08/11/11

Sobre o "radicalismo populista-rasca de fachada comunista" - ou: de como o Dédé volta, afinal de contas, a ter razão


Não é a primeira vez que, apesar de desentendimentos transactos, e nem todos inócuos, digo de mim para mim ao lê-lo: "Não querem lá ver que é o Dédé quem, afinal, tem razão?"

Mas, desta feita, não posso deixar de ir mais longe e de subscrever na íntegra o que ele escreve num post, que, também na íntegra, faço questão de difundir aqui. Acrescento apenas uma dúvida, que talvez venha a ser ensejo de alguma discussão: não se deverá o facto de os energúmenos em apreço só se mostrarem tão audazes por se sentirem encorajados pela convicção ou o saber de que, no "partido que dizem defender", há quem de facto os defenda — que mais não seja à la António José Seguro, abstendo-se violentamente de os desautorizar?

DESCULPEM LÁ, LAMENTO TER DE SER EU, MAS ALGUÉM TINHA DE FALAR DISTO

Para quem anda pelas redes sociais é cada vez mais penoso ver as tristes figuras que muitos camaradas, auto declarados e/ou filiados, andam por aqui a fazer.


Mais rápidos no dedo a disparar o rato, que a fazer on do processador que têm entre as orelhas, é vê-los a atafulhar-nos a caixa de Email com o populismo mais rasca que circula na net, a deixar entusiásticos gostos naqueles posts do FB que acusam os políticos de serem todos ladrões, ou a submergir as caixas de comentários da bloga com insultos a todo o ser humano que escreva qualquer coisinha que, nas suas desarranjadas tólas, lhes pareça conter a mais leve crítica ao partido que dizem defender.

Alguém faça alguma coisa: peçam ao Jorge Messias para escrever um artigo no Avante, façam uns telefonemas para a Antena Aberta, inventem uma nova letra para a cantiga dos Homens da Luta. Aquilo que acharem melhor. Mas apressem-se, não deixem esse pessoal mais tempo para aí ao Deus dará, sem lhes darem uma palavrinha que possa incutir um pouco de bom senso naquelas moleirinhas desvairadas. É que por este andar, crescendo e multiplicando-se, a coisa só pode mesmo piorar.

O que a esquerda menos precisa, particularmente nesta tão difícil conjuntura, é de quem ande por aí a dar tiros nos pés. Já para não falar que é ao pessoal intoxicado por este tipo de radicalismo populista-rasca de fachada comunista, que os Le Pen deste mundo têm sempre ido buscar uma parte do seu apoio popular e de massas
.

14 comentários:

joão viegas disse...

Hahaha !

Também subscrevo na integra.

Convém lembrar que a aliança objectiva entre a escoria desnorteada e o conservadorimo violentamente reacionario não é de hoje (ja em Roma...). Da revolta da Maria da Fonte, ou do golpe de Dezembro 1852 em França, passando pelo Boulangismo, pelo antisemitismo, etc, sempre foi uma semente do fascismo.

Alias, parece razoavel defender que o Marxismo começou por ser um movimento empenhado, em nome da eficacia do combate progressista da esquerda, em lutar contra as sabotagens oriundas desse tipo de alianças, que infelizmente não são contra natura...

E, ja agora, lembro que o Marxismo pretendia combater essas tendências em nome do "pensamento unico" chamado ciência e, mais particularmente, em nome da ciência economica, como decerto reconhecerão os menos esquecidos...

Abraços

Marco disse...

Não há dúvidas que existe alguma verdade nesta opinião.

Mas também não deixa de ser ridículo que, nos tempos que correm, 90% dos seus posts versem o PC

Anónimo disse...

O " misticismo soviético ", tão profundamente analisado por Martov transformou-se, no final das experiências do " comunismo bolchevique ", à margem do neo-revisionismo estilizado estilo Eurocomunismo, num colossal monte de " velharias " obsoletas envoltas num processo de paranóia crítica- hegeliana-lacaniana de saldo- teleguiada pela língua-de-pau do marxismo mais reaccionário e oco.Contra esse flagelo- social e cultural- só existe, a meu ver, um caminho seguro: ter a coragem de chamar as coisas pelo seu nome! Salut! Niet

Miguel Serras Pereira disse...

