04/12/10
Entendam-se. Ou nem por isso.
Izquierda Unida
O regresso do Simplex?
Espionagem democrática
Ora, a verdade é que Julian Assange e Wikileaks nos confrontam com um espião e uma espionagem de tipo novo: com as improváveis — e por isso ainda mais gratificantes — figuras do espião democrata e da espionagem democrática militante. O que há de novo no melhor das suas iniciativas é que o espião já não serve os senhores do bem contra os senhores do mal, os arcana imperii (segredos do império) da oligarquia legítima contra os de uma ordem rival, mas assente na mesma divisão do trabalho político – e, evidentemente, na mesma divisão política do trabalho — classista e hierárquica. O espião democrata desmascara os segredos de Estado e as prerrogativas dos governantes oligárquicos e comunica-os ao juízo da opinião comum, convidando os (potenciais) cidadãos comuns a pronunciarem-se e, tendencialmente, a assumirem por sua conta o conhecimento dos problemas políticos (de organização da cidade) e o poder de decisão sobre eles. Mais ainda, para ser coerente com os seus propósitos democráticos, assume-se como cidadão do mundo, e faz com que as figuras, malditas aos olhos do poder hierárquico, do apátrida e do judeu errante mudem de sinal e se tornem emblemas do internacionalismo e da mundialização de uma cidadania instituinte comum.
É por tudo isto — porque “objectivamente” encarnam estas figuras e se apoderam dessa prerrogativa maior dos serviços secretos da segurança dos regimes oligárquicos, que é a espionagem, para um combate sem fronteiras contra a sua dominação – que Wikileaks e Julian Assange têm a cabeça posta a prémio por uma coligação oligárquica global pouco menos do que inédita. E é por isso – e porque são também a nossa liberdade e a nossa vontade de democracia que,na circnstância, têm a cabeça prémio – que nos compete defendê-los por todos os meios.
Para compensar sofrermos ouvir a ambição de Sócrates em ser sargento da guarda de Zapatero
Imiscuindo-se em assuntos de um país (outro) soberano, Sócrates, com pose de sargento da guarda, decidiu publicitar a sua solidariedade com a repressão do governo espanhol sobre os controladores aéreos espanhóis. Daí que convenha conhecer-se o que move a outra parte, a que está sob mira militar do governo Zapatero. Aqui podem-se conhecer, em súmulas tratadas jornalisticamente, as posições dos controladores aéreos espanhóis.(publicado também aqui)
Special One, pois claro
Sondagem irlandesa
Fianna Fail....13% (42% nas últimas eleições)
Fine Gael....32% (27%)
Labour Party....24% (10%)
Sinn Feín....16% (7%)
Green Party.....3% (5%)
Outros......11% (9%)
[Análises aqui, aqui e aqui]
Uma nota sobre os partidos irlandeses - a Irlanda é dos poucos países do mundo (outro talvez seja a Argentina) cujos principais partidos não estão divididos segundo o esquema esquerda-direita; em vez disso, a divisão partidária irlandesa é feita por um tema muito mais premente e actual - a posição tomada em 1921 face ao acordo que o Michael Collins assinou com os britânicos (ter visto o filme ajudará a perceber): de um lado, o Fianna Fail (que pode ser traduzido tanto como "Soldados do Destino" como "Soldados da Irlanda"), o partido do Eamon De Valera, a ala radical que rejeitou o acordo - é o partido no poder e tem estado aí durante quase toda a história da Irlanda independente; do outro, o Fine Gael (algo como "Família Irlandesa"), o partido dos apoiantes do Michael Collins, a ala moderada que aceitou o acordo.
Na escala clássica, tanto o FF como o FG ficariam na direita ou centro-direita (o FF é mais conservador nos costumes que o FG, e o FG mais liberal na economia que o FF) - há quem diga que o motivo para alguém votar FF ou FG tem menos a ver com a ideologia e mais com o lado em que o bisavô combateu na guerra civil dos anos 20.
O Sinn Feín, penso que toda a gente o conhecerá (como o "braço politico" do IRA); poderá ser considerado como "esquerda soberanista".
