11/02/11

Democratas que têm medo da democracia


"Imagine-se agora o que anotaria um observador norte-americano da mesma escola de pensamento de Pacheco Pereira escrevendo sobre Portugal no dia 28 de Abril de 1974 (três dias após a Revolução dos Cravos e no auge da Guerra Fria, portanto), adaptando apenas ligeiramente as suas palavras actuais à realidade portuguesa daquela época (os sublinhados, naturalmente, são da minha responsabilidade):
«Em Portugal, tudo pode ainda vir a correr bem, sem Caetano, e com mais democracia, mas o que se está a passar é ainda demasiado confuso para se começar a bater palmas. Na verdade, Portugal foi a pátria de diversos movimentos revolucionários, e a organização que individualmente mais moldou esses movimentos é o Partido Comunista Português, que, sabe-se, não teve até agora papel fundamental nos protestos. Mas o grupo existe, tem força e uma longa história de perseguições por parte de Salazar e Caetano, e representa uma presença activa contra a democracia e a liberalização da sociedade portuguesa.  A queda de Caetano significa o fim de uma ditadura, mas também tira do poder um político que sempre foi um travão à influência comunista. Para haver democracia em Portugal não basta derrubar Caetano, é preciso impedir que, no vazio do poder, ascenda o Partido Comunista
 Por outras palavras: podemos supor sempre o pior para justificar o injustificável. Também houve uma época em que não faltava quem garantisse que Portugal precisava do seu Mubarak para conter a expansão do comunismo."
Pedro Correia, Delito de Opinião

1 comentários:

one hundred trillion dollars disse...

assim é admite-se a democracia que tem semelhanças à nossa, uma democracia com um certo pendor teocrático é admissível na américa do norte e latina

O bible belt é democrático

O coran belt é anti-democrático mesmo que a maioria o apoie

é que a democracia é uma concepção das classes médias

logo não serve quando outros tomam o poder