Caro Marco,

estive a contar os posts que publiquei de 15 de Outubro para cá: foram 25. Há cinco deles que se referem ao PCP, ainda que dificilmente possa considerar-se que é o PCP o tem principal de mais do que dois ou três.
Não quer rever as suas contas?

Mas há mais e melhor a responder à acusação implícita de "anticomunismo" que o último parágrafo do seu comentário veicula. A esse respeito, e para poupar tempo, remeto-o para o post que escrevi sobre o assunto há já mais de um ano:

'O termo ["anticomunismo"] é aplicado aos que criticam ou atacam determinada palavra de ordem, atitude política concreta do PCP, ou, indo mais, longe contestam a sua orientação ou linha geral. Ou também, e por maioria de razão, aos que entendem que a prática do PCP, as suas concepções expressas teoricamente ou na linguagem da acção, prefiguram ou actualizam certos traços incompatíveis com a construção de uma sociedade sem distinções ou hierarquia de classe, governada por cidadãos livres e iguais, organizados em vista do exercício da direcção política e económica através da participação democrática nos processos de deliberação e decisão das questões comuns.
Mas serão "anticomunistas" os que sustentam estas críticas e posições? Dir-se-ia que não, quando se considere, pelo menos, que a "construção social" que acima resumi, em termos deliberadamente diferentes dos mais frequentemente utilizados para descrever o comunismo, se limitam no essencial a repetir as exigências fundamentais da democratização socialista que se confunde com a abertura da via que conduziria ao comunismo.
(…)
'[De facto] a organização do combate democrático cuja extensão se confunde com a "construção do socialismo" deve ela própria ser democrática e socialista, deve ela própria ser expressão do auto-governo e da autonomia colectivos, os quais, pelo seu lado, estipulam e afirmam a autonomia e a responsabilidade dos indivíduos seus agentes, cidadãos apostados em dar-se, por sua conta e risco próprios, e sabendo que o fazem, a sua própria lei. Nessa medida, o compromisso com a dimensão política do "horizonte do comunismo" (Daniel Bensaïd), da "hipótese comunista" ou da "revolução social", não reconhece direcções superiores nem exteriores ao desenvolvimento da participação, em condições de igualdade de poder, exercida pelos interessados. E a recusa de reconhecer qualquer competência, estatuto, legitimidade ou superioridade de comando ao PCP, como a qualquer outra organização partidária, que se declare proprietária ou instância de administração e condução profissional do "movimento comunista", é bem menos "anticomunista" do aqueles que, em defesa da ordem hierárquica que instituíram em proveito da sua condição de representantes ou dirigentes e candidatos a governantes "mais justos" das "massas" oprimidas e exploradas, não se cansam de denunciar o "anticomunismo" de quem não lhes bate a pala nem, diante deles, se perfila de medo, ou acede a prestar-lhes serviços de sacristia.
Se, no debate sobre os "porcos com asas, que figuram na epígrafe deste blogue, o cepticismo pode invocar argumentos não despiciendos, é, em contrapartida, fora de toda a dúvida que, sobre os usos do termo "anticomunismo", talvez tenhamos ainda de voltar a falar, começando por fazê-lo, por exemplo, com os que, militando no PCP, mantêm viva essa vontade efectiva, anti-classista, anti-burocrática e anti-hierárquica, de liberdade, igualdade e "livre associação" governante que, um dia, os levou a adoptarem como sua a "hipótese comunista".' (http://viasfacto.blogspot.com/2010/06/sobre-o-anticomunismo-uma-ou-duas.html)

Saudações democráticas

msp

vítor dias disse...

Fulminado por esta ideia das «desautorizações» por parte do PCP a pessoas qu,sob nome verdadeiro ou falso, escrevem nas caixas de comentários dos blogs,informo que já escrevi à Direcção do PCP a propôr o seguinte:

-que o Avante!, semanalmente e de preferência longe da rubrica «obituário» crie uma rubrica intitulada «desautorizações» com o teor que aqui exemplifico:

« A direcção do PCP entende informar os militantes do Partido e a opinião pública em geral que, na semana transacta, desautoriza as seguintes opiniões emitidas em caixas de comentários de blogs por cidadãos que se apresentaram como comunistas:

- «Chico da Foice» no «Vias de Facto»;

- «António do Martelo» no «Cinco Dias»

- «Álvaro Guevara» no «Spectrum»
(etc., etc.