O partido mais "normal" dos principais na Irlanda ainda serão os Trabalhistas, correspondentes aos seus homónimos britânicos ou ao PS português. Normalmente coliga-se com o Fine Gael.
A "Aliança de Esquerda" está algures nos "Outros".
Mas se estas sondagens se confirmarem, será uma terramoto eleitoral com o Fianna Fail (o partido tradicional do governo) a ser varrido do mapa, com um grande crescimento dos partidos que se dizem de esquerda (o desfecho mais provável será uma coligação Fine Gael/Labour).
Outro ponto é que o orçamento de Estado vai ser votado para a semana, e o governo tem uma maioria de 2 votos - há sempre a esperança que, perante o descalabro eleitoral anunciado, 2 ou 3 deputados do Fianna Fail tentem salvar o lugar votando contra.
Adenda - ver este comentário da Mariana Avelãs sobre a história e natureza dos partidos irlandeses
Sinais dos tempos: Estados Unidos e China, o mesmo combate
A Casa Branca acaba de proibir o acesso dos seus funcionários ao site da WikiLeaks. Os chineses, mais eficientes, bloqueram o site, tout court (não sei dizer tout court em chinês).Julian Assange na primeira pessoa
[e também em directo, a 3/12, para o Guardian, mas em parte incerta]
Chapeau para este post de Palmira Silva sobre o Wikileaks
Em primeiro lugar, vale a pena sublinhar o post-scriptum da sua análise, que diz o que é preciso dizer sobre as acusações movidas contra Julian Assange: "a acusação que pesa sobre Assange não é, nem de perto nem de longe, de violação mas sim de «sex by surprise», o que quer que isso seja, e que aparentemente tem a ver com relutância em usar preservativos ou com preservativos rasgados em relações consensuais com duas fãs suecas. Ou seja, o tal mandado internacional da Interpol refere-se a um «crime» que tem como punição máxima uma multa de 500 euros".
Depois, embora eu creia que a análise de Palmira Silva subestima incompreensivelmente o alcance das revelações presentes e em curso do Wikileaks - por razões que tentei deixar claras no meu texto sobre o assunto e sobre o "segredo de Estado" -, a verdade é que ela aponta certeiramente um outro aspecto fundamental da ameaça que o tipo de acção agora empreendido significa para os interesses e paz de espírito das oligarquias dirigentes, com destaque para as autoridades encobertas cuja acção se exerce através da economia política globalmente governante:
"Numa entrevista à Forbes, publicada na segunda-feira, Julian Assange informou que iria libertar milhares de documentos internos de um grande banco dos EUA. Assange não identificou o banco pelo nome nem especificou que tipo de malfeitorias terá cometido, apenas revelou que os documentos que a WikiLeaks obteve quando disponibilizados poderão causar um colapso tipo Enron na instituição financeira. De acordo com Assange, os documentos de que dispõe irão fornecer «uma visão verdadeira e representativa» do comportamento do banco em causa e que esta visão irá desencadear investigações e apelos à reforma do sistema financeiro. Na conjuntura actual, diria que essa informação causará mais estragos que as revelações sobre o botox do Kadhafi, as ressacas de Berlusconi ou a má educação de Sarkozy que tanto têm entretido os media internacionais".
Como se sabe, o segredo, que é uma das constantes organizadoras das apologias antidemocráticas do governo dos melhores e dos mais capazes e da justificação das "desigualdades legítimas", é também a alma do negócio - e da exploração das oportunidades deste que só o poder, e quanto mais melhor, lhe consente.
O medo da revolta
"The first serious info war is now engaged. The field of battle is Wikileaks. You are troops," tweeted John Perry Barlow, founder of the Electronic Frontier Foundation.
