26/04/10

Uma Expressão de Duas Palavras

O autor de um desses posts irremediável e reincidentemente idiotas - exemplos vivos de que a patifaria, se espevita talvez o pior da esperteza, obnubila o melhor da inteligência - que, com demasiada frequência, estragam o interesse e o gosto com que muitos de nós continuamos a visitar o 5dias, esse autor, dizia eu, depois de publicar meia-dúzia de denúncias vociferantes, entremeadas com citações de Lenine laboriosamente descontextualizadas, contra os que, em seu entender, se servem da questão religiosa para afastar as massas dos combates verdadeiramente importantes (contra, por exemplo, blogues como o Arrastão, o jugular e o Vias de Facto, crismado "Rádio Miami") que ele próprio anima, sempre secundado pelo seu camarada Renato o Teixeira, esse autor, repito, recebe na sua caixa de comentários o seguinte apoio de outro denodado caçador de esquerdistas:

Realmente o Lénine era pragmático, objectivo e determinado.
No lugar de andar a envenenar o proletariado com guerrinhas religiosas, ele apontava o caminho para a libertação economica, social e cultural das classes trabalhadoras e laboriosas.
A fracturância pequeno-burguesa, muito ao estilo «sucialista» e «bloquista» gostam de arranjar guerras para distrair o povo dos reais problemas.
Quem quiser acompanhar a visita do Papa que vá e aproveite a tolerância de ponto que é concedida.
Quem estiver contra, muito bem, que vá trabalhar, ou dar um passeio de burro, sugestão aliás que dou de barato a esse Sr.Vale de Almeida, que é um sectário, intolerante e esquerdista da pior espécie.
Vá passear o seu burro, ó amélia!



E responde a este comentário:

Caro Abílio Rosa. Grande abraço.
Em cheio.
Apareça sempre.
CV


Tendo-lhe sido feito notar por outro comentador que - pior do que a agenda de cretinização militante que o seu post documentava - era uma infâmia abaixo de cão, que desqualifica sem remédio quem a escreve e quem a aplaude, denegrir numa discussão que deveria ser política a orientação sexual do Miguel Vale de Almeida vomitando sobre ele um “ó amélia” de caserna fascista, o autor reiterou a resposta dada ao seu discípulo, nos seguintes termos, e depois de caluniar veemente, mas desastradamente o segundo comentador:

Não censuro uma expressão de duas palavras que consta de um comentário de seis parágrafos.
Um comentário que muito bem entendeu o meu texto. E, além disso, não sou nenhum “educador da classe operária”, nem das “boas práticas” éticas. Pelo menos por agora.

A isto, o dito comentador respondeu  que, sobre o problema em apreço, só lhe restava pôr fim à correspondência, uma vez que tanto as coisas que autor do post dizia, como a "expressão de duas palavras" do seu sequaz, "falam por si".  O que creio, continuo a crer, ser, dentro do possível, a resposta mais razoável. Mas se, com efeito, o texto do post e as palavras da respectiva caixa de comentários "falam por si, não me parece inútil dar-lhes, por este meio, toda a publicidade que merecem. Missão cumprida.

8 comentários:

rafael disse...

Caro Miguel

há uns tempos atrás interpelou-me num dos seus primeiros posts aqui no vias de facto sobre a minha posiçao sobre cuba que tinha expresso numa caixa de comentários do entre as brumas da memória.

O seu comentário motivou-me a escrever um post que por razoes pessoais e profissionais apenas agora consigo publicar. Pretende ser uma abordagem séria, e porque nao assumi-lo, de defesa de Cuba e do seu Governo.

Saudações republicanas, comunistas e libertárias

Rafael

http://airadosmansos.blogspot.com/2010/04/la-isla-bonita-ou-cuba-das-incoerencias.html

xatoo disse...

"Renato o Teixeira"
carissimo
pode-se saber o porquê de alterar o nome das pessoas com quem não consegue debater com argumentos válidos?

Miguel Serras Pereira disse...

Caro Rafael,
não posso discutir aqui os diversos aspectos do seu extenso ensaio.
Mantenho, no entanto, que nada consigo descobrir nele que torne menos fundamental a questão da democratização das instituiçõe do regime cubano, atribuindo aos cidadãos capacidades políticas suficientemente plenas para que a crise do regime castrista e a sua previsível desagregação não dê lugar a soluções que, uma vez mais, frustrem as aspirações de liberdade da população da ilha, e perpetuem as desigualdades hierárquicas e a exploração em benefício de uma camada oligárquica reciclada e mais ou menos profundamente recomposta, que continue a monopolizar o acesso às alavanas de comando do poder político e da organização da actividade económica.