- e ,finalmente, como exigência organizativa decorrente do ponto anterior, que o PCP crie uma linha telefónica gratuita para receber informações ou sugestões sobre comentários em caixas de blogs de que se deva demarcar.

Miguel Serras Pereira disse...

Vítor Dias,
V. teria, sem dúvida tanto de razão quanto de sentido de humor, se as coisas e casos referidos no post do Dédé fossem como V. as pinta. Sabe que não é o caso, não sabe? E não me vai obrigar a "descer" a indicar-lhe nomes e a citar-lhe exemplos que mostram que nem sempre são agentes provocadores inidentificáveis os autores dos dislates, cuja gravidade o ridículo não basta para atenuar, que o Dédé cita.
Quanto ao resto, remeto-o para a troca de comentários que mantivemos a propósito de outro post aqui há dias. (http://viasfacto.blogspot.com/2011/11/ainda-sobre-reabilitacao-militante-dos.html?showComment=1320348453781#c1264880377081351989)
De qualquer maneira, registo com agrado que, apesar de tudo, embora afirmando que a "desautorização" é dispensável, V. sinta, ainda que indirectamente, por se demarcar do "radicalismo populista-rasca de fachada comunista". Melhor ainda seria que, apesar do facto de o fenómeno ser particularmente repugnante, V. reconhecesse que haveria vantagens em analisá-lo, preveni-lo e combatê-lo.

Sinceramente

msp

joão viegas disse...

O Vitor Dias tem razão.

Doravante, quando me ocorrer criticar um artigo de opinião publicado no Avante, ou posições assumidas publicamente por comunistas (sejam eles meros simpatizantes ou até responsaveis administrativos ou eleitos nas listas do partido), procurarei sempre sublinhar que

"Se esta mal, então não pode ter nada a ver com o Partido, com a sua linha politica ou com os Ideais que O animam, perante os quais me declaro desde ja um miseravel verme indigno sujar o Manto Imaculado da Reputação do Grande Partido dos Trabalhadores".

Boas.

Ana Cristina Leonardo disse...

João Viegas, desta vez percebi-o perfeitamente
:-)

samuel disse...

Uau!!!!

Dédé disse...

Lapalissada do dia:
O post citado é meu, os comentários, incluindo a apresentação do MSP, são vossos.

vítor dias disse...

Não tenho nada a acrescentar, a não ser que o universo das caixas de comentários dos blogues (e porque não os jornais online)são hoje a maior e mais marcante realidade
do nosso tempo e o ecrã de computador o mais maravilhoso e estuamte território da vida social
à escala planetária.

Agora, como costuma dizer uma artista que conheço de ouvir falar,
vou ali regar umas sardinheiras e já volto, ai não volto, não.

Ana Sofia Castro disse...

Subscrevo na totalidade o primeiro post de V. Dias...

Nem mais.

Roethia Secunda Roetia Prima disse...

Convém lembrar que a aliança objectiva entre a escoria desnorteada=joão viegas ?

a ganga e a escória são subprodutos da sociedade industrial

geralmente são as élites computadorizadas

por cidadãos que se apresentaram como comunistas:

- «Chico da Foice» no «Vias de Facto»;

- «António do Martelo» no «Cinco Dias»

- «Álvaro Guevara» no «Spectrum»
(etc., etc.

- e ,finalmente, como exigência organizativa decorrente do ponto anterior, que o PCP crie uma linha telefónica gratuita para receber informações...de bufos pidescos?

a Stasi também emigrou com a Merckel?

joão viegas disse...

Viva,

Por acaso não foi sem hesitação que escrevi a palavra "escoria". Mas é sem a minima hesitação que a mantenho. Para mim, a organização das forças populares tende à sua elevação, nada me incomoda no termo, e acho angélico, perigoso mesmo, partir do principio de que não existe uma parte baixa na plebe, desnorteada e dificilmente aproveitavel, ou antes muito facilmente manipulavel (como os fascitas sabem muito bem).

Digamos que esta minha costela constitui a parte propriamente marxista da minha ossatura...

Quanto ao resto, acho que estamos a confundir. Ninguém pretende proibir os messias deste mundo de disparatarem por ai nas tabernas.

Do que se trata é de responsabilizar quem pode e deve sê-lo, sob pena de seguirmos estupidamente as vias apontadas por taberneiros.

Boas para os que ainda por aqui andam.