02/07/15

Virtudes inesperadas do Referendo

O referendo convocado pelo governo grego tem suscitado, aqui no Vias, um aceso debate. Em causa estão as diferentes perspectivas sobre o acerto politico da iniciativa. Em comum os arguentes partilham o mesmo desejo de uma Europa dos cidadãos, uma Europa do progresso e do desenvolvimento, com os cidadãos a participarem como actores no processo de transformação política.
Mas, independentemente de outros méritos - e deméritos - esta iniciativa política do Syriza fez emergir algumas das fissuras que atravessam o bloco austeritário. Como é o caso da posição do FMI. Uma boa contribuição para o debate é o que eu acho que  esta posição representa. Vindo de quem vem tem um valor acrescido. Não haverá solução para a Grécia sem que seja considerada um importante perdão da dívida e um período alargado de carência nas amortizações. O Syriza nºao pediria mais. Aos economistas do centro esquerda que há muito o defendem junta-se agora o credor-papão habitualmente inflexível.

6 comentários:

Miguel Serras Pereira disse...

Meu caro,

essas fissuras já eram perceptíveis há muito e eu próprio, nas discussões em curso no Vias a que te referes, as mencionei várias vezes. No FMI, esta atitude corresponde a uma reorientação que se vem esboçando (embora sem reunir a unanimidade dos altos responsáveis) e que, recentemente, o seu ex-boss DSK recomendou não sem uma nota de auto-crítica (cf. http://www.lemonde.fr/economie/article/2015/06/27/la-lecon-de-dominique-strauss-kahn-sur-la-crise-grecque_4663322_3234.html ). Mas manifestam-se também fissuras e tensões noutras altas instâncias da UE. Que, para as fazer emergir e explorar, fosse necessário ou útil a convocação do referendo, é outra questao: arrastar as negociações e "incumprir" dentro do euro, afirmando a necessidade de continuar as negociações para lá do fim do mês, teria sido mais do que suficiente e, creio eu, mais sério — além de mais inteligente, também.

Abraço

miguel (sp)

Anónimo disse...

Piketty deu hoje uma entrevista ao Le Monde onde ataca forte e feio o FMI, a sua opacidade e rigidez teórica, e defende o Syriza como interlocutor probo, insistindo umenso na reestruturação das dividas publicas europeias no seu conjunto.( O Acesso ´e livre no lemonde.fr). Uma das grandes pérolas de Michel Rocard na sua mais recente entrevista ao diário La Tribune consistiu em reclamar a saida urgente da Inglaterra da UE porque jura que ela tem uma fixação com as teorias neo-liberais neo-monetaristas. N.

jose guinote disse...

O encontro entre o Piketty e o António Costa, aqui referido alguns meses atrás, permanece como um mistério. Do que terão eles falado, sabendo-se o que se sabe das posições que o PS tem defendido sobre a questão grega e sobre uma, por eles detectada, suposta radicalidade do Syriza.

joão viegas disse...

Ola,

So para dizer que vi a entrevista do Piketty de que fala o Niet, que esta disponivel no site do Monde (julgo que para todos e não apenas reservada aos assinantes). São 25 minutos muito instrutivos. Vejam que não perdem tempo. Seja qual for a nossa opinião sobre o referendo grego, julgo que é claro que precisamos que este tipo de discurso federe as forças de esquerda na Europa.

Abraço

jose guinote disse...

João Viegas há um post disponível no Vias com um link para a entrevista, que eu coloquei ontem. Está online para toda a gente.
Um abraço

Anónimo disse...

Esquerda Europeia encetou consultas com os BRICS para tornar possivel uma alternativa económica ao Syriza, é o que ressalta de ma entrevista muito forte e inovadora de Mélenchon hoje em La Tribune;" Há uma dificuldade em construir rapidamente uma alternativa apoiando-se nos BRICS " frisa, sublinhando que a relação de forças não é desfavorável à Grécia. E vai direiro ao essencial: " Sob pressão alemã, o Eurogrupo decidiu encetar uma prova de força, com o risco de despoletar ua crise mundial ". O Referendo é visto por Mélenchon, lider do Front de Gauche, como uma alteração maior da perspectiva alternativa na Europa. Com esse Referndo, Tsipras afirma que nenhum dominio escapa à acção politica. É desse modo a negação do ordoliberalismo dominante ". N.