24/02/11

Em resumo, é isto

A Europa, que negou à Turquia a entrada na União (eram pretos, eram árabes, cheiravam mal), que negociou cordões de segurança com a Líbia para conter a imigração ilegal (eram pobres, eram porcos, falavam alto) manifesta agora a sua comoção perante um povo que se levanta pela liberdade e pela justiça, nas palavras meigas de Rompuy.
De um dia para o outro fechamos a tenda, espantamos os camelos e mandamos o líder carismático para a puta que o pariu. A festa estava boa mas há um povo que se levanta, Muamá. E quando um povo se levanta, a Câncio desperta de seis anos de anestesia realista e já não há nada a fazer. Quando um povo se levanta limpamos o pó aos valores e a senhora Muznik discorre sobre os riscos do fundamentalismo islâmico. Quando um povo se levanta a nossa direita liberal-salazarista incha de virtudes democráticas e recorda Chávez, Fidel Castro e Erdoğan mas esquece, porque estão tão longe, Berlusconi ou Sarkozy.
Ah, isto vai soar lindamente nas ruas do Cairo e nos arrabaldes de Tripoli. A Europa dos direitos, a Europa dos princípios, a Europa que lhes cerrou fronteiras, que lhes mimou os vergudos, que os fodeu com punhos de renda enquanto estavam prostrados agora levanta-se para os aconselhar.
Ajuda-te a ti próprio e todos te ajudarão, dizia Nietzche. Vai aprendendo, Abdul.

19 comentários:

one hundred trillion dollars disse...

em resumo se ele ganhar como os argelinos em 91 é uma vitória das luzes sobre o obscurantismo religioso

Anónimo disse...

E se estas revoluções produzem elites que são tão corruptas, autocráticas e repressivas como aquelas que foram depostas??

A Muznik tem razão, Ana. O fundamentalismo islâmico não é uma ficção. Sabes o que aconteceu à Lara não sei das quantas, a jornalista da CNN que foi atacada e molestada por uma multidão no Cairo recentemente. Enquanto lhe batiam gritavam: Judia, Judia...(ela nem sequer é judia)

Achas que todos os que se insurgiram contra os ditadores são democratas?

As revoluções só se avaliam depois de institucionalizadas.

Anónimo disse...

Vocês andam todos histéricos.
Que falta de bom senso. A UE impediu a entrada da Turquia por boas razões.

Queres um Parlamento Europeu repleto de islamitas a debater os "direitos" da mulher Europeia? Queres o crime organizado Turco ainda mais bem implantado na Europa?

Anónimo disse...

Equivalências absurdas: Berlusconi = Chavez.

O Sarkozy pretende revogar os direitos da mulher (Erdogan)???

O Berlusconi manda a Policia Secreta prender opositores do regime?

toma juízo, Ana.

Miguel Serras Pereira disse...

Anónimo que inocenta Berlusconi,

Berlusconi não manda as secretas prender opositores políticos porque vive num país e num continente em que as conquistas e liberdades produzidas por vários e seculares movimentos revolucionários, que ele abomina e ameaça, não lhe permitem fazê-lo.

Dizer ou sugerir que não vale a pena lutar contra as ditaduras cleptocráticas e as oligarquias confessinais ou não dos diversos "mandadores sem lei" (Zeca Afonso dixit) que vampirizam os "seus" povos, porque não é certo que o desfecho da revolta consiga a democracia, ou esteja a salvo de evoluções perversas, é perpetuar, reforçar e alimentar a expansão dos regimes e condições de servidão que se agitam como exemplos de iniquidade.

Ainda hoje, aqui, seríamos súbditos em vez de cidadãos, se, no passado, os conselhos que V. dá tivessem sido ouvidos.

msp

Anónimo disse...

"Direita-liberal Salazarista?"

Estão a falar a sério? Pago-lhe 1000 euros se conseguir relacionar directamente Salazar com liberalismo!

Anónimo disse...

