14/05/11

Moral da Historia



 
(…) Gostaria de reconhecer a minha responsabilidade em todos os atentados que vos ensanguentaram nos últimos vinte anos, particularmente no ataque devastador do 11 de Setembro de 2001 contra Nova Iorque e as suas torres de Babel. Dito isto, recordo-vos que, cada vez que prefiram continuar a responder à minha violência com uma violência ainda maior, os germes do ódio das explosões que eu terei causado e espalhado sobre a superfície do globo pertencem-me tanto a mim como a vocês.

Assim, a vossa responsabilidade em tudo o que se passou é pelo menos tão grande como a minha e, a este propósito, lembro-vos as palavras do escritor francês Georges Bernanos, que escrevia na sua «Carta aos Ingleses»: «É no interesse das sociedades ameaçadas que eu as convido a ver o perigo onde ele está, não na subversão das Forças do Mal, mas na corrupção das Forças do Bem». (…)


Extracto de Percy Kemp, Ben, Laden : « J’accuse ! », Tribuna livre no jornal Le Monde, 8/9 maio 2011.

5 comentários:

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

O Bem mantém milhões nos impérios do Mal para continuar a ser bem

o mal continua a ser mal porque tem falta de dinheiro para melhorar a imagem

nem o Bem é assi tão bom
nem o mal é assi tão malo

é como o nosso sokras
é tudo uma questão de imasgem

o bem tem melhores relações públicas
e ganha melhor é mais fino

MF disse...

Os "males" são da mesma grandeza?
A gente por cá lapida as mulheres, pratica a excisão do clítoris, impõe-lhes a burca, não as deixa frequentar as universidades? A gente bombardeia os nossos budas (os símbolos civilizacionais dos que nos procederam)? As nossas escolas são como as madraças onde as crianças, com movimentos de autistas, recitam os versículos? Por exemplo!
Somos assim tão igualmente responsáveis pela barbárie do terror?
Não temos uma tradição de humanismo e de luta pela liberdade e igualdade de que possamos ter um pouco de orgulho?
Eu sei da importância da crítica à nossa cultura (política, economia e sistema produtivo incluídos), mas é imperativo não gerar confusão, para criticar os nossos muitos e detestáveis males não devemos igualar o que não é igualável?
Quem não vê o que é diferente vê muito pouco, não critica, gera ruído, confunde.

one hundred trillion dollars disse...

as nossas escolas são como os madraços

Quem não compreende o que é diferente vê muito pouco, não critica, gera ruído, confunde-se com os próprios arrazoados pouco racionais....é

ó barbárie do terror já viste miudinhos só pele e osso a ser debicados por ratos?

não?

atão dá uma volta pelos buracos deste mundo

de preferência sem vacinas

aqui os símbolos civilizacionais dos que nos precederam além de 500 anos de corrosão pelos ácidos têm grafittis do pessoal do skate

e mijadelas e cagadelas dos drogados e sem abrigo deste burgo

ao menos dantes havia barracas

agora aparentemente nem barracas conseguem construir

one hundred trillion dollars disse...

os miúdos em Beal feirst apanhavam coronhadas quando pintavam nos muros

à noite atiravam petrol jar bombs (ou cocktails molotov dá no mesmo)
ás vezes recebiam borrachinhas no coiro

ás vezes chumbo de 5,5
aparentemente não eram muito conciliadores

a gente por cá quase queimou uma bruxa há uns 50 e tal anos atrás

as viúvas que não usavam lenço preto eram rameiras

as que iam aos cafés eram putas

as que iam às tabernas eram lixo

sim estamos muito longe dos talibans

ou daqueles médicos hutus que matavam os feridos tutsi com embolias gasosas...pués

ou dos individuos apanhados por canibalismo nas regiões destruidas pelas cheias

e que os jornais apelidaram de loucos com apetites por carne humana

a gente cá tem um verniz pseudo civilizacional

que se desfaz tão rapidamente

e essa do movimento de autistas é mesmo imbecil

ritmo hipnótico induz a memorização

é como aprender com um gravador durante o sono

enfim....
somos tão imbecis como eles

obviamente que somos

basta ver o que está acontecendo a uma europa que se espojou na prosperidade durante décadas

e que ao menor contratempo ...

MF disse...

Sr. Milhões de Dólares,
Já vi miudinhos só pele e osso, confesso que não vi os ratos, mas também sei deles;
Já dei a volta por alguns buracos deste mundo;
Os símbolos civilizacionais, apesar da corrosão pelos ácidos e dos grafíttis e das mijadelas e cagadelas, ainda não os destruímos a tiro der canhão;
Eu sei que dantes havia barracas, eu vivi numa até aos 22 anos, e ia tomar banho, aos sábados, no balneário público, lembras-te?
Sei dos miúdos que apanhavam cronhadas, e sei que se queimaram bruxas, foi há mais de 50 anos mas queimaram-nas mesmo, em fogo vivo.
Sei das demais coisas que referes;
Conheci viúvas, até na minha família, que usavam lenço preto;
Sei que a diferença entre a civilização e a barbárie é um verniz, sabemos todos há muito tempo, não é novidade;
Não percebo porque é imbecil (passo de largo a deselegância) ver diferença entre as nossas escolas e as madraças. Gostavas que a aprendizagem nas nossas escolas fosse induzida num ritmo hipnótico, como aprender com um gravador durante o sono?
O teu discurso racional é esclarecedor?
Mantenho, no o meu arrazoado irracional, que quem não vê o que é diferente vê muito pouco.