14/03/11

Kadhafi tem um neo-amigo censor

Um neo-amigo de Kadhafi publicou hoje um post que já tive ocasião de citar aqui. Esse post, ao princípio da tarde, foi objecto de um comentário que passo a transcrever:


Porque é que o Renato em vez de tentar lançar fogo de artificio, não começa por publicar na integra a tal resolução do Parlamento Europeu, e os seus pressupostos, eu desconheço totalmente a tal resolução e gostava de a conhecer.
Acha que Kadhafi é um não um ditador ?
Acha ou não que Kadhafi tem massacrado a população que se revoltou?
Acha ou não que todas estas revoltas de Marrocos ao Iemen , do de Oman, á Tunisia , do Egipto, á Arabia Saudita, merecem a solidariedade e o apoio activo da Esquerda Europeia.
Eu quero que Portugal saia da Nato.
Recuso totalmente uma intervenção da Nato na Libia, ou em qualquer outro País.
Julgo que a ONU e a Liga Arabe devem ter um papel determinante na ajuda ao povo Libio na sua luta contra o ditador.
Aliás intervenção externa existe desde o principio, ou o Renato desconhece os mercenário que vários paises africanos enviaram para a Libia para ajudar Kadhafi, ou desconhece o encontro entre o filho de Kadhafi e o primeiro ministro de Israel para este o ajudar a contratatar mercenários.
Se queremos um debate sério, devemos começar por não embarcar em todas as patacoadas que nos querem vender.



Este comentário de Augusto levou-me, cerca de uma hora e meia depois de publicado, a redigir a seguinte réplica:



miguel serras pereira says:
Your comment is awaiting moderation. 


Augusto,
gostaria de dizer que V. tem, evidentemente, razão no essencial.
Como tive ocasião de explicar em vários posts “Contra a Resignação à Europa Realmente Existente”, publicados nestes últimos tempos no Vias, o que qualquer movimento democrático da UE deveria exigir desde o começo da guerra civil na Líbia seria que, invertendo a sua política de relações privilegiadas e cumplicidade com Kadhafi, os governos europeus reconhecessem o Conselho da frente dos revoltosos e apoiassem a luta destes, em termos acordados com eles – sem excluir o recurso a meios militares que se revelassem necessários.
Esta posição deveria ser assumida pela UE como iniciativa própria e tomada fora do quadro da NATO, independentemente dos EUA e sem ficar suspensa do aval das Nações Unidas (ainda que reclamando-o). E, de resto, convém dizer que é diferente reivindicar uma intervenção da UE, como aliada do “campo republicano”, ou mesmo uma intervenção supervisionada pelas Nações Unidas, e reclamar a intervenção da NATO. Em meu entender, o BE e os que, no essencial, defendem a mesma posição deveriam insistir neste ponto.
Os que se opõem a esta tomada de posição cometem dois erros fundamentais: 1. não impedem a intervenção na Líbia, mas conseguirão que ela venha a ser decidida em termos não concertados, como seria desejável, com o “campo republicano” e na perspectiva de assegurar os mesmos interesses oligárquicos que apoiaram Kadhafi; 2. confundem estupidamente o apoio a um dos campos de um país em guerra civil com a violação do direito à autodeterminação do seu povo.
Por fim, aqui fica o link para um dos posts em que abordo um pouco menos apressadamente esta questão: “Não abandonar a revolta líbia” (http://viasfacto.blogspot.com/2011/03/nao-abandonar-revolta-libia-contra.html)
Saudações democráticas
msp

Embora dezenas de comentários tenham sido publicados até este momento, a minha resposta ao Augusto continua por publicar e, nominalmente, à espera de moderação. A conclusão é simples:

a) além de falsário que distorce aleivosamente as informações que fornece sobre a atitude dos deputados do BE — pois, como escreve outro comentador do post em apreço:



Miguel Lopes says:

1. Eu acho que já é uma falta de princípios estar a discutir questões laterais ao documento enquanto estivermos por baixo das parangonas que dizem: “Bloco de Esquerda vota a favor da intervenção da NATO na Líbia e quebra compromisso com eleitores e militantes”
Isto é falso, o próprio Renato ao dar o flanco na discussão reconhece que isto é objectivamente falso, e assim, o que se deve fazer primeiro é corrigir o título.
2. O único parágrafo que tem algum conteúdo prático é o décimo. Ele sugere a possibilidade de estabelecer uma zona de exclusão aérea e determina que futuras medidas adoptadas pela UE devem respeitar o mandato das Nações Unidas e devem ser conduzidas pela Liga Árabe e União Africana. Este ponto só foi votado pelo Rui Tavares. A Marisa Matias e o Miguel Portas votaram contra. A NATO não é referida em parte nenhuma do documento.

b) o recentíssimo neo-amigo de Kadhafi censura comentários menos convenientes para os seus pontos de vista (ou cegueira) de fanático.  Os seus rubros manes que lhe perdoem — se corrigi-lo, parece que não podem nem talvez queiram.

Post-scriptum: O meu comentário acaba, entretanto, de ser publicado — algures pelas 23 horas de hoje — na caixa do post de RT. Também contra a censura, a melhor defesa é o ataque. Este surtiu efeito rápido.