Miguel

Que reacção absurda.
Sim, tem toda a razão. Hoje desfrutamos de direitos que foram arduamente conquistados. Tenho o maior respeito por aqueles e aqueles que lutaram por estes direitos.

Ora, esta constatação não valida o absurdo da comparação nem valida a sua acusação absurda: que eu desejo alguma forma de subjugação tirânica bla bla bla.

Eu não estou no passado. Estou a viver hoje numa Europa que não é, felizmente, tirânica, apesar do Berlusconi et al. Uma Europa livre para progredir como bem entender, rumo à autonomia participativa, por ex, se for este o desejo dos seus cidadãos. Os "conselhos" que eu dei aqui não teriam impedido qualquer democratização porque, tivesse eu vivido sob o jugo de uma tirania, teria lutado, tal como você e muitos outros. O que eu disse foi muito simples. Não seja histérico com as suas extrapolações absurdas: disse e repito: BERLUSCONI NÃO É UM CHAVEZ ou um Ghadafi!! Ponto final. Era SÓ ISTO.

Você começa a parecer um tal de Renato.

EU não pretendo inocentar Berlusconni. Espero que O PM italiano vá parar a uma prisão. Não gosto do homem. É corrupto, manipulador, bla bla...mas NÃO É UM TIRANO.

Julgava-o mais inteligente. Afinal é parecido com o Figueira: muito rococó mas pouca substância.

Passe bem

Anónimo disse...

Eu poderia afirmar aqui que os ideais que o Miguel defende inspiraram regimes e revolucionários que pouco ou nada honraram os principios democráticos...a acusação até seria pertinente!! mas não a fiz. OK? Retribua-me a gentileza s.f.f.

Anónimo disse...

Um gajo faz uma distinção elementar e é logo acusado pela freirice ambulante de INOCENTAR o Berlusconni.

Haja pachorra.
Que estupidez sem nome.

Anónimo disse...

PARA A SIMPATICA ANA

Pense melhor antes de pegar na pena.
É muito simples. Natural, quase.

apre

Ana Cristina Leonardo disse...

Tenho de chamar o Luís M Jorge!!!
E por hoje é tudo.
Amanhã responderei a todos os simpáticos comentadores (só em meu nome, claro...)

Miguel Serras Pereira disse...

Anónimo(s),
sosseguem, por favor, porque eu não perdi a cabeça.
Também eu acho que o regime que se vive em Itália não é o mesmo que se vive na Líbia. Mas isso pouco depende da personalidade de Berlusconi ou das diferenças pessoais existentes entre Berlusconi e outro qualquer. É uma questão de "eficiência histórica" - ou de "eficiências hist´ricas" diferentes. E não é que a questão interesse muito, mas não me parece verosímil sustentar que, sem os travões da tradição democrática que, apesar de tudo, continua viva em Itália, Berlusconi se absteria por sua livre vontade de exercer uma tirania pura e dura.
Quanto ao argumento de que houve revoluções e movimentos de democratização que falharam, degeneraram e deram lugar a regimes tirânicos, também não colhe: é como dizer que, uma vez que a acção política pode extraviar-se, é inútil e maléfica, "intrinsecamente perversa". É claro que as propostas que como cidadãos fazemos devem levar em conta os riscos que a sua iniciativa comporta, prevenir-se contra eles, etc. Mas, pelo meu lado, não tenho procurado fazer outra coisa, com o critério a que poderia chamar o da prioridade da democracia e que tenho desenvolvido em vários posts neste blogue, desde o primeiro momento.
Quais são as condições da democracia? Como podemos garantir a democratização das instituições e do poder político e a sua universalização? Que implicações imediatas no regime que adoptamos para organizar a acção política nesse sentido tem a "prioridade da democracia"? Enfim, podia continuar, mas creio que estas interrogações já configuram suficientemente a minha posição. Que estou pronto a discutir com quem esteja realmente interessado em fazê-lo. E, para já, é só.

Saudações republicanas

msp

Ana Cristina Leonardo disse...