Cordiais saudações democráticas

msp

Miguel Serras Pereira disse...

Xatoo,
como você bem poderá supor é só para caricaturar - talvez com indulgência excessiva, apesar de tudo - um tipo que escreve coisas como Googlar o Ratzinger, ou Terrorismo é isto, o resto é legítima defesa
Mas, já agora, foi a alusão ao Rambo Vermelho ou Martelo Marxista-Islamista da Decadência Ocidental que lhe despertou rebates de consciência no meu post?
Se aprova o resto, e mesmo que para já não aprove (pois quero crer que será só uma questão de tempo), não tenho dúvidas em dizer que se entenda "Renato Teixeira" onde, aqui em cima, se lê "Renato o Teixeira".
Saudações sempre atentas

msp

Anónimo disse...

mIGUEL sERRAS PEREIRA:

Deixa de ser um careta, pá! tu pra pseudo-anarca és muito moderado. e nem percebi qual era o problema com o texto do vidal. Mas sou eu que sou muito burro, concerteza.

Falas, falas, mas a ti também não te vejo a fazer nada senão a laurear a vaidade pela blogosfera.

rafael disse...

Caro Miguel,

pelo que li, vi e escrevi, a questao da democratização das instituições é urgente, mas menos urgente do que no ocidente.

Considero, efectivamente, Cuba um país mais democratico e mais livre que as nossas democracias ocidentais e ponho o termo comparativo apenas porque creio que a urgência de reformar e de melhorar todo e qualquer processo democratico deve ser sempre uma permissa subjacente à propria ideia de democracia.

Se nao, esta anquilosa-se e transforma-se em meros procedimentos burocraticos destinados a perpetuar a situação existente...

por isso e por muito mais é que defendo Cuba e a sua forma de governação

saudações

rafael

Renato Teixeira disse...

Miguel ó Serras ú Pereira (brincadeira gira esta, hein)... Não gostou de googlar o Ratzinger? Do debate sobre a resistência islâmica?
Temos pena. Eu gostei do Rambo Vermelho e fico sempre lisonjeado com a comparação com o cáustico Carlos Vidal.

Noto ainda que anda a fazer links para postas interessantíssimas. Sempre desconfiei que o que gostava mesmo era de ter um nick-name radical e rebelde para fazer brincadeira giras com o nome das pessoas.

A Atlantis já atendeu à minha recomendação?

Miguel Serras Pereira disse...

Caro Rafael,
no seu comentário, sublinho e aprovo o seguinte: "reformar e de melhorar todo e qualquer processo democratico deve ser sempre uma permissa subjacente à propria ideia de democracia.
Se nao, esta anquilosa-se e transforma-se em meros procedimentos burocraticos destinados a perpetuar a situação existente..."
Mas francamente não me parece que você tenha razão no seu diagnóstico. Se os regimes ocidentais estão muito longe de ser democráticos e neles a relação de forças têm vindo cada vez mais, a partir dos anos 70, a consolidar o poder oligárquico, isso não significa que em Cuba os cidadãos sejam mais livres ou estejam mais próximos de participar autonomamente no exercício do poder. Cuba está muito longe de ser um regime que tenha posto em causa a distinção permanente entre governantes e governandos (pelo contrário, consagra-a e reforça-a), atribuindo aos cidadãos o direito, como dizia a cantiga, de "mudar e decidir", para já não falarmos do "pertencer ao povo o que o povo produzir". Não há democracia perfeita nem assembleia de cidadãos infalível. Que mais não seja porque a democracia é o regime em que a questão da organização da sociedade permanece em aberto. Mas isso não significa que não haja um abismo entre a participação igualitária no exercício do poder ou que os cidadãos devam ser protegidos contra a sua própria falibilidade por vanguardas esclarecidas e o seu despotismo iluminado (que acaba por conduzir sempre às piores irracionalidades) ou, como entre nós, por mecanismos e dispositivos institucionais que os excluem do essencial da discussão e decisão das políticas de governo.
Discussão a continuar, sem dúvida.
Até lá, cordiais saudações democráticas

msp