9 comentários:

pling a lot disse...

1ºAcha que Kadhafi é um não um ditador ?

isto é assi a modos que...

é a transcrição de erros um erro

é apoiar um erro outro erro?

um ditador que derrota 5 ou 6000 revoltosos armados

tem obviamente mais apoios que mercenários

intervir numa guerra civil para apoiar os mais fracos
na Líbia

mas deixa-se o Congo ou a Somália com guerras civis perpétuas
porque fica mais barato?

Apoiar os de Bengahzi contra os de Tripoli

Apoiar os Kosovares e matar o ogre Sérvio?

pois

Anónimo disse...

MSP é um defensor acérrimo da NATO, a tropa de elite do capital. É o que fica de toda esta vergonha de post.
Só à bengalada, grande patife.

João Paulo Bonifácio

Miguel Serras Pereira disse...

João Paulo Bonifácio,

e porque não a tiro, santo varão e piedoso guerreiro protector da retaguarda europeia de Kadhafi?

msp

LAM disse...

Aqui a resposta, assinada por Miguel Portas e Marisa Matias, ao post do Renato Teixeira,

http://adeuslenine.blogspot.com/2011/03/mentira-tem-pernas-curtas-resposta-dos.html

Anónimo disse...

O MSP que vá dar o corpo às balas como combatente da liberdade. Para quê pedir à nato, msp? isso é atentar contra o nomos que nós próprios nos damos. a autonomia desmerece-o msp. vá, homem, vá, é a luta pela liberdade que o chama, não a deixe nas mãos de corpos de expedicionários profissionais ao serviço de oligarcas e hierarcas que retiram ao conjunto dos cidadãos democraticamente organizados o governo da economia e a disposição... perdi-me, pá
vá combater, meu caro mujahidin

Miguel Serras Pereira disse...

Caro LAM,
obrigado pelo link, que é, de facto, muito útil neste momento.
Apreciei bastante a posição de princípio, tal como é exposta no último ponto. E é evidente que subscrevo a ideia de que manter a neutralidade perante uma guerra civil como aquela que se desenrola na Líbia equivale a apoiar a ditadura e a ignorar a revolta contra ela.
No entanto, se estou também de acordo em que é necessário tentar evitar a todo o custo operações militares de contornos duvidosos, não compreendo que se entenda que é preciso esperar que a situação se degrade ainda mais para que a UE, por sua conta e risco, apelando embora a decisões das Nações Unidas no mesmo sentido, reconheça plenamente como uma espécie de Governo Provisório líbio o Conselho do campo insurrecto e o apoie, sem exceder o que lhe seja pedido, por todos os meios (militares incluídos). Além das razões de princípio, acresce que devemos ter presente que, quanto mais a situação se degradar e mais tempo for concedido a Kadhafi para se servir dos seus meios esmagadoramente superiores de combate, mais remota se torna a possibilidade dde aintervenção que se anuncia ser, de algum modo, controlada pelos órgãos de luta dos revoltosos e acordada com eles. É de suspeitar que tanta relutância em dizer que a UE reconhece plenamente - e só reconhece - a Líbia "republicana" seja alimentada pelas mesmas razões e interesses que continuam a prevalecer na UE contra a sua democratização e que são os mesmos que fizeram com que, até uma data muito recente, não tivesse faltado da parte dos seus governos compreensão e "cooperação" com o regime de Kadhafi.

Cordiais saudações democráticas

msp

Miguel Serras Pereira disse...

Anónimo das 0 e 44

a minha posição sobre a NATO é clara. Se quiser uma explicação mais pormenorizada (não muito), veja o meu post anterior sobre o assunto: http://viasfacto.blogspot.com/2011/03/os-recentes-amigos-de-kadhafi.html

Boa noite

msp

LAM disse...

Caro MSP,

Creio que o momento actual na Líbia não está fácil em termos de uma abordagem política ou político-militar, partindo do óbvio pressuposto que qualquer solução terá de partir de compromissos políticos que, sem abdicar de princípios relativamente a intervenções da NATO e os seus previsíveis desfechos, seja capaz no entanto de dar resposta urgente à situação no terreno. Ou então varrer o assunto para debaixo do tapete em nome dos princípios (sem dúvida correctos mas sem resposta a uma situação tão concreta quanto urgente), como é o caso desta posição aqui:
http://www.pcp.pt/resolu%C3%A7%C3%A3o-comum-sobre-l%C3%ADbia
cujo facilitismo se serve a coerência ideológica, representa objectivamente uma demissão da busca de soluções.
Por esse motivo, e atendendo também à complexidade política internacional do problema (a este propósito o comentário de Niet, a propósito de um post seu,
http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2525053614363345408&postID=3265992083506125007),
bem como à flexibilidade necessária para a elaboração de posições comuns que possam ter efeitos práticos, com outros partidos representados no PE, não tenho argumentos para contestar a posição assumida por Miguel Portas e Marisa Matias.

abraço

Anónimo disse...

Por mi, esto no la mejor variante
http://eru1.myftp.biz/

nissan