Caríssimos e simpáticos comentadores, correndo o risco de vos desiludir, digamos que a política no sentido estrito da palavra não me interessa muito. Posto isto, fico um pouco abismada com os comentários (quase todos dignos de potenciais diplomatas), rebuscados, cheios de vírgulas e de preocupações miúdas.
Não se trata aqui de dizer que Berlusconi é Chavez ou é Kadaphi - cada um é como cada qual ou todos iguais, todos diferentes... (isto é só para se poderem indignar de novo).
Trata-se de verficar que a Europa (e deixemos de lado a questão da Turquia), ainda há 60 anos saída de um conflito bárbaro, só se lembra da democracia qd lhe dá jeito (e desculpem a falta de profundidade deste pensamento). À direita e à esquerda, assiste-se a uma indiferença dolorosa pelo essencial - e o essencial é que aquela gente (como nós) fartou-se de ditaduras e de comer pó (e não petróleo - que tb. é bastante indigesto).
Quanto ao que vai resultar de tudo isto, não faço ideia. Mas que a Europa anafada, paralisada, formalista - onde até os coentros se legislam - está decadente, ah!, caros comentadores, por muito que estejam convencidos que a História é um chá das cinco, provam-no as hesitações, as frases de efeito, os por favor e peço desculpa (e, já agora, as orgias do Berlusconi)...
E sendo ainda mais chã, qt da política europeia proteccionista - por exemplo, na agricultura - não empurra muitos daqueles países para a miséria?. Estão preocupados com a emigração? Quem tem fome, emigra e borrifa nas fronteiras - eu faria o mesmo, pas vous?
Mas, enfim, como dizia o outro, tudo o que é sólido se dissolve no ar.
Escusam é estes políticos da treata de se armar em virgem púdicas civilizadas e moralmente superiores. O fundamentalismo islâmico é um perigo real? Não sei. Mas esperto foi o Kadaphi que veio logo invocar o Bin Laden. Talvez o tenha feito demasiado tarde. E, no país, certamente ninguém o levou a sério.
Como disse o egípcio: são pobres mas não são estúpidos.

Ana Cristina Leonardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Cristina Leonardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luis M. Jorge disse...

A Ana Cristina responde a estes anónimos ressabiados? Eu no meu estaminé nem os publico: quem não se dá ao trabalho de forjar uma identidade reconhecível, mesmo que se chame Pato Donald, é tratado com o desprezo que merece e fica a apodrecer nas catacumbas da blogosfera.

Anónimo disse...

ò Luisinho

já considerou a possibilidade de que o meu anonimato tem mais q ver com a minha repulsa por "protagonismos" mediopatéticos do que com qq outra coisa.

A Ana faz o que bem entender.

---

Para o Miguel,

"E não é que a questão interesse muito, mas não me parece verosímil sustentar que, sem os travões da tradição democrática que, apesar de tudo, continua viva em Itália, Berlusconi se absteria por sua livre vontade de exercer uma tirania pura e dura."


E ONDE ARGUMENTEI EU o contrário???



Ou será que não se trata de uma resposta (a sua) mas de uma divagação teórica dirigida a um x ou y desconhecido?

Anónimo disse...

Sim, Ana

desiludiste-me

antes tivesses ficado calada.

coentros, chã das cinco bla bla bla bl

que sequência infindável de platitudes.

ciaozinho

Ana Cristina Leonardo disse...

Luís, achei graça a essa do pato donald, mas um pato donald anónimo tb. não me incomoda

Anónimo das 14. 53, se assinasse pato donald em vez anónimo, o "protagonismo" tb. não seria por aí além, digo eu

Anónimo das 14. 56, não se pode agradar a todos...
Mas só um reparo - não é chã das cinco mas chá das cinco, chã era a minha argumentação - e um conselho: coma coentros, rapaz, coma coentros. Talvez as suas conhecidas qualidades anafrodisíacos, lhe acalmem os ímpetos.