O Miguel Serras Pereira acerta em cheio na sua análise. Não que a grande maioria das pessoas já não saiba que os seus governos, mesmo os pretensamente democráticos, lhes mentem continuamente. Mas optam pela negação. Uns porque estão satisfeitos com as migalhas que os poderosos lhes dão. Outros porque se sentem incapazes de mudar o sistema que os subjuga. No entanto, esta dissonância cognitiva entre aquilo em que se quer acreditar - vivemos em democracias transparentes, nas quais os que governam zelam pelo bem-comum - e a realidade dos factos - somos governados por mentirosos, ao serviço dos poderosos - é explosiva. Pede uma resolução, que só pode ser plenamente conseguida através da revolta. O momento desta tornar-se-à tão mais próximo quanto mais a dissonância cognitiva em que a grande maioria das pessoas vive se lhes tornar clara, quanto mais a realidade do sistema que as subjuga lhes fôr relembrada. É isto que os poderosos temem. Que a farsa que continuamente encenam se torne insuportavelmente transparente para todos. Não vão por isso desistir de tentar parar, por todos os meios, as revelações do Wikileaks.
Pouco europeus que somos
Depois de vermos imagens das contestações estudantis em Inglaterra, Irlanda e Itália, dói ver-se como por cá se consomem as energias, se escolhem os alvos e se repartem os sopapos:Debate entre listas candidatas à direcção da Associação Académica da Universidade do Minho termina ao "murro". Um militante do PCP agrediu o candidato a tesoureiro da lista A, durante um debate organizado pela Rádio Universitária do Minho.
(publicado também aqui)
03/12/10
Eles
No ponto de confluência de um grande número de mistérios
Ulrich, banqueiro manhoso mas com uma língua pensadora
Em cavalgada suave em cima da crise e da austeridade, para já em ritmo de passeio, aproximam-se as ofensivas fundas contra os direitos sociais, nomeadamente os de âmbito laboral.Obviamente que as empresas, as que vivem (só ou também) do mercado interno, sabem que as baixas consideráveis nos rendimentos em ordenados, reformas e subsídios, com aumento das contribuições fiscais, vão levar em linha recta à retracção aquisitiva e, portanto, a uma menor circulação de mercadorias e serviços. Logo, facturação a cair à vista. Se assim está decidido, por uma pretensa fatalidade da lógica de esbulho fiscal em tempo de crise indomável, o patronato e a burocracia eurocrata avançam com imaginação na perspectiva de formas em que as certas e seguras dificuldades para as empresas sejam “devolvidas” aos “responsáveis” pela retracção das compras (os trabalhadores-consumidores). Ou directa e descaradamente em termos de rendimentos laborais enquadráveis em estratégias à medida de retracção de custos, ou, talvez sobretudo, aproveitando a onda de fatalidade psicologicamente adquirida, tentando atingir antigos alvos na fragilização laboral dos trabalhadores. E, na regressão de direitos, o grande alvo é a liberalização dos despedimentos individuais (e de que Passos Coelho já tinha dado um cheirinho no seu projecto de revisão constitucional mal chegou ao comando do PSD). Um burocrata eurocrata veio avançar com o “conselho” da baixa no valor das indemnizações nos despedimentos. Agora, o banqueiro Fernando Ulrich colocou, preto no branco, com a pretensa coragem dos quebradores de tabus, a defesa não da baixa das indemnizações mas a atribuição do absoluto poder arbitrário do patronato para despedir quem quiser e quando quiser e sem sequer indicar as (eventuais) razões.
A fragilização laboral pretendida por Ulrich, e naturalmente que este senhor – reles senhor – é apenas o mais descarado de um vasto grupo de pressão, atingiria não só a segurança como a marca de identidade que liga o trabalhador a um posto de trabalho. Ou seja, colocaria cada um no máximo patamar da precariedade, a de trabalhar sem qualquer rede nem raízes. Qualquer trabalhador seria, assim e automaticamente, mais precário que até o contratado a prazo, pois o prazo de cada um seria o do dia (ou hora) do momento. E, claro, a menos que possuído pela coragem dos temerários, incapaz de reivindicar, sindicalizar-se, defender-se, seguindo uma pauta de comportamento laboral que não se guiaria por contrato ou códigos de conduta mas indo até à decifração muito fina e apurada dos humores dos mandantes (do chefe até ao patrão), pois a esta rede de poder, às suas deliberações mais íntimas, competia saber se cada um é uma “boa” ou “má” “companhia na companhia” (usando a terminologia do celerado Ulrich).
