no mês ou no ano anterior. A bem dizer, desde 2008 que, na época natalícia ou na época que calha, o homem não diz coisa diferente. E embora, como os sequestrados que levantam o jornal do dia para confirmar a data da fotografia, o eng. Sócrates tenha mencionado pormenores e proezas recentes, isso qualquer truque de montagem explica.

Truques à parte, eis um mistério: por um lado, o carácter intemporal e absurdo das proclamações do eng. Sócrates sugere que ele já não partilha a realidade connosco; por outro, o estado calamitoso dessa realidade sugere que ele não deve andar longe. As ruínas que ele não parece habitar exibem a sua marca inconfundível. Se o eng. Sócrates não existe, terá de ser imaginado.

(publicado também aqui)

3 comentários:

gripe disse...

a FÉ é tudo e o homem nada

por vezes o homem é nada e a fé tudo

e variações

a fé no homem ser tudo

é bom para a auto-estima

é o que falta ao povo e sobra aos líderes

aquilo de não se ser profeta....

um pessimista em terras lusas é inelegível

brunopeixe disse...

João Tunes,

fico sem perceber a quem se dirige a fina ironia do título do seu post: ao Sócrates ou ao Alberto Gonçalves Sociólogo?
Faz sentido que seja o primeiro, embora a invenção do Gonçalves me pareça mil vezes mais desastrada.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

O PIOR É QUE O HOMEM EXISTE E CONTINUA A FAZER m****