13/12/10

Nem a educação lhe escapa de tanto que ele gostaria de a entregar, paga por todos, aos seus compadres sacerdotes

César das Neves, o Casto & Privatizador, no DN:

O Estado tem a função decisiva de vigiar a qualidade escolar. Mas não há razão para se envolver no negócio das aulas. Para quê meter-se entre pais e professores, cobrando impostos aos primeiros para pagar salários aos segundos? Para quê o Estado proporcionar ensino aparentemente de borla, que fica caríssimo pelas distorções e desperdícios que causa? Pior, depois de arruinar múltiplas escolas com concorrência desleal, ainda se finge magnânimo apoiando alguns colégios nos contratos de associação, anomalia a eliminar logo que a escola pública seja universal.
A alegada razão disto tudo é dar aos pobres acesso ao ensino. Mas se é essa a finalidade, deveria entregar o dinheiro dos impostos aos necessitados, deixando-os escolher. Este mecanismo do cheque-educação seria mais barato, justo e sobretudo excelente para os carenciados, livres de inscrever os filhos no melhor, em vez de ficarem presos à escola pública gratuita. Todos beneficiavam.


(publicado também aqui)

4 comentários:

Fernando disse...

Quando aparecessem escolas muçulmanas, judaicas e budistas a concorrer aos cheques, se calhar ele indignar-se-ia. De resto, penso que não é preciso ser de Direita para perceber que não há almoços - nem Educação - grátis.

joão viegas disse...

A função primeira do ensino publico é aumentar o nivel de educação da população portuguesa, por forma a que deixe de ser possivel vermos bestas como a que cita publicarem em jornais nacionais artigos de tamanha indigência intelectual.

Alias, eu penso que uma medida ainda mais eficaz do que dedicar verbas ao MNE, seria mandar traduzir este tecido de cretinices para varias linguas e fazer com que se publicasse noutros paises. Não tenho duvidas nenhumas de que os fracos custos seriam amplamente compensados por donativos feitos por cidadãos do mundo alertados para a necessidade imperiosa de melhorar rapidamente a pasmaceira portuguesa...

Pedro disse...

É que as escolas privadas brotariam como pipocas, por todos os cantos do país, logo que os pais deixassem de pagar a parcela dos seus impostos que vai para a educação. O Colégio Valsassina e o Colégio das Escravas do Sagrado Coração de Jesus (aposto que existe), vão instalar-se as duas, em regime de franchising, na Pampilhosa da Serra, e assim os pequenitos já podem escolher. É tipo mercearias, ou bombas de gasolina.

Anónimo disse...

A Suécia, ponta-de-lança da social-democracia, optou pelo cheque escola há uns 20 anos e não se saiu mal. Concordo que por ser por ser um país altamente descentralizado se pode sair melhor que nós, no caso de meios pequenos...
Penso que o aparecimento de escolas elitistas que querem captar os melhores alunos pode ser interessante. E penso que o mercado iria ditar o aparecimento de mais escolas técnicas para os que não estudam, não querem estudar e hoje continuam a ser obrigados. Existe uma quantidade absurda de iletrados a fazer o 12º ano, que depois até optam pelo canudo universitário (muito mais barato que o custo real) e tudo. Eu pergunto: para quê? Para o curso ser pago dos bolsos de todos e o exímio estudante acabar por não ser absorvido pelo mercado para o qual está qualificado?