Dá que pensar o facto de este pico de ofensiva antilaboral seguir-se imediatamente a uma “greve geral”. O que significa que o patronato mais agressivo não se assustou. Antes, pelo contrário, soube ler as debilidades da ligação sindical aos trabalhadores e a incapacidade de se articular e integrar as formas de luta, principal demonstração e consequência daquela jornada.
(publicado também aqui)
Quem emprestou dinheiro ao BPN que o perca!
Agora imagine que é um banco português. O BPN pede-lhe dinheiro. Apesar de saber perfeitamente que se trata mais de um clube de aventureiros do que de um banco a sério, os juros oferecidos até são tentadores. Porquê? Porque em caso de aperto o Estado não deixará de intervir; os riscos sistémicos acarretados pela falência de um banco serão sempre graves de mais, calcula. E calcula muito bem: na hora da desgraça, receberá o seu dinheiro todo, cabendo ao contribuinte, que nada teve a dizer na decisão de tais operações, pagar a conta.
Que o Estado tenha de intervir, ainda vá. Que pague alguma coisa, dada a sua inexistente supervisão, idem. Mas porque raios é que os bancos credores do BPN não foram obrigados a assumir pelo menos parte das consequências dos seus empréstimos kamikaze? Era simples: em cada euro, recuperariam apenas 50 cêntimos. Dividia-se o mal pelas aldeias, em vez de o deixar à porta do mexilhão do costume.
Ainda por cima, não é pela generosidade estatal que os senhores banqueiros diminuem a gula. É só ver o chefe do BPI a exigir maiores facilidades nos despedimentos individuais; como sempre, a culpa da crise é dos pobres e a obrigação de a pagar também.
Primeiro, Fernando Nobre perdeu o juízo. Agora, foi a AMI
Porque é que os meninos dos jipes não vão antes passear para a Pedreira dos Húngaros? E a que propósito é que a AMI se junta a esta cretinice? Não bastava o desbarato de prestígio em que o seu fundador se tem atolado recentemente?
O crime de que Assange é acusado
But then Interpol launched its manhunt, rendering Assange a cross-border fugitive. So it seemed the "sex charges" might be more serious than initially thought.
But what are they?
They're not "rape," everyone agrees--because the sex was consensual. They also aren't unspecified "molestation."
What they appear to be is a violation of a Swedish law against "having sex without a condom."
Interestingly, even that charge doesn't appear to precisely apply in this case.
A condom was apparently used--initially. But it broke. So the dispute is about whether it broke "accidentally" (he said) or it broke "on purpose" (she said).
De um "segredo de Estado"
É justamente isso que torna curioso o alarme e a veemência dos apelos à censura, quando não ao homicídio, por parte de numerosos responsáveis políticos do mundo ocidental.
Quando, para nos ficarmos pela prata da casa americana, lemos, numa peça publicada por El País, que uma representante republicana declara que "Julian Assange y Wikileaks son criminales cuyas acciones son de gran ayuda para los terroristas y para los regímenes criminales de todo el mundo. Ya es hora de que el Gobierno cierre WikiLeaks" e que o senador independente, Joe Lieberman, responsável pela Comissão de Segurança Nacional do Senado, não lhe fica atrás, vincando que "Con sus acciones ilegales, escandalosas y temerarias, Wikileaks ha puesto en peligro la seguridad nacional de EE UU y la del mundo" -, que devemos, então, concluir?
Não que exageram ou se limitam a declarações propagandísticas e demagógicas, mas que se sentem seriamente ameaçados enquanto membros dos aparelhos políticos de um mundo oligarquicamente governado ao verem divulgados na praça pública os modos e mecanismos do seu exercício do poder. De facto, nem sequer negam que seja verdade o essencial das revelações. Mas consideram criminoso que se dê publicidade às acções da casta governamental a que pertencem. Que se mostre aos cidadãos como funciona a diplomacia e, mais fundamentalmente, que interesses defende e por meio de que medidas e políticas pretende garanti-los.
