08/01/11

Post curativo

E para aliviar a agonia por um adesivo mal passado, passo a um texto de Rui Bebiano que assino por baixo por colocar em termos em que me revejo o fundamento da minha adesão ao voto em Manuel Alegre no próximo dia 23, aquele em que, de certeza, não ficarei em casa:

Por entre o ruído, do «diz-se que», do «afinal o tipo», do «como seria de esperar», «ele fez», «ele disse», que padroniza os candidatos por baixo reduzindo-os à condição de supostos malfeitores, existem sentidos, expectativas, que independentemente dos rostos que os protagonizam perfilam campos muito diferentes. Por isso me parece que acima das caras se deve colocar o futuro que elas podem não pontuar mas com toda a certeza anunciam. Por isso também não possa ser indiferente, a quem não se reconheça na personalidade de qualquer dos candidatos e não acredite em seres perfeitos e providenciais, aquilo que cada uma delas representa. De acordo com a nossa Constituição, um Presidente da República não governa, pouco pode prometer e tem um papel semelhante ao do quarto árbitro de futebol: só participa no jogo quando instado pelas circunstâncias. Mas aquilo que pode simbolizar, os sinais que emite em termos de mobilização da vontade colectiva, de representação da comunidade, de capacidade para alertar, mobilizar ou resistir, pode ser muito significativo. No dia 23 votarei num candidato no qual sob múltiplos aspectos não me revejo, com quem por vezes até implico, mas que representa a família política a partir da qual – apesar das atribulações passadas, dos defeitos presentes e das incógnitas futuras, comuns aliás a todas as histórias de família – consigo vislumbrar a construção de um país mais justo e mais decente, de uma política um pouco menos conformista, da necessidade de viragem. Votarei na «Voz».

(publicado também aqui)

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