24/06/10

Polícia em todo o lado, justiça em lado nenhum


Os relatos das agressões a que foram sujeitos dois jovens da Cova da Moura, na madrugada de Domingo, às mãos da PSP da Amadora,  e algumas discussões que deles resultaram, parecem-me passar ao lado da questão mais importante. Abusos, agressões, insultos, são coisas comuns nos subúrbios de Lisboa e poucos serão os que nunca foram mal tratados pela polícia por estarem sentados num banco de jardim à noite, fumando tranquilamente a sua ganza e/ou bebendo a sua litrosa.
Mas o caso aqui é distinto e bastante mais significativo. Hezzbolah e LBC são dois militantes e activistas da luta contra a repressão polícial. Não se limitam a lamentá-la ou a sofrê-la em silêncio: denunciam, lutam, organizam, produzem conflito social. Organizaram uma manifestação quando foi assassinado Edson Sanches no ano passado. Dinamizam a Plataforma Gueto. Acompanham a situação política e assumem uma posição face a ela. Não por acaso, desceram a Av. da Liberdade a 29 de Maio, integrados na manifestação da CGTP, como o fizeram outras pessoas que acorreram à concentração anti-capitalista. 
E é por isso mesmo que já há algum tempo relatam a perseguição a que são submetidos pela polícia no sentido de os intimidar e dissuadir de lutar. O que aconteceu  Domingo na Amadora não foi um «incidente» mais, que se possa colocar na longa lista de abusos policiais. É um sinal político de que a mobilização de pessoas das classes sociais mais pobres e subalternas assusta os responsáveis pela repressão e os leva aos mais desesperados actos de crueldade. Eles foram torturados numa esquadra para que se deixem de «políticas». Para que fiquem no seu canto. Para que parem de lutar. Não houve nenhum equívoco na actuação daqueles polícias. Tratou-se de uma operação táctica. Eles batem porque têm medo e  têm razão em ter medo.

1 comentários:

stipouff disse...

obrigadinho pelo bocadinho de lucidez!