É difícil imaginar recusa mais cabal da democracia de que se reclamam os EUA e o conjunto do bloco ocidental do que esta vontade de criminalizar e censurar o direito dos cidadãos a saberem o que fazem aqueles que, em princípio, são responsáveis perante eles e a eles devem prestar contas. Mas é verdade que nessa recusa podemos também ler claramente o reconhecimento por parte dos políticos profissionais da oligarquia que assegurar que os cidadãos ignorem o que fazem os seus "representantes" ou lhes possam pedir contas por isso é condição necessária do funcionamento regular da ordem estabelecida nos planos tanto interno como global. Trata-se, com efeito, de um "segredo de Estado" que, numa perspectiva democrática, continua a ser prioritário revelar.
02/12/10
Não há coincidências
Hoje, a Portugal Telecom e o ministério das Finanças anunciaram que foi concluída a negociação para a transferência das responsabilidades com os planos de pensões da empresa para o Estado até ao final do ano.
Obviamente, tudo em concluío com o PSD.
A subserviência de PS e PSD perante o poder económico-financeiro é revoltante.
República Popular da China: a construção da "sociedade harmoniosa" endurece as medidas repressivas
Growing intolerance could be a sign of increasing confidence and arrogance as China's economy continues to roar and its international status grows. The leadership is also likely concerned about the 100,000-odd annual public protests, the sharp criticism of government policies that go viral via the internet, and the growing urban-rural wealth gap.
The relentless squeeze on civil society activists has occurred while the US, EU and others have downgraded human rights in their dealings with China. Human right issues are increasingly an afterthought, marginalised by bilateral dialogue on trade, broader economic issues, and negotiations on vexing international issues including Iran or North Korea. But the US and others are taking the most short-sighted approach. The US Secretary of State, Hillary Clinton, learned this early in her tenure when she announced that the US would no longer allow human rights issues to interfere with other issues on the US-China agenda.
As President Hu Jintao and Premier Wen Jiabao prepare to hand the reins of power of the ruling Chinese Communist party to new leaders in 2012, they need to be pressed to recognise the wisdom of allowing citizens to speak uncomfortable truths rather than to silence them. Just days after the announcement of Liu Xiaobo's Nobel peace prize, a group of 23 senior Communist party officials and intellectuals issued a public letter that praised the Nobel committee's "splendid choice" of Liu for a Nobel peace prize, urged his immediate release and an end to the "invisible black hand" of official censorship.
Sindicato irlandês apela a greve geral e desobediência civil
The Unite trade union has proposed a general strike in opposition to the Government’s economic programme and in support of an alternative strategy.
The union has also proposed a campaign of civil disobedience including the non-payment of any water or property taxes introduced in the forthcoming budget.
Irish regional secretary Jimmy Kelly said the union would be putting its proposals for national strike to the Irish Congress of Trade Unions in the weeks ahead.
Mr Kelly comments came as Unite published what it descried as a viable alternative budgetary strategy.
Adenda: o "orçamento alternativo" (introdução - documento [pdf] - anexo [pdf]) proposto pelo "Unite"
Por falar em criminosos: Julian Assange devia ser assassinado, diz ele*
*Ele é Tom Flanagan, conselheiro do primeiro-ministro canadiano Stephen Harper.
[e este post tem que ver com este]
Um alfobre de ideias e de "pensamentos"
A miopia como estilo
Talvez não seja divertido. Se calhar é apenas triste ver como esta gente aponta o dedo a ingerências e a silenciamentos do outro lado do mundo e não vislumbra sequer o ovo da mesma serpente a ser chocado pelo seu querido líder. Ou alguém duvida que Sócrates teria fechado a TVI (ao invés de a mandar comprar) se o pudesse fazer?
De que "actos criminosos" fala o governo? Dos seus?
O chico-espertismo e o "Inglês técnico" de novo de braço dado
Vejam bem o vídeo que agrega os argumentos da península ibérica, enquanto putativa organizadora da coisa. Frases incompreensíveis como «luxury everybody's reachable» convivem com verbos inventados e disparates mil. Confirmam-se assim os nossos piores receios: o quase-engenheiro fez escola.
Ainda a Wikileaks num post dedicado a Luís Amado [com música a condizer]
Agora, seria nossa vantagem acariciá-lo (???!!!) muito, frase final de um telegrama enviado pela embaixada norte-americana em Lisboa a 18 de Outubro de 2006, a propósito dos voos da CIA de Guantánamo e referindo-se expressamente ao iluminado Luís Amado.
Spam monarquista
Não vos deixeis abater pela situação de dificuldade económica e crisemoral que actualmente nos invade.
Lembrai-vos que tivemos momentos bem mais graves na nossa História em
que a perenidade da Instituição Real foi suporte decisivo para a
recuperação conseguida.
A dinastia, baseada na família, oferece o referencial de continuidade
de que Portugal está carente há cem anos.
Viva Portugal!
(de uma intitulada “Mensagem de 1 de Dezembro de D. Duarte de Bragança”, recebida por mail)
(publicado também aqui)
01/12/10
Norman Birnbaum sobre os documentos divulgados pelo Wikileaks
La reacción de Estados Unidos a la publicación por Wikileaks de los cables diplomáticos indica que en ese país es imposible oír su mensaje central: que su aparato imperial persiste en una tarea cada vez más imposible, la extensión de su poder en un mundo que se resiste frente a él.
(…)
Mientras tanto, nuestros dos principales periódicos han dado una extraordinaria lección de filología. Bill Keller, el director del New York Times , ha explicado que sus redactores han consultado con el Gobierno y que no van a publicar material de Wikileaks que pueda poner en peligro la "seguridad nacional". Diana Priest, en The Washington Post , ha dicho que, cuando informa sobre la CIA, siempre pide consejo a la agencia. Está claro que la traducción del término ruso partinost, en Estados Unidos es responsabilidad.
(…)
Pero ahí reside el problema de los diplomáticos estadounidenses. No solo el poder militar de Estados Unidos es limitado (o autodestructivo). Su modelo económico está fracasando y es posible que sufra graves reducciones de su Estado de bienestar. No está claro que en una situación de grave conflicto social permanezcan intactas sus libertades civiles. La irritación y el enfado que se ven en los informes de los diplomáticos dan fe de una inmensa tensión interna. Muchos se incorporaron al Servicio Exterior por la recompensa espiritual que esperaban conseguir al trabajar en el servicio público. El hecho de que el país al que querían servir esté transformándose para empeorar es una certeza incompatible con la serenidad interior.
La modificación de la diplomacia estadounidense, por tanto, aguarda la resolución de la lucha cada vez más intensa que libra Estados Unidos consigo mismo sobre la naturaleza de su sociedad. El reexamen del imperio exige una visión diferente del reparto interior del poder y la riqueza. La política exterior de Estados Unidos va a ser, durante un tiempo indeterminado, algo que habrá que interpretar como un texto muy complejo, lleno de tantas referencias internas como externas.
Anti-Mourinhada
Via Pandiani.
O governo das desigualdades: crítica da insegurança neoliberal, de Maurizio Lazzarato
O livro encontra-se por aqui. A nota que se segue é dos tradutores:
Quando em Junho se constituiu a Plataforma das Artes reapareceu-nos uma vontade já antiga de, em conjunto, discutirmos questões que sentimos como estruturantes do nosso dia a dia: questões de emprego, de desemprego e de trabalho em geral, mas sobretudo questões de como vivemos a vida e de como nos pensamos (e vamos tendo ou não tendo de nos pensar a nós mesmos) em função dessa vida.
Questões que têm a ver, sim, com o trabalho nas artes ou no sector da cultura mas que também nos parecem ser maiores do que isso e achamos que não devem, por isso mesmo, ser reduzidas a “isso” apenas. E isto até por motivos estratégicos: bem pequenas, isoladas (e só “de gestão”!) ficam as actuais questões “das artes” e “da cultura” se não as tentarmos entender à luz mais ampla de uma deriva geral do trabalho em direcção à produção imaterial, um seu alargamento a todas as esferas da existência, o modo como é solicitado a cada trabalhador um investimento activo (em imaginação, inventividade, virtuosismo - características que antes pareciam caracterizar sobretudo o trabalho artístico e académico) na produção de si como um “empresário de si mesmo”.
E como pensar a subtil confusão entre “arte” e “cultura” com as noções vagas e aparentemente complexas de “criatividade” ou de “cidades criativas” tão em voga hoje em dia (noções essas que, mais do que nos parecerem corresponder a uma potencial de livre expressão dos indivíduos, nos parecem conter em si novas e menos transparentes tecnologias de gestão)? E como entender a aparente extrema desigualdade que atravessa o trabalho em geral (e o trabalho “cultural” em particular) de maneira a poder encontrar um terreno comum de união? E como fazê-lo sem que se esteja a contribuir para o isolamento dos artistas no seu “mundo”, separando-os ainda mais do todo da sociedade?
Foi porque todas estas questões se nos colocam, porque, de algum modo, queríamos contribuir para um debate que nos parece estar a precisar de novas palavras e de novas maneiras de colocar os problemas - um velho debate que hoje toma novas formas e que, como tal, nos pode ajudar a formar novos e mais precisos termos para lhes dar resposta - que decidimos traduzir este livro.
Traduzimo-lo voluntaria e colectivamente a muitas mãos e ainda não acabámos definitivamente de o rever, ainda não lhe fechámos definitivamente a paginação, antes decidimos divulgá-lo agora, que nos pareceu ser altura. Assim, é uma tradução de trabalho o que aqui apresentamos: tradução de trabalho de um livro escrito, ele mesmo, no decorrer de um conflito (o conflito dos intermitentes em França entre 2004 e 2005), livro instrumento do próprio conflito, tradução de trabalho de um livro de trabalho em suma. Esperemos que a sua leitura possa contribuir para o debate!
As indemnização por despedimento
Ainda mais qualquer coisa sobre a esquerda irlandesa e as suas prespectivas
Quando o sistema financeiro da ilha faliu, os governos britânico e holandês indemnizaram os seus nacionais que tinham investido no Icesave, tendo depois entrado em negociações com a Islândia para reaver o dinheiro (embora seja duvidoso que a Islândia tenha uma obrigação legal de pagar esse valor).
Em Dezembro, o novo governo islandês assinou um acordo com britânicos e holandeses, prevendo pagamentos bastante elevados pela Islândia, que foi bastante contestado, tendo (em resposta a uma petição popular) o presidente vetado o acordo e convocado o tal referendo.
Ainda antes do referendo, o acordo já estava a ser renegociado, e mais cedo ou mais tarde há-de ser estabelecido definitivamente - inclusivamente há dias a primeira-ministra dizia que esse referendo já não fazia sentido porque ia-se referendar o acordo feito em Dezembro quando já foi assinado um acordo muito mais favorável para a Islândia.
No entanto, podem-se concluir duas coisas daí:
A primeira é que, se é assim, os cidadãos que se opuseram ao governo e se mobilizaram contra o acordo de Dezembro (e o presidente que convocou o referendo) prestaram um serviço ao país, mesmo de acordo com a primeira-ministra: afinal, parece já se conseguiu um acordo melhor (o que não aconteceria se o acordo original tivesse sido aprovado).
A segunda é uma questão mais importante, porque já não tem a ver com um problema concreto da Islândia mas com uma questão de politica geral - o tal acordo de Dezembro foi negociado por um governo de coligação entre a "Aliança Social Democrata" (centro-esquerda) e o "Movimento Esquerda Verde" (até há pouco tempo considerado "esquerda radical"), constituído após a queda do anterior governo de "bloco central.". O que dá que pensar é que a "Esquerda Verda" (que tem orgânica e historicamente muito mais a ver com partidos como o "nosso" BE, o Die Linke alemão ou o Synaspismos grego do que com os partidos "verdes" europeus), cujo líder é o novo Ministro da Economia, aceitou tão rapidamente impor pesados custos ao povo islandês para pagar os erros financeiros dos milionários locais; nos sites de noticias islandeses em inglês, era frequente os comentários do género "a Esquerda Verde, ansiosos por mostrar que sabiam «gerir o sistema», trairam tudo pelo que lutaram".
Tal mostra, por uma lado, que a participação de um partido de esquerda num governo dentro do sistema capitalista deve ser precedida de uma definição clara de que compromissos são aceitáveis ou não, para evitar a tendência para abandonar o programa mal entram para o governo; por outro, que tão ou mais importante que pôr a "esquerda radical" no governo, é haver lutas de movimentos de cidadãos suficientemente fortes para conseguirem alterar as decisões